Capítulo 13

761 Words
Lucas narrando A academia era a minha forma de esquecer. A dor do meu corpo me fazia esquecer a dor do meu coração. A dor da traição de Sofia, a dor da mentira, a dor do vazio. Eu entrei na academia, e o cheiro de suor, de borracha e de metal me deu uma sensação de familiaridade. Eu me vesti, e a minha roupa de treino era a minha armadura. Um short tectel preto, e uma camiseta azul que marcava meus músculos. Eu precisava ser forte, e a academia me fazia me sentir forte. Eu comecei a fazer o meu treino, e o som dos pesos caindo no chão, o som das músicas altas, tudo isso me fazia me sentir vivo. Eu estava no meio do meu treino, quando eu a vi. A mulher da praça. Isabela. Ela estava fazendo agachamentos, com uma concentração que eu não via em ninguém. Ela estava com uma roupa que se ajustava perfeitamente ao seu corpo. Um top cinza, e uma legging cinza que marcava cada curva do seu corpo. Os seus cabelos pretos e ondulados estavam presos em um r**o de cavalo, e o suor em sua pele a fazia brilhar. O meu coração se acelerou. Eu me senti um homem traidor, mesmo que eu não tivesse feito nada. Eu tinha acabado de terminar com a minha namorada, e eu estava pensando em outra. Mas a imagem de Sofia me traindo me veio à mente, e eu me senti livre. Eu me senti um homem que podia viver, que podia sentir. Eu a observei por um instante, e ela me viu. Ela me deu um sorriso, e o meu mundo parou. O seu sorriso era lindo, e os seus olhos eram cheios de uma luz que me fez prender a respiração. Eu me aproximei dela, com o meu coração batendo tão forte que eu sentia que ele iria saltar do meu peito. — Olá, Isabela. Pelo menos agora não nos trombamos — eu disse, com um sorriso. Ela riu. Uma risada que me fez sorrir. — Olá, Lucas. O mundo é pequeno, não é? — É. Parece que sim. Nós nos olhamos por um instante, e o silêncio entre nós era pesado, mas não era desconfortável. Era um silêncio de quem se conhece há anos, um silêncio de quem se entende. Eu me senti atraído por ela, mas não era apenas atração física. Era uma atração por quem ela era. Por quem ela parecia ser. — Você está bem? — ela perguntou, com a voz suave. — Sim. E você? — eu perguntei. — Eu estou bem. Só estou tentando esquecer um pouco da minha vida. Eu me calei. Eu entendia. Eu entendia o que ela estava sentindo. Eu estava na mesma situação. A minha vida havia desmoronado, e eu estava tentando me reconstruir. Nesse momento, uma mulher, com o mesmo conjunto de roupa que Isabela, se aproximou. Ela era a amiga de Isabela, e eu me senti um pouco envergonhado. — Olá, eu sou a