A luz do entardecer entrava pela janela da cozinha como um afago antigo. O cheiro de chá de canela preenchia o ar, e Joana mexia distraidamente a colher na caneca como se esperasse algo; ou alguém, florescer ali. Maya apareceu na porta com os ombros curvados, como quem carrega palavras pesadas demais no peito. — Posso? Joana sorriu com ternura. — Você nunca precisou pedir. Maya sentou-se devagar, os dedos entrelaçados, os olhos baixos. Joana colocou a caneca à frente dela. — É chá pra alma que quer falar, mas tem medo Disse, brincando, mas com a voz macia. — E se eu te disser que eu nem sei mais o que a minha alma quer? Maya murmurou, olhando para o líquido fumegante. Joana não respondeu de imediato. Apenas sentou-se ao lado dela e esperou. Maya, enfim, falou: — Zé Lino me disse

