Era início da tarde quando Raul recebeu a visita inesperada no escritório da fazenda. Daniel. Sorriso sujo. Terno claro. E arrogância pingando dos sapatos caros. — Vim negociar. Disse, sem pedir licença para sentar. Raul cruzou os braços, encostado na mesa de madeira escura. — Não tem nada aqui que te pertença. E nada que esteja à venda. Daniel riu, olhando os troféus antigos na prateleira, como se cada detalhe da fazenda lhe fosse familiar. Mas seu interesse real era outro. — Todo mundo tem um preço, Raul. Sei que o seu anda mais emocional ultimamente. Talvez... confuso. Raul permaneceu imóvel. Daniel então tirou um envelope do paletó e jogou sobre a mesa. — Dois milhões. O dobro. Pela Maya. O silêncio se arrastou. Raul olhou para o envelope como se ali estivesse uma ameaça.

