141 - Roberto

1145 Words

Roberto Narrando O medo daquela garota tinha cheiro. Era ácido, quente, quase palpável. Atiçava meu faro do mesmo jeito que sangue fresco atrai predador. Cada respiração descompassada dela era música pra mim. Eu me aproximei devagar, sem pressa, porque o desespero amadurece melhor quando a gente dá tempo. Ela sentiu minha presença antes mesmo de eu tocar. O corpo inteiro tremeu, como se estivesse presa num frio que só ela sentia. — Se afasta… por favor… — ela pediu, a voz falhando, os olhos marejados. Sorri. Não aquele sorriso educado, mas o que nasce quando a gente sabe que tem o controle absoluto da situação. Inclinei o rosto e puxei o ar perto do pescoço dela. — Cheirosa você — murmurei, só pra ver o efeito. Ela soluçou alto, o choro vindo de dentro, desorganizado. O pânico já ti

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