Bravo
Vejo o sol nascer aqui da grande janela do meu quarto, quando o meu celular despertar indicando que já estava na hora de voltar pra minha rotina.
Fui até o banheiro, joguei uma água na cara pra poder acordar. Resolvi logo tomar um banho pra poder ficar ligado. Fiz minha higiene matinal de todo os dias , sai do banho com a toalha enrolada na cintura. Fui até meu closet abrir a gaveta e peguei uma cueca da Calvin Klein, uma bermuda jeans preta rasgada e uma blusa da mesma cor, me vestir passei meu perfume Bleu de Chanel é uma das minhas fragrâncias favoritas gosto de andar perfumado. Peguei minha Glock e coloquei na minha cintura, peguei minha AK-47 que estava no quanto coloquei ela atravessada nas gostos e sai do quarto.
Desci as escadas e senti o cheiro do café fresquinho que a minha mãe do coração está passando, dona Joana e a pessoa mais responsa que eu conheço ela trabalha aqui em casa desde toda a minha vida, desde que a minha mãe era viva ela já estava aqui . Foi minha babá e agora ela era a única figura materna que eu tenho, ela tem um cuidado comigo, ela me tem como um filho assim como eu tenho ela como uma mãe e tenho o Pedro como irmão que é filho dela e meu braço direito o meu Sub nele eu confio de olhos fechados, fico ali olhando ela fazendo o meu Nescau que só ela sabe fazer bem geladinho como eu gosto eu até tenho fazer mais não sai como o dela, foi aí que ela se virou e tomou um baita susto.
— Wallace, você que me matar do coração garoto eu já estou velha não aguento muita coisa já basta quando tem invasões aqui que eu fico com o coração na mão com você e o Pedro. Vai senta aí pra tomar seu café está pronto vai tomar seu Nescau primeiro ou seu café.
— Bom dia, Nana, você não vai morrer nunca e não quero que você fale de morte aqui, tá ouvindo mulher – Fui até ela e abracei e beijei sua cabeça – Você não pode me deixar sozinho mãe Nana eu só tenho você.
— A meu menino não vou prometer isso, você sabe que é impossível, mas enquanto eu estiver aqui tanto você e o Pedro podem contar comigo você sabe, mas vamos sentar pra tomar seu café anda hoje vou adiantar o almoço porque tenho médico lá no asfalto.
— Você está doente, Nana? – O que você tem fala que não é nada grave.
— Calma menino, é só uma consulta de rotina e pra pegar a receita dos meus remédios da pressão e do colesterol não precisa ficar assim o Pedro já até pediu pro manifesto me levar e ficar me esperando.
— Achei que era algo mais grave, mas tem que cuidar mesmo o manifesto tem ficha limpa então está de boa em ir com ele a senhora vai está segura. – Eu sentei pra tomar meu café enquanto a Nana estava fazendo o almoço pra deixar pronto eu quase nem venho almoçar em casa mais mesmo assim ela deixa tudo pronto em potes pra que coma quando este com fome ou até mesmo quando ela não vem. Terminei o meu café fui até o banheiro que tinha ali perto da cozinha escovei meus dentes voltei pra mim despedir da Nana.
Antes de ir pra boca eu sempre vou até o ponto mais alto da Rocinha e fico olhando o meu morro do alto aqui eu tenho toda a vista do morro sentado aqui nesta pedra onde eu fico pensando em tudo que me aconteceu na minha mãe. Eu não sei se era este o destino que ela queria pra mim, na real tudo que uma mãe que pro seu filho e um futuro mais é claro que tenho estudo minha mãe sempre pegou no meu pé e com a Nana não foi diferente depois que ela se foi. Eu não podia largar tudo isso aqui . Tudo isso é tão meu é a minha casa o meu grande lar.
Aqui do alto vejo a minha favela onde eu vivo , a Rocinha e um grande coração que bate através das artérias a maio favela da América Latina, todos estes becos. – Aah todos estes becos.
São características de toda uma favela é nelas que a vida acontece, fazendo pulsar esse grande coração. Ele e o caminho e o ponto de partida e chegada locais de encontros e despedidas, o ponto de referência o abrigo ou chão pra quem é de fora, um laboratório que se desmembram em outro e mais outros, se tornam novos becos e assim se espalham como os galhos de uma árvore. Que te levam a um rua principal dentro da Favela.
Muitas vezes pra mim chegar até algumas das minhas casas eu passo por vários becos falo com alguns moradores não sou de falar com as pessoas sempre sai a noite quando a maioria está dormindo quando passo na frente das casas sou acompanhado por latidos de cachorros por trás dos muros. Os becos cantam, sacou. Eles são importantes pro nosso dia a dia porque através deles acontecem as conexões de tudo. Tem que conhecer todos aqui no morro aqui eu conheço eu cresce correndo por estes becos sempre ouvindo as mães gritando com seus filhos pra descer da lage, pra vim estudar ou tomar banho os becos gritam lá ligado.
Lembro de uma vez caminhando pela favela com os parceiros que também eram ligados ao crime , eles não conviviam dentro de um morro como eu. Ele viviam em comunidades pequenas : " Como tu conhece todas estas rotas mano? Eu já me perdi no primeiro momento em que saímos da rua principal.
Realmente eu não tenha percebido isso, vai ver é a sobrevivência, quem é daqui quem é daqui já nasce sabendo isso ou não eu nem me lembro de quando aprendi a conhecer tudo. Conheço todos da Rocinha e de outras favelas , já que tenho vários morros como aliados, Maré, Penha, Alemão e o Salgueiro.
Aqui eu posso ser conhecido, posso ser odiado por ser temido e respeitado algemas pessoas de verdade me respeita não só por medo mas porque apesar de tudo eu faço todos estas seguro.
Mas mesmo assim temos muito confronto como a polícia e com os morros inimigos até que estão diminuindo eles sabem que o morro ninguém mim tira isso aqui e meu, sei que o crime sempre vai existir não importa o que faça ele sempre vai está lá em todos os cantos e aqui não vai ser diferente. Mais como eu sou o diferente deste morro tão grande o meu dever proteger as pessoas daqui tudo deve ser passado por mim a minha lei será aplicada.
O morro tem um ONG onde agente distribui cestas básicas e gás pra famílias que precisam. Pois eu sei quando a coisa aperta no final do mês eles sempre recorrer a mim e eu estou aqui pro meu povo pra minha gente pra minha comida.