**• Clara...
Como eu já podia imaginar, o dono daqui também ia estar no pagode. Até aí, tudo bem. Era só manter distância. O que eu não imaginava era que eu ia ter que sentar na mesma mesa que ele. Insisti pra gente sentar em outro lugar, mas o Magrinho deixou? Disse que já tinha trocado ideia com ele e que ele ia ficar de boa — pelo menos hoje — comigo.
— Por mim, a gente ia embora agora! — falei.
— Clara, eu disse que a hora que você quisesse ir embora, eu ia, mas também não é assim, né? É só você ignorar a presença do Th — respondeu a Duda.
— Super fácil falar, né? Não é você quem ele faz questão de encarar a cada dez segundos — falei, olhando o Pk se aproximar da gente com a mulher dele, que vinha com o filho no colo.
— E aí, gente? Se resolveram, é? — ele perguntou, olhando pra mim.
— "Resolver" é uma palavra muito forte. No máximo, eles tão se aturando por um pedido meu — disse o Magrinho, rindo.
— Fiquei sabendo da confusão que você arrumou, hein, Clara. Continua a mesma de sempre — falou a Patrícia, dando um sorriso falso. Eu encarei ela.
— Vamo curtir, né, gente? Mania que vocês têm de ficar falando de assunto que já passou — cortou o Magrinho.
— Leva o Lucas pra brincar um pouquinho lá, Patrícia — disse o Pk.
— Vamo, filho? Já volto — ela falou, saindo de mãos dadas com o menino.
Nunca fui muito próxima dela. Conversava às vezes, quando vinha na casa da Duda e ela tava lá. Fora isso, só cumprimentava na rua. Mas foi só eu começar a conversar mais com o Pk que ela virou a cara pra mim — e até pra Duda, que vivia grudada com ela o tempo todo. Tudo por causa de homem. Vê se pode.
Tudo bem que ela pode ter as desconfianças dela quanto ao marido, mas se tem uma coisa que eu jamais vou fazer é dar ideia em homem comprometido — ainda mais ele, que eu considero como amigo. Teve, sim, um tempo em que ele chegou a dar em cima de mim quando a gente se conheceu, mas eu cortei assim que soube que ele era casado. A minha parte eu fiz!
Nem sei se ela sabe que o marido vive dando ideia pras meninas daqui. Ou ela sabe e finge que não vê, ou realmente não sabe. O Pk já disse que falou pra ela que queria se separar, mas ela não quis. Então, viver assim foi uma escolha dela. Quem sou eu pra julgar? Só acho que ela devia se valorizar e correr atrás do dela, e não de homem que nem faz questão da presença dela. Mas, se ela tá feliz assim...
Fiquei ali conversando com eles. Em algumas partes, foi até de boa. Ignorei a presença do Th, assim como ele fez com a minha. Mas só me senti à vontade mesmo quando ele saiu dizendo que ia fumar e não voltou mais. Na verdade, ele tava agarrado com uma mulher que só faltava dar pra ele ali mesmo, no beco onde estavam. Achei muita falta de respeito, porque, apesar de ter muito adulto ali, também tinha bastante criança vendo aquela cena.
Fora isso, o resto da noite foi tranquilo. A Duda sumiu com o Magrinho — como sempre — e eu fiquei trocando ideia com umas meninas que estavam na mesa com a gente. Algumas eu até já conhecia, por sempre frequentarem a loja.