Chegamos à cidade de Isnarestra no meio da tarde. Vitto não sabia ainda o homem obstinado que seu primo podia ser. Mesmo com dor e amaldiçoado, o homem fez sua própria vela a partir dos cobertores e um dos remos. Com as cordas fez as amarras e ele nos fez chegar horas antes do que chegaríamos a remo à costa de Genoas.
Foi vergonhoso chegarmos ao porto com um bote. Os piratas apontavam dedos e riam dele. Logo o fiscal chegou até nós, apontando para o bote e para o Gulian.
— Quanto tempo você pretende deixar ele aí? — indagou em Uinh.
Gulian me olhou e eu traduzi para o homem:
— No máximo até o entardecer de amanhã. Quanto custará?
— Você está ocupando espaço de navio grande, então vai pagar o mesmo preço que um navio paga — traduzi tudo para o Gulian.
Gulian apontou para o bote, sem tirar os olhos do homem e falava enquanto eu convertia para ao Uinh:
— Este bote está ocupando o lugar de um navio grande? Meu senhor, esse bote é minúsculo. É mais estreito que o corredor vago que fica entre um navio e outro.
O homem olhava para o Gulian e não para mim enquanto dizia e eu traduzia:
— O porto tem o comprimento certo para oito navios de um lado e sete do outro. O comprimento é exato. Sem um centímetro a mais, por tanto o espaço que este bote toma, tira o espaço necessário para que um navio grande atraque. Por isso ele vai ser pago pelo preço normal.
— Genoasotens ladrões de uma merda! — praguejou o capitão. Fiquei de olhos vidrados nos dele, esperando-o decidir o que diria. Então ele fez que sim com a cabeça.
— O valor por um navio grande será pago — prometi. Com o livro dele, o homem se aproximou de nós e perguntou o nome de Gulian. Nem precisei olhar para o capitão para saber que ele jamais diria seu nome no meio daquela humilhação, por isso eu disse: — Póluco Salkão.
— Salkão? — o homem me olhou com uma sobrancelha apenas em pé. — Salkão dos Salkãos das minas Salkão? — Assenti com a cabeça.
— Fomos deixados duas horas atrás pelo navio da família Salkão dos países do sul e remamos até aqui para que meu senhor pudesse visitar o tio. É certo que meu senhor morará aqui em Isnarestra com o tio e cuidará dos negócios da família, já que o homem só teve filha mulher. E é certo também que Póluco Salkão se case com uma delas.
De repente vi o homem riscar o nome da lista.
— E tem alguma prova do que me disse?
De fato existia. Joana, mãe de Gulian, era uma Salkão. O dono das minas Salkão era seu tio avô, na época em que se casou com Lundaho Beho. Hoje o dono das minas provavelmente era o filho ou neto do velho Salkão, e como é costumeiro os membros das famílias usarem colares com os brasões da família, Joana tinha a dela.
Desde sua morte, Gulian carregava o colar com ele. O encontrou sobre um pedaço de madeira quebrada do bote onde Joana morreu.
— O senhor pode mostrar o seu colar Salkão..., senhor?
O colar do brasão Beho era mais grosso e era de ouro amarelo. O brasão Salkão era um pouco mais fino e de ouro branco. Quando ele o puxou para fora, o homem sorriu e estendeu a mão para o Gulian.
— Bem vindo a Isnarestra, senhor. Considere o aluguel pago. — Eu traduzi e Gulian riu, olhando para mim. — Deseja que o bote seja levado para o porto de sua família? Posso arranjar alguém que o faça.
Gulian fez que não.
— Se aproprie dele se quiser, portuário. O bote não mais será útil.
Traduzi e o homem fez mesura a Gulian.
Caminhamos no cais e chegamos à avenida do porto. Pessoas passavam por nós, a maioria de pele parda e de cabelo cacheado e volumoso, num n***o absoluto. Todos os homens tinham bigodes e barbas com o tamanho de um ou dois dedos, as mulheres tinham cabelos longos que eram enrolados por um cordão branco da raiz da nuca de suas cabeças às pontas dos fios, que geralmente iam até pouco acima dos joelhos.
