**• Clara...
Tava indo embora pra minha casa quando a Duda me ligou, me chamando pra ir pra casa dela. De começo, neguei — tava cansada demais. A loja tava mais lotada que o normal hoje. Mas é sempre assim: qualquer festa no morro, as meninas correm pra comprar roupa. Eu só queria chegar em casa logo e dormir, mas ela insistiu tanto que acabei indo ficar lá um pouquinho.
— Nem tive tempo de te ligar pra saber como você tava. O salão tava lotado hoje. Como você tá? — perguntou ela.
— Tô de boa, né. Tirando a dor e o roxo no meu braço, tá tudo *super* de boa — falei debochando, e ela riu fraco.
— Foi malzão. Não devia ter te deixado lá sozinha. Por minha culpa se armou mó confusão. E ainda com o dono do lugar...
— Nem vem, você nem tem tanta culpa assim. O cara lá que foi mó ignorante. Precisava daquilo tudo? Pedi desculpa, fiz de tudo pra evitar confusão, e ele ainda veio pra cima de mim.
— Também achei desnecessário tudo aquilo. Mas é sempre assim. O Th tá acostumado com todo mundo abaixando a cabeça e respeitando ele. Aí você foi lá e fez tudo ao contrário, ele ficou bolado.
— Sim, mas como eu ia saber que ele era o dono dali? E independente de ser dono, ele também deve respeito às pessoas que moram e frequentam o lugar.
— Opa, tô entrando — disse alguém, empurrando a porta que tava entreaberta.
— Fala aí, bandido. m*l sentiu saudades, foi? — brincou a Duda, rindo.
— Eu? Só um pouquinho. E aí, barraqueira, como cê tá? — falou ele, fazendo um toque comigo. — Mó confusão que você arrumou ontem, hein?
— Eu nada. Já disse que quem arrumou confusão comigo foi aquele homem lá. Vê se eu sou mulher de arrumar barraco, ainda mais na rua!
— Uhum, sei — falou rindo. — Mas então... vim chamar vocês pra ir pro pagode que vai rolar lá na quadra hoje.
— Tô super de boa hoje. Inclusive, já vou pra minha casa.
— Tadinha de você se acha que vai embora e vai me deixar sozinha — disse Duda, fingindo drama.
— Sozinha nada. Lá vai tá o Magrinho, provavelmente o Pk e a mulher dele — que, inclusive, é sua amiguinha, por sinal.
— Vai, mas eu quero que você vá, Clara. Para de graça, vamo curtir. Só um pouquinho.
— A gente curtiu demais ontem. E você viu no que deu.
— Só um pouquinho, eu juro que venho embora na hora que você quiser.
— Na hora que eu quiser vir embora, você vai! Quero nem saber o que você tá fazendo.
— Então vocês vão, né? — ele perguntou.
Concordei com a cabeça.
— Vou esperar vocês lá.
— Eu vou pra minha casa me arrumar então.
— Nem precisa, sei bem como você é. Pega uma roupa minha aqui e se arruma aí mesmo.
Fiquei conversando com eles ali por um bom tempo, até perceber que tava ficando de vela pra Duda e pro Magrinho. Aí resolvi ir pro quarto dela, separei algumas roupas e fui tomar um banho. Assim que saí, vi que o Magrinho já tinha ido embora. Me arrumei e fiquei esperando a Duda terminar pra gente sair.