Capítulo 18

774 Words
Isabela narrando A cadeira macia e o cheiro doce de esmalte eram um bálsamo para a minha alma. Eu me permiti uma pausa. Uma pequena pausa na correria da minha vida, na preocupação com o meu irmão e o restaurante, na angústia que se instalou em meu peito. Eu estava no salão, e a minha única preocupação era a cor do esmalte que eu iria escolher. Eu olhei para a parede, com todas as cores, e o meu olhar se perdeu em um rosa bem delicado. Um rosa suave, que me lembrava da minha infância, da minha inocência, da minha vida antes de tudo desmoronar. A manicure me olhou com um sorriso. — Essa é uma cor linda. É uma cor de quem quer viver, de quem quer ser feliz — ela disse, com a voz suave. Eu sorri. Eu queria viver. Eu queria ser feliz. E eu estava me permitindo esse pequeno luxo. Eu estava me permitindo esse momento de paz. Depois de fazer as unhas, eu me levantei e saí do salão. A minha roupa era a minha armadura. Um vestido curto, com fundo branco e alguns detalhes de cores rosas. Uma rasteirinha de brilho nos pés. Eu me senti uma mulher que tinha o controle de sua vida. Eu me senti uma mulher que estava pronta para o mundo. Eu saí do salão, e o sol da tarde me atingiu com uma força que me fazia sentir viva. Eu andei um pouco, e a minha mente se perdeu no meu passado. Eu me lembrei do meu pai. Ele sempre me ensinou a ser uma mulher forte, uma mulher que não se deixava abalar por ninguém. Foi quando eu vi o meu carro. O meu Voyage branco, com o pneu furado. O meu coração se encheu de frustração. Eu tinha que trocar o pneu. Eu entrei no carro e dirigi para o acostamento. Liguei o pisca-alerta, e me preparei para o meu desafio. Vários homens, que estavam parados na rua, se ofereceram para me ajudar. Eu sorri, mas neguei. Eu sabia o que eles queriam. Eles não queriam me ajudar, eles queriam uma oportunidade para flertar, para me tocar. Eu estava acostumada com isso. E eu não queria. Eu abri o porta-malas, e peguei tudo o que precisava para trocar o pneu. O macaco, a chave de roda, o estepe. Eu sabia como fazer, meu pai havia me ensinado. Mas eu olhei para as minhas unhas, e me senti uma mulher que tinha que tomar uma decisão. Foi quando uma viatura da PRF encostou. O meu coração se acelerou. E, para o meu desespero, o Lucas, o policial da praça e da academia, estava lá. — Olá, Isabela — ele disse, com um sorriso. — Olá, Lucas — eu respondi, com a voz suave. — O que aconteceu? — ele perguntou, com a voz séria. — O meu pneu furou — eu respondi, com a voz trêmula. — Você sabe trocar? — ele perguntou, com a voz suave. Eu ri. Uma risada que me fez sentir envergonhada. — Eu sei. Mas eu acabei de fazer as minhas unhas. E eu não quero estragá-las — eu respondi, com a voz trêmula. Ele riu. Uma risada que me fez sentir um alívio. — Eu posso te ajudar? — ele perguntou, com a voz suave. Eu assenti. Eu me senti uma mulher que tinha que tomar uma decisão. Eu tinha que confiar. E eu confiei. Ele pegou as ferramentas, e se ajoelhou no chão. Eu o observei, e o meu coração se acelerou. Ele era um homem que exalava perigo, um homem que eu não confiava. Mas o seu sorriso, o seu olhar, me fizeram acreditar que ele era um bom homem. Enquanto ele trocava o pneu, o Agente Barros se aproximou. Ele me olhou e deu um sorriso amistoso. — Boa tarde, mocinha. Tudo certo por aqui? — ele perguntou. — Tudo sim, obrigada — eu respondi, surpresa pela cordialidade. Barros deu um tapinha nas costas de Lucas e se afastou. Lucas terminou de trocar o pneu, e eu me senti uma mulher que tinha que tomar uma decisão. Eu tinha que confiar. E eu confiei. Ele se levantou, e o seu rosto estava sujo, mas o seu sorriso era lindo. — Pronto. Agora você pode ir. Eu o olhei, e o meu coração se encheu de gratidão. — Obrigada, Lucas. Eu… eu não sei como te agradecer. Ele sorriu. — Não precisa. É o meu trabalho. Eu entrei no carro, e a minha mente estava em um turbilhão de emoções. Eu tinha que tomar uma decisão. Eu tinha que confiar. E eu confiei.
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