Seus olhos geralmente eram castanhos escuros, grandes e redondos; seus lábios volumosos e quase sem bochechas; suas orelhas comportadas e pescoços pequenos e finos. Os homens não eram do tipo alto, como Gulian ou Vitto, tinham mais uma estatura mediana de humano.
Eu não entendia como havia tantos tipos de humanos, uns mais diferentes que os outros.
— Como pretende recomeçar a vida, senhor?
Ele me olhou sem expressão alguma.
— Não me chame de senhor. Já conversamos sobre isso, Telo. Seja menos formal, somos mais do que senhor e sumo. — Depois seus olhos se perderam subitamente, num silêncio doloroso.
— Perdão — pedi.
Ele suspirou.
— Você foi esperto dando ao fiscal meu sobrenome materno. Assim não tenho que arranjar dinheiro para pagar o homem.
— Obrigado.
— Eu nem me lembrava que os Sulkãos são poderosos em Genoas. — Ele me olhou. — Póluco era o nome que minha mãe queria me dar, mas em Neerit temos a palavra poluquio, que é uma pessoa fraca, sem esforço, então meu pai me nomeou de Gulian.
— Me lembro da história — comentei. Suspirei e voltei a encará-lo. — G-Gulian, o que faremos agora?
Andamos até a calçada da avenida e o vi olhando em volta com ambas as mãos um pouco acima do quadril.
— Vamos até uma taverna. Vou arranjar um navio para nós viajarmos e recuperarmos o Dergo.
— O senhor pretende lutar contra o Vitto?
— Se ele estiver disposto a lutar pelo Dergo, temo que seja isso o que acontecerá, Telo.
ENTRAMOS NA MAIS MOVIMENTADA TAVERNA que Gulian conhecia na cidade de Isnarestra. A conversa estava alta e as risadas ainda mais. Mulheres passavam de um lado ao outro levando jarras de barro cheias de cerveja e servindo os clientes. Tinham duas brigas ao longo da taverna e uma discussão prestes a virar briga.
— Telo, por favor, me dê nomes para todos esses rostos que vejo — Gulian me pediu, passando as botas sujas no assoalho da entrada.
Aquele lugar não era do nível de taverna que Gulian visitava. E ele tinha a completa noção disso. Nos mares tinham várias subcategorias de piratas, mas essas tantas se encaixavam em duas categorias que dividiam explicitamente o mundo dos mares. As pessoas pensavam que pirata é pirata e só, mas as coisas eram bem mais complicadas que isso.
Gulian participava da classe mais alta de piratas. Um Gigante, como era conhecido. Era um clã de piratas. Uma guilda de pessoas da mesma classe. Vinte e sete membros somavam o total do clã dos Gigantes e mais algumas dezenas de aspirantes a este nível — protegidos e pupilos de membros Gigantes.
Nesta categoria encaixavam subcategorias. Entre os Gigantes havia os mercantes, os escravistas os guerreiros de abatimento e os guerreiros recurseiros ou também chamado de guerreiros de extração — de recursos, no caso. Havia também subcategorias de patente menor, ou também chamado de importância menos imediata.
Tinham aqueles que eram um pouco de tudo, como o Gulian, e dentro de cada subcategoria tinham níveis. Não era porque você era um Gigante que era o maioral. Havia uma hierarquia e o Gulian estava na guilda que ficava no topo. A base dessa pirâmide hierárquica era constituída do poder que o pirata tinha no mundo. E o lema do poder era: se você consegue matar uma pessoa poderosa, isso significa que você é mais poderoso do que ele. E quantas mais pessoas ele mata, mais força é empregada a sua pessoa. O Gulian teve a sorte de mostrar o seu poder e consumir os de demais piratas Gigantes num dia só, muitos anos atrás.
A outra grande categoria eram os Excedentes. Ou seja, o resto. E entre alguns deles havia pouca ou nenhuma ordem, nenhuma norma ou princípio, como havia entre os Gigantes. Alguns dos Excedentes participavam de guildas e tinham o seu papel dentro delas. A maioria desses grupos não tinha nem o poder do mais ínfimo m****o dos Gigantes, enquanto uma ou outra guilda chegava ao poder somatório igual ao de dois ou três membros de médio escalão entre os Gigantes.
