Ele estava sozinho. De novo. As mãos enterradas nos cabelos, os cotovelos apoiados nos joelhos, o peito arfando como se tivesse acabado de sair de uma luta, não física, mas interna. Na lareira, o fogo morria aos poucos, mas dentro dele… as chamas nunca se apagaram. “Nenhuma voz... nenhuma boca... nenhum corpo…” Raul fechou os olhos e apertou os punhos. Nada. Nada se comparava ao som dela. Ao gemido que Maya deixava escapar no exato momento em que perdia o controle. Aquele som específico, aquele tremor da garganta misturado com desejo, abandono e confiança. Aquele gemido que dizia: “Eu sou sua, agora.” E ele? Ele era dela antes mesmo de tocar. — Nenhuma mulher geme assim, sem amar... Ele murmurou no escuro da sala. — Nenhuma me entregou isso. Ele tentou. Deus sabe que tentou

