Acordar naquela manhã era diferente. O céu tinha um cinza preguiçoso. O vento passava leve pela janela aberta. Mas dentro de Raul, uma tempestade antiga começava a perder força. E junto dela… vinham memórias que ele por tanto tempo evitou. Sentado na beira da cama, com a camisa entreaberta e os olhos cravados no chão, ele permitiu que o passado viesse. Pela primeira vez… sem se defender dele. Anos atrás. A voz de Isabel ecoava pela casa. — Raul, você precisa saber. Eu não queria te contar assim, mas você merece a verdade. Ele havia acabado de chegar da estufa. Tinha visto Maya lá. Ela cuidava das orquídeas como quem se despedia. O olhar baixo. Os gestos tensos. E então… a bomba. — Maya te traiu. Ele riu. Um riso seco. — Com quem? — Com Daniel. Isabel respondeu, rápida demais.