Gulian não se encaixava perfeitamente entre os Gigantes no assunto de princípios, pois a ele foi poupado o esforço, a frustração e a disciplina de chegar ao topo, por isso ele era arrogante e impiedoso. Preguiçoso e um ser que não aceitava bem os nãos da vida. Já que não tivera o costume de levar alguns ao longo de sua criação como homem. O que fez o Gulian ser quem era, foi ele estar no lugar certo e na hora certa, com as pessoas certas ainda no início de sua carreira como pirata.
Ali dentro entendi o plano de Gulian. Ele não podia pedir ajuda a um dos seus ou a um pupilo ou protegido de um dos seus. Entre os Gigantes, Gulian seria perseguido. Tantos queriam o poder que ele tinha e isso aumentaria seu perigo. Já entre os baixos, a história era outra.
Podia haver, entre os Excedentes, algum bicho e******o que teria a intenção de matar Gulian num momento de desvantagem como essa. Seria uma subida ao topo ou no mínimo um cartão de entrada e boas-vindas aos Gigantes. Mas quem está de fora não entende muito bem como é dentro, fazendo o medo limitar qualquer ação que possa chegar a pensar e tornando a pessoa aflita quando a sua própria segurança se por um acaso chegasse a fazer isso. Neste caso, a forma mais segura de chegar perto do topo era ajudar um Gigante. Isso o faria ter dívidas com o sujeito e o Excedente poderia se tornar um protegido ou pupilo.
Apontei adiante, alguns graus para minha esquerda enquanto entrávamos e nos direcionávamos a um banco com espaço o suficiente para nós dois sentarmos.
— Aquele gordo barrigudo de três tranças na barba do queixo é Ceolror Ori, pai de Ceolrein Ori, pupilo de Slaug. — Apontei para outro. — Aquele magricelo e desajeitadamente alto é...
— Uris Awa, sei — Gulian disse, e então ele apontou para um sujeito ruivo e de cabelo bem curto, com a barba por fazer. — E aquele?
— Aquele é Drungo Seuyjous. É um pirata de categoria média entre os Sarsas do Norte. Eles são mercantes poderosos do mar Eberantis até o mar Espedaçado. — Apontei para alguns loiros e ruivos ao longo da taverna. — Esses são seus primos, tios e filhos.
— São todos piratas?
— Alguns. Os Seuyjous formam uma frota que geralmente viajam em duplas e trios.
Gulian ergueu as sobrancelhas e assentiu com a cabeça.
— Sim, está certo. Me lembrei deles. — Então balançou a cabeça. — São temperamentais demais. Estúpidos e burros ainda mais. — Apontou para um homem muito baixo e gordo, de cabelo crespo e vermelho-acastanhado, amarrado em tufos para baixo. — Quem é aquele?
— Puaktu Okoa... — Ergui a visão e sorri envergonhado. — Perdão. Okoaz...bia. — Assenti com a cabeça. — É Okoazbia. Eu estava em dúvida entre Okoazbia e Okoarsis. — Gulian fez pouco caso pela minha explicação. — Ele é o filho do ancião da guilda Kuahut dos piratas centrais dos oceanos Ert oeste e Ert leste.
— É pupilo de alguém? — perguntou me olhando. Hesitei e então fiz que não com a cabeça. — Protegido? — Fiz que não. Até onde eu sabia, não era. — São poderosos entre os piratas centrais?
— Não. Talvez estejam bem longe disso. — Olhei para o Gulian. — Independentemente da guilda, eles estão na categoria do velho Dergo. A diferença é que eles estão habilitados a lutarem e guerrearem.
— Qual é o navio deles?
— O de Puaktu é um Junco, capitão. Os outros de sua guilda têm Brigues, Escunas... Galeões...
Gulian me olhou de olhos estatelados.
— E por que Puaktu não é um pirata forte? Ele tem um ótimo navio de guerra.
