Capítulo 24

471 Words
Isabela narrando O alarme tocou, mas eu já estava acordada. A ansiedade daquela manhã era como um peso no meu peito, e o sono havia fugido de mim. Era o dia da primeira visita ao meu irmão, Rafael, e a penitenciária nos esperava. Levantei em silêncio, o ar frio da madrugada me dando arrepios. Na cozinha, minha mãe já estava de pé. O cheiro de café forte invadiu a casa, e ela organizava as marmitas. Arroz, feijão, frango assado, tudo que meu irmão mais gostava. Colocamos o bolo de chocolate que eu tinha feito. O silêncio entre nós era a única forma de nos comunicarmos. Nós sabíamos o que nos esperava. Sabíamos o que tínhamos que enfrentar. Eu vesti uma calça jeans escura e uma blusa de algodão simples. Nada de metal ou acessórios, como nos instruíram. O espelho me mostrava uma versão de mim mesma que eu m*l reconhecia. O rosto pálido e os olhos cansados. Me senti uma mulher que tinha que tomar uma decisão. Eu tinha que ser forte. Nós fomos de carro até o presídio. A estrada parecia infinita, e o meu coração acelerava a cada quilômetro que se passava. A penitenciária, com seus muros altos e cinzentos, me fez sentir um arrepio. Uma sensação de que estávamos entrando em um mundo completamente diferente, regido por outras regras. Chegando lá, a cena era forte. A fila era imensa, e o sol já castigava a todos. Era tudo muito organizado, com grades e marcações no chão. Policiais de todos os tipos estavam por toda parte, fiscalizando cada movimento. O murmúrio da multidão era abafado, cheio de tensão e expectativa. A diversidade de pessoas era visível. Havia mulheres com vestidos curtos e maquiagem pesada, as "garotas de programa", que vinham ver os seus clientes. Havia mães e esposas, com os rostos cansados, mas com um olhar de esperança, que vinham ver os seus parentes. E havia eu, com a minha roupa simples, com o meu coração cheio de medo. A fila, apesar de longa, ia se movendo rápido. Parecia que tinham muitos policiais para fazer as revistas, o que era um alívio e um tormento ao mesmo tempo. A minha ansiedade se tornou insuportável quando pensei na vistoria. A revista, que era o procedimento para entrar, era algo que eu nunca havia feito. A minha vida, que antes era uma rotina, agora era um pesadelo. Eu nunca tinha ficado nua na frente de ninguém. Nunca tinha sido tocada. E hoje, a primeira vez, seria de uma forma tão fria e desumana. A tristeza e o nervosismo estavam tomando conta de mim. Aquele momento, que deveria ser um de i********e e entrega, seria um de humilhação e desespero. Mas eu tinha que ver meu irmão. Eu tinha que ser forte. Eu tinha que enfrentar aquele medo e ir em frente.
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