PH Narrando Entrei em casa cansadão, pörra, corpo moído, cabeça a mil, só querendo um banho e a minha branquinha nos braços. Nem deu tempo de fechar a porta direito. Quando virei, Liz veio correndo e pulou no meu colo com tudo. — Henrique! Carälho, ela me abraçou forte pra cacëte, daquele jeito que parece que vai quebrar as costelas. Enterrou o rosto no meu pescoço e me deu um beijo cheio de pressa, emoção, alívio. — Eu tô livre — ela falou, quase sem fôlego. Eu franzi a testa, confuso, segurando ela firme. — Livre do quê, amor? Não deu tempo de ouvir resposta nenhuma. Os foguetes rasgaram o céu como se fosse fim do mundo. Um atrás do outro. O som seco, estourado, cortando o ar. Na mesma hora o rádio chiou, aquele barulho maldito que arrepia até a alma. — Invasão! Invasão! Atençã