Encolhi os ombros.
— Não sei. Talvez conformismo, falta de estratégia, de vontade, de inteligência...
— De um sumo — Gulian comentou e eu sorri e demorei para fazer um sim com a cabeça.
— De um sumo — confirmei depois.
Quando eu o olhei, ele olhava na direção do meu rosto, embora não olhasse exatamente para mim. O olhar estava pensativo e longe.
— O junco de Puaktu me vai ser perfeito. — Suspirou, como se estivesse um pouco mais aliviado agora. — Vitto está sem homens o suficiente para guiar o Dergo e guerrear. Sem contar que mesmo com um número um pouco maior, um Junco já causa uma insegurançazinha. Ainda mais estando eu nele liderando o ataque.
Fiquei pensativo e demorei para responder:
— Acredito que sim, capitão.
— Gulian bateu no meu ombro algumas vezes e mudou a rota que seguíamos para nos sentar no espaço vago mais perto. Ele nos guiou para o espaço vago mais perto de Puaktu.
— Gulian, Telo. Gulian. Pensei que vocês sumos aprendessem rápido. — Agora ofendeu. Depois parou de andar numa distância segura o suficiente para que não fôssemos ouvidos por Puaktu e seus homens. — Você entendeu o motivo de estarmos indo até ele?
Fiz que sim com a cabeça e expliquei para ele o meu ver:
— Puaktu tem o que se pode elogiar, para inflar seu ego, já que ele provavelmente se sente poderoso só por ter um Junco, embora saiba ser um pirata qualquer sem poder algum. Inflar o ego de um homem é um pedido de amizade. E ele ser um pirata sem poder é que o faz ser a escolha perfeita. Um pirata como ele, tendo um como você que o deve favor, o torna um homem intocável. Um pirata protegido. O que o torna suscetível a ser poderoso, já que você está o subindo no primeiro degrau da hierarquia. Resumindo, ele não ser pupilo e nem protegido dentre os Gigantes o torna a escolha ideal, já que você não corre risco dele te trair.
Gulian me encarou com um leve balançar de cabeça.
— Eu subestimei você, Telo. Queria ter a chance de ensinar estratégia para o meu sumo, mas agora vi que mesmo eu te mantendo afastado da minha corte de estratégia você sabe mais do que eles todos juntos. Você é mil vezes melhor que Vitto. — E declinou a cabeça de um lado. — Eu deveria ter te incluído mais na minha rotina, Telo. Me desculpa se eu subestimei você e o limitei a tarefas de estudos quaisquer, só para ocupar sua mente com temas de importâncias menores.
— Sendo sincero, Gulian, o senhor... você poderia me limitar a apenas literatura infantil que seria melhor a me dar tarefas de grumetes, como Vitto fazia. — Percebi só depois a minha falta de inteligência em incendiar a raiva que Gulian sentia do primo, embora eu sentisse algum prazer em contar isso a ele.
— O Vitto nunca gostou de você, meu caro. Desde o seu nascimento, ele te odiou. Mas tudo piorou quando nos tornamos órfãos e a tia Tahira me sugeriu que te vendesse, assim o Vitto não iria ao lar de órfãos em Vasars, se lembra? — Fiz que sim com a cabeça.
— Você disse que eu era a única coisa que sobrou de seu pai. A única lembrança que restara de tudo o que ele te deu.
— Sim, eu disse. — Começamos a andar e Gulian me perguntou: — Qual é a bandeira de Puaktu?
— É vermelha com um urso cinzento montanhês desenhado ao meio. E... Urso Montanhês é o nome do navio.
— Qual a língua do sujeito? — me sussurrou.
— Nam-rasdoom.
Ele arqueou as sobrancelha. Como estávamos conversando com a inteligência fluente, pensei em usar nomes técnicos sumáticos com ele, mas tratei logo de traduzir.
— Nam-rasdoom é uma leve modificação da língua Namrra, falada pelos descendentes dos considerados nômades do antigo reino de Namrraria que, durante a queda do reino, subiram pela península Çinmo e se espalharam no reino de Bremaio e um pouco em Kakri’inya.
