Liz Narrando Eu já tava exausta mentalmente, de verdade. Era como se meu cérebro não desligasse nunca. Cada segundo parecia um castigo, cada minuto virava uma eternidade. Eu andava de um lado pro outro da sala, a mão na barriga, sentindo o João Pedro se mexer, como se ele também estivesse sentindo a tensão que dominava aquele lugar. O silêncio era pior que qualquer barulho. Até que o rádio do Henrique chiou. O som seco veio seguido de tiros. Depois gritos, vozes sobrepostas, rádio cortando. Meu coração disparou. — Meu Deus. — foi tudo que consegui dizer. Meus olhos arregalaram na hora. A Sabrina levantou num pulo, levou as duas mãos à cabeça e começou a chorar sem conseguir nem falar. — Não, não, não… — ela repetia, andando em círculos. O desespero tomou conta da sala. Um medo cr

