bc

A Dama Vagabunda

book_age18+
9
FOLLOW
1K
READ
love-triangle
mafia
city
war
like
intro-logo
Blurb

No coração árido e implacável do Velho Oeste americano, onde poder se mede em terras, ouro e sangue, Dona Glória reina nas sombras de um casamento tão luxuoso quanto sufocante. Esposa de Dom Bourbon, um dos homens mais influentes e temidos da região, ela é vista pela sociedade como símbolo de elegância e devoção. Mas por trás dos vestidos de seda e dos sorrisos calculados, esconde-se uma mulher ardente, ambiciosa e perigosamente insatisfeita.

Enquanto Dom Bourbon expande seus negócios e fortalece alianças, Dona Glória tece sua própria rede de segredos. Envolvida em romances proibidos com homens que transitam entre o desejo e a ganância, ela transforma cada encontro em uma peça de um jogo maior: garantir para si a fortuna do marido. Porém, no Oeste, traições raramente permanecem ocultas, e cada passo em falso pode custar mais que reputação — pode custar a vida.

Entre paixões intensas, conspirações silenciosas e a constante vigilância de um marido astuto, Dona Glória precisará decidir até onde está disposta a ir. Pois no fim, amar pode ser um risco… mas herdar pode ser fatal.

chap-preview
Free preview
Ouro, Seda e Intenções
O sol surgia lento sobre as colinas poeirentas, tingindo o horizonte com tons de cobre e fogo, como se o próprio céu estivesse sendo fundido em uma fornalha invisível. A pequena cidade de San Veríssimo despertava com o ranger das carroças, o tilintar de ferraduras contra o chão batido e o cheiro forte de couro, suor e café recém-passado. Era um lugar onde a lei se dobrava ao peso do dinheiro — e naquele dia, todo o dinheiro parecia convergir para um único nome: Bourbon. A igreja, construída com madeira robusta e janelas altas de vidro fosco, era o único edifício que ousava sugerir alguma reverência naquele território dominado pela ambição. Seus bancos estavam ocupados por fazendeiros, comerciantes, políticos locais e homens armados — todos vestidos com o melhor que possuíam, numa tentativa de estar à altura da ocasião. Era o casamento de Dom Bourbon. Ele chegou primeiro. Vestia um terno de lã escura, cortado sob medida, com um colete de botões dourados que refletiam discretamente a luz. Seu chapéu, de aba larga, foi retirado ao cruzar a porta da igreja, revelando cabelos negros penteados com rigor. O rosto era marcado por linhas firmes, não de idade, mas de decisões difíceis. Seus olhos, frios como aço, percorriam o ambiente com precisão — avaliando, calculando, dominando. Dom Bourbon não era apenas um homem rico. Era um sistema inteiro. Dono de vastas extensões de terra, ele controlava rotas comerciais que ligavam o interior ao litoral. Seu império se sustentava em três pilares: gado, mineração e transporte. O gado era criado em fazendas espalhadas por quilômetros de pasto seco, conduzido por peões que raramente o viam pessoalmente. Já as minas — estas eram o coração pulsante de sua fortuna. Ouro, prata e, mais recentemente, cobre. Ele financiava escavações, comprava concessões falidas e revendia lucros com precisão cirúrgica. Mas era no transporte que sua genialidade se revelava. Bourbon havia investido pesado em caravanas protegidas e acordos com ferroviárias em expansão. Onde outros viam risco, ele via oportunidade. Garantia segurança às cargas — mediante pagamento, claro — e eliminava concorrentes que ousassem cruzar seu caminho. Não se sabia ao certo quantos homens trabalhavam para ele. Nem quantos haviam desaparecido por contrariá-lo. Quando Dona Glória surgiu na porta da igreja, todos se levantaram. Ela vestia um traje que parecia desafiar o próprio deserto. Um vestido de cetim marfim, com camadas delicadas que caíam em ondas suaves até o chão, contrastando com a aridez do mundo lá fora. A cintura marcada por um espartilho bordado à mão, com fios dourados que cintilavam sob a luz. As mangas longas, rendadas, abraçavam seus braços com elegância calculada. Um véu translúcido cobria parcialmente seu rosto, mas não o suficiente para esconder o brilho intenso de seus olhos. Ela caminhava devagar, como se cada passo fosse ensaiado para provocar não apenas admiração, mas impacto. Os homens observavam em silêncio, alguns com desejo contido, outros com respeito forçado. As mulheres cochichavam — algumas por inveja, outras por desconfiança. Dona Glória não era desconhecida, mas tampouco era completamente aceita. Viera de fora, de uma cidade