— Ah! — ele ficou confuso. Muita informação desnecessária. — Mas ele vai entender se eu falar em Namrra com ele?
— Perfeitamente.
— Eu sei um pouco de Namrra — ele me confidenciou.
— Sabe. — Lembrei-me de ensiná-lo algumas palavras e os padrões básicos da conjugação de verbos.
— Telo, me diga uma coisa.
— Hmm?
— Eu já conheci Puaktu pessoalmente? — Fiz que sim com a cabeça. — Já conversei com ele? — Fiz que sim outra vez. — Quantas vezes?
— Algumas muitas. — Ele saber do número de vezes em que se viram e falar isso para o homem soaria estranho, por isso o poupei do argumento. — O suficiente para serem conhecidos ou algo um pouco acima disso.
— Certeza? Porque eu não me lembrava dele.
Assenti pacientemente com a cabeça.
— Certeza, Gulian. Você não se lembra dele, mas ele se lembrará quem é o senhor e talvez o número de vezes em que já conversaram.
Foi só eu me calar que Gulian abriu os braços e um sorriso que só ele tinha.
— Imagine a minha surpresa quando cheguei ao porto e vi aquele Urso montanhês. — Gulian apontou para o homem. — O bicho se destaca no meio do resto.
Puaktu ergueu a visão e riu para Gulian, mas vi estampado em seu rosto que ele não tinha noção de quem o capitão era. O Gulian precisava de uma intervenção, mas eu esperei um pouco para me intrometer.
— Puaktu, não reconhece mais os chegados?
— Perdoe. Quando se envelhece a mente não é mais a mesma — o homem respondeu. Gulian me olhou de olhos grandes e corretivos. Talvez o homem só precisava de um empurrãozinho para se lembrar de Gulian. Eram muitos mares e muitos piratas em cada um deles para ter um nome para cada rosto. — Quem é o senhor mesmo?
Cheguei perto deles rindo. Gulian ameaçava abrir a boca e se rebaixar ao nível de precisar dizer quem era.
— O senhor ficou tão feliz que veria o senhor Puaktu em Isnarestra, né capitão? Assim que viu o Urso Montanhês. Talvez seu rosto não seja tão memorável, capitão. — Eu tremia por dentro. Soava como se eu estivesse atiçando um pirata para brigar com o outro. O velho Puaktu chegou a avermelhar e os olhos se amiudaram de vergonha por não reconhecer o capitão. — Acho que o Dergo, listrado de preto e amarelo, seja mais memorável que o rosto de seu capitão.
Puaktu se colocou de pé imediatamente. Os olhos se avolumaram e o pouco rubor no rosto se inundou numa vermelhidão de achar graça.
— Perdoe-me, capitão Gulian Beho. Me lembro sim do senhor.
— Perdoo. — Assentiu com a cabeça ao se aproximar do homem e o abraçar. — Perdoo sim, capitão Puaktu. — Quando voltou com o corpo para trás, Gulian já não sorria mais. Ele passou um olhar em volta, olhou para cada um dos homens que rodeavam o velho e por fim olhou nos olhos dele. Suas mãos ainda estavam sobre os ombros de Puaktu, com as do velho nos cotovelos dos de Gulian. — Normalmente, meu chegado, eu respeito as preliminares. Chego devagar, converso e só depois abordo o assunto que me fez conversar com a pessoa. Mas hoje vou ser direto.
— Não estou te entendendo — o homem disse.
— Será que podemos conversar num lugar mais preservado? — Gulian disse e passou o olhar para mim. — O meu sumo traduzirá o que vou te falar. Mas resumindo, eu preciso muito de sua ajuda. Muito, muito mesmo, capitão Puaktu. E antes de eu a pedir, quero que saiba que eu sei recompensar muito bem um homem útil às minhas necessidades.
O velho olhou em volta.
— Vamos sim para um lugar mais particular, capitão Gulian. E já saiba que o que estiver a minha altura para lhe ajudar, te ajudarei.
— O encargo está à sua altura sim, capitão — Gulian respondeu.