**• Pk...
— Chegou mais cedo hoje, hein! — falou assim que entrei em casa.
— Th liberou a gente mais cedo hoje, disse que queria ficar sozinho — falei, me jogando no sofá e vendo meu filho correr pra me abraçar.
— Pai, você vai me levar pro futebol amanhã, né?
— Vou sim. Que horas mesmo, Patrícia?
— Nove da manhã!
— Vou te levar sim, meno. Agora o pai vai deitar, tô mó cansado.
— Tava pensando da gente sair todo mundo junto... Vamo?
— Agora não, né? Tô cansado. Deixa eu descansar primeiro.
— É impressionante que pra sair com a sua família você sempre tá cansado, mas quando seus amigos te chamam, você sempre tem tempo.
— Ah, eu nunca saio com vocês, não!? Ontem a gente não foi pro baile juntos?
— A gente, Pk. *Nós dois*. Eu tô falando de sair eu, você e o nosso filho. Família, entende?
— Na moral, vou nem discutir com você, não... Filho, assim que eu acordar te levo lá na pracinha pra você brincar com os moleques, pode ser?
Ele concordou com a cabeça, e eu fui pro quarto.
Minha relação com a Patrícia já não era a mesma fazia tempo. Nunca fui de ficar amarrado em mulher, era bicho solto. Mas numa das nossas transas, ela engravidou. Tinha quinze anos. O pai expulsou ela de casa assim que soube, e eu não ia deixar ela na rua, ainda mais grávida de um filho meu. Trouxe ela pra morar comigo, e tamo nessa até hoje.
Nossa cria, o Lucas, tem quatro anos. Moleque esperto demais, meu orgulho. Por um lado, só tô com a Paty por causa dele. Mas, por outro, também é por gratidão — por tudo que ela passou do meu lado. Já disse em várias brigas nossas que queria separar. Mas ela quis? Mó chatão viver numa relação que nenhum dos dois tá feliz... Mas, se ela quer assim.
— Pai, posso deitar aqui com você?
— Claro que pode. Apaga a luz aí e deita aqui.
Ele fez o que eu pedi e deitou do meu lado. Não demorou muito, já tava dormindo. Quando fui ver... eu também já tinha apagado.