O dia amanheceu com o sol filtrando-se pelas janelas da estufa, refletindo nas folhas como promessas não ditas. Maya estava ali antes de todos, mãos sujas de terra, mas olhos limpos de dúvida. Ela não se escondia mais, nem de si, nem dele. Raul a encontrou assim, de costas, de vestido leve, os cachos presos com uma caneta improvisada. Um pedaço de orquídea no cabelo, como se a natureza a escolhesse para si. Ele se aproximou em silêncio, mas ela não virou. — Dormiu bem? Ele arriscou, cruzando os braços. — Dormi. Até sonhei. Disse ela, sem olhar, mas com voz firme. — E o senhor? — Eu não durmo bem há muito tempo. Respondeu com honestidade. Ela enfim se virou. Havia um brilho nos olhos dela. Um brilho desafiador. — Deve ser difícil dormir com tanto orgulho ocupando a cama. Ele