maior, com histórias m*l contadas e um passado cuidadosamente editado. Mas naquele momento, nada disso importava. Ela estava prestes a se tornar a senhora Bourbon. Por trás do véu, seus pensamentos não acompanhavam a música suave do órgão. Não havia romantismo em sua expressão — apenas estratégia. "Contrato," pensava ela. Porque era exatamente isso que aquele casamento representava. Dona Glória sabia quem era Bourbon. Sabia de sua riqueza, de sua influência e, principalmente, de sua idade. Não era um homem velho, mas carregava o peso de uma vida acelerada por conflitos, negócios e inimigos. Homens como ele não morriam de velhice — morriam de emboscadas, traições ou doenças silenciosas que nenhum médico ousava nomear. E quando morriam… deixavam tudo. Ela havia estudado cada detalhe. As terras estavam registradas em seu nome. As minas, em sua maioria, também. Não havia herdeiros diretos — apenas primos distantes e parceiros comerciais que não tinham direito legal sobre sua fortuna. O casamento, portanto, não era apenas uma união. Era uma porta. Uma porta para tudo. Quando finalmente chegou ao altar, seus olhos encontraram os de Bourbon. Ele a observava com um leve sorriso — não de paixão, mas de reconhecimento. Ele sabia que ela era bela. Sabia que chamava atenção. E sabia, acima de tudo, que estava fazendo um bom negócio. Porque Bourbon também pensava em termos de contrato. Para ele, Dona Glória representava estabilidade social. Uma esposa elegante consolidava sua imagem entre os políticos e investidores do leste. Tornava-o respeitável. Tornava-o… legítimo. — Está deslumbrante — disse ele em voz baixa, enquanto o padre iniciava a cerimônia. Ela sorriu. — E o senhor, imbatível. As palavras eram gentis. O tom, preciso. Nenhum dos dois acreditava no que dizia. O padre falava sobre união, fidelidade e propósito divino. Mas aquelas palavras ecoavam vazias no espaço entre eles. Porque ali não havia ingenuidade. Havia acordo. Do lado de fora, o vento levantava pequenas espirais de poeira, como se o próprio deserto observasse aquela união com ceticismo. Durante os votos, Dona Glória manteve a postura impecável. Sua voz saiu firme, doce o suficiente para convencer os presentes. Prometeu companheirismo, lealdade, respeito. Cada palavra cuidadosamente pronunciada, como cláusulas invisíveis sendo assinadas. Mas dentro de si, ela acrescentava outras: "Até que a oportunidade nos separe." Quando Bourbon colocou o anel em seu dedo, ela sentiu o peso do ouro. Não era apenas uma joia — era um símbolo de posse. Mas também de acesso. E ela sabia usar ambos. Após a cerimônia, a cidade inteira pareceu se reunir para a celebração. Mesas foram montadas ao ar livre, cobertas com tecidos rústicos e decoradas com flores secas. Garrafas de uísque circulavam entre risadas altas e brindes exagerados. A carne assada girava lentamente em espetos improvisados, enquanto músicos tocavam violinos e banjos em um ritmo alegre e insistente. Bourbon circulava entre os convidados como um general entre suas tropas. Apertava mãos, fechava acordos, ria quando necessário. Mesmo em seu casamento, ele negociava. — A rota pelo sul precisa de reforço — dizia a um comerciante. — Posso garantir escolta… por um preço justo. — E a mina de cobre? — perguntava outro. — Em expansão. Se quiser investir, fale com meu contador amanhã. Nada era deixado ao acaso. Dona Glória observava. Sentada à mesa principal, ela analisava cada movimento, cada conversa. Não era ignorada — pelo contrário, muitos se aproximavam para cumprimentá-la. Mas ela sabia que ainda era uma peça nova naquele tabuleiro. E peças novas precisam aprender rápido. Um dos homens que se aproximou chamou sua atenção. Alto, postura confiante, olhar atento demais para alguém que fingia casualidade. Ele se apresentou como um dos responsáveis pelas caravanas. — Um prazer conhecê-la, senhora Bourbon. Ela sustentou o olhar por um segundo a mais do que o necessário. — O prazer é meu. Havia algo ali. Não exatamente desejo. Ainda não. Mas possibilidade. E Dona Glória sempre soube reconhecer oportunidades — fossem elas feitas de ouro… ou de carne. Ao cair da noite, as luzes dos lampiões criaram um brilho quente sobre a celebração. A música ficou mais lenta, os risos mais soltos. Bourbon finalmente se aproximou dela com um copo na mão. — Está satisfeita? — perguntou. Ela inclinou a cabeça, observando o movimento ao redor. — Estou… começando a ficar. Ele sorriu de