Lucas narrando
A viatura da PRF era como a minha segunda casa. O cheiro de estofado velho, de café e de limpeza me dava uma sensação de familiaridade. Eu e o Agente Barros estávamos em nosso patrulhamento de rotina, e o sol da manhã de Foz do Iguaçu nos atingia com uma força que me fazia sentir vivo.
O Barros era um homem de rotina, mas também era um homem de riso fácil. Ele era um veterano da polícia, e ele tinha uma fama de mulherengo que ele não fazia questão de esconder. E ele sabia que eu precisava de uma distração.
— Lucas, você está com uma cara de quem vai aprontar. Que mulher que você viu, hein? — ele perguntou, com um sorriso.
— Não vi mulher nenhuma, Barros. A minha vida está uma bagunça.
— É por isso que você tem que ver. A vida é uma festa, meu filho. E você tem que participar dela. Olha aquela mulher, Lucas. Que mulher. Que pernas. Eu juro, se eu fosse solteiro...
Eu ri. O Barros era um veterano da polícia, e ele sabia que eu precisava de uma distração.
— Calma, Barros. Você vai ter um infarto. A gente tem que se concentrar no trabalho.
— O trabalho é importante, mas a vida também é. Você está solteiro agora. Você tem que aproveitar. Você tem que sair, tem que beijar, tem que amar. Você é um homem bonito, Lucas. E você é um PRF. As mulheres adoram um homem de farda.
Eu ri. Eu sabia que ele estava brincando, mas as suas palavras me davam um alívio. Eu estava me sentindo um homem que tinha perdido tudo, e o Barros me fazia sentir que eu tinha um novo começo.
Nós passamos por um grupo de mulheres, e uma delas, com um sorriso no rosto, nos acenou.
— Bom trabalho, meninos. Vocês são o orgulho do Brasil — ela disse, com uma risada.
Eu sorri. A minha farda era a minha armadura, e a minha armadura me fazia me sentir um herói. E, por um instante, eu me esqueci da minha vida. Eu me esqueci da traição de Sofia. Eu me esqueci do consórcio. Eu me esqueci de tudo.
Foi quando eu o vi. O homem que estava com Sofia. Ele estava em um carro, com outra mulher. Uma mulher loira e com um sorriso de quem estava se divertindo. Ele não me viu, e a sua cara de quem era dono do mundo me fez rir.
Eu não senti raiva. Eu não senti dor. Eu senti um alívio. Eu senti uma sensação de que a minha vida havia se desfeito, mas que eu estava livre. O homem que traiu Sofia, não era um homem que a amava. Ele era um homem que a usava, e ela, por um instante, o usava também.
— O que foi, Lucas? — o Barros perguntou, com a voz séria.
— Nada, Barros. Só tive uma revelação.
— Que revelação?
— A de que a vida é curta, e a gente tem que aproveitar.
O Barros sorriu.
— É isso que eu estava tentando te dizer, meu filho.
Eu me senti um homem que tinha um novo começo. Eu tinha um novo carro, um novo amigo, e uma nova vida. E, no meio de todo esse caos, a imagem de Isabela, a mulher dos cabelos negros e do olhar de leoa, me veio à mente. O meu coração me dizia que a minha vida havia mudado, e que a minha única certeza, o meu único porto seguro, havia se perdido. Mas eu tinha um novo começo, um novo carro, e um amigo que me amava. E eu sabia que a minha vida nunca mais seria a mesma. O meu maior desafio havia apenas começado.