O quarto de motel estava na penumbra, iluminado apenas pelo abajur vermelho de canto. Daniel estava sentado à beira da cama, copo de whisky na mão, camisa aberta, olhar perdido em alguma lembrança distorcida. Quando a porta se abriu, ele não se virou. Apenas disse com a voz áspera, sem emoção: — Não acende a luz. Renata hesitou na porta. — Você disse que… Disse muita coisa. Ele cortou, virando o copo de uma vez e arremessando-o contra a parede. O estilhaço se espalhou pelo chão, fazendo Renata recuar. — Fecha a porta. Ela o fez, com a mão trêmula. Daniel se levantou devagar, os olhos brilhando com um misto de raiva e algo mais sombrio. — Tira a roupa. A ordem veio fria, cortante. Renata obedeceu. A vergonha queimava sua pele, mas o desejo de ser escolhida, de ser vista por a