lado. — Ótimo. Porque San Veríssimo agora é sua casa. Ela voltou os olhos para o horizonte escuro além da cidade. O deserto se estendia como um mar silencioso, cheio de promessas e perigos. Casa. A palavra parecia estranha. Mas útil. Dona Glória ergueu o copo e brindou. Ao futuro. E a tudo que ainda iria tomar para si. O tilintar dos copos ecoou como um pequeno pacto selado entre eles, embora cada um brindasse a um futuro distinto. Dom Bourbon bebeu primeiro, em um gole firme, como fazia com tudo na vida — sem hesitação, sem desperdício. Seus olhos continuavam atentos, mesmo naquele momento que deveria ser de celebração. Para ele, descanso era apenas uma pausa estratégica. Já Dona Glória levou o copo aos lábios com mais delicadeza, sentindo o gosto forte do uísque que queimava a garganta, mas aquecia a mente. Ela precisava estar lúcida. — Amanhã cedo partem duas caravanas — disse Bourbon, como se continuasse uma conversa iniciada dias antes. — Uma para o norte, carregando prata. Outra para o leste, com gado. São rotas longas… e caras. — Perigosas? — ela perguntou, com interesse genuíno, ainda que calculado. Ele a olhou de lado, medindo o alcance daquela pergunta. — Tudo aqui é perigoso. A diferença é quem está disposto a pagar para sobreviver. Dona Glória sorriu levemente. — E quem não pode pagar? — Aprende rápido… ou desaparece. Não havia crueldade no tom. Apenas constatação. Um silêncio breve se instalou entre eles, quebrado apenas pelo som distante de uma gargalhada alta e o dedilhar de um banjo insistente. A festa seguia viva, mas ao redor deles parecia haver uma bolha de racionalidade fria, onde sentimentos não tinham muito espaço. — Quero entender seus negócios — disse ela, por fim. Bourbon arqueou levemente a sobrancelha. — Entender… ou participar? — Ambos. A resposta veio rápida demais para ser ensaiada, mas não rápida o suficiente para parecer impulsiva. Era exatamente o tipo de resposta que ele respeitava. Ele girou o copo entre os dedos, pensativo. — Poucas mulheres fazem esse pedido. — Poucas mulheres se casam por acaso — retrucou ela, sustentando o olhar. Por um instante, algo mudou na expressão dele. Não era surpresa — era reconhecimento. Como se, finalmente, ele enxergasse além da beleza cuidadosamente apresentada. — Muito bem — disse ele, por fim. — Comece observando. Ouça mais do que fala. E nunca confie totalmente em ninguém. Ela inclinou a cabeça. — Nem no meu marido? Ele sorriu, dessa vez com um traço quase sincero. — Principalmente nele. A resposta a agradou mais do que deveria. Enquanto a noite avançava, a festa começou a se fragmentar. Alguns convidados se retiravam, outros se embriagavam além da conta, e pequenos grupos se formavam em conversas mais reservadas — onde negócios reais, aqueles que não passavam por contratos oficiais, eram discutidos em voz baixa. Dona Glória levantou-se da mesa, atraindo olhares instantaneamente. Seu vestido capturava a luz dos lampiões, e cada movimento parecia coreografado, ainda que natural. Caminhou entre os convidados com leveza, cumprimentando alguns, ignorando outros. Ela já começava a entender quem merecia atenção… e quem era apenas parte do cenário. Foi quando voltou a cruzar o olhar com o homem das caravanas. Ele estava encostado próximo a uma das carroças, conversando com outro sujeito, mas interrompeu a fala ao vê-la se aproximar. Havia algo em sua postura que não era subserviente como a maioria dos homens ali. Ele trabalhava para Bourbon — isso era evidente — mas não parecia temê-lo da mesma forma. — Senhora Bourbon — disse ele novamente, agora com um leve aceno de cabeça. — Ainda não me disse seu nome — respondeu ela. — Miguel. Simples. Direto. Ela repetiu mentalmente. — O senhor Miguel cuida das caravanas, certo? — Algumas delas. — E sobrevive a todas? Ele esboçou um sorriso discreto. — Até agora. Dona Glória aproximou-se um pouco mais, o suficiente para reduzir a distância entre formalidade e i********e. — Isso o torna valioso. — Ou descartável, dependendo do ponto de vista. Ela gostou da resposta.

editor-pick
Dreame-Editor's pick

bc

A Filha do Meu Sócio

read
162.2K
bc

A rainha da Grécia

read
10.3K
bc

A patricinha roubou o traficante?

read
4.1K
bc

O CONTRATO

read
3.6K
bc

Tentação Perigosa

read
6.4K
bc

Morro o que destino nós reserva

read
4.5K
bc

Coringa O rei de Dois Mundos o Final

read
7.9K

Scan code to download app

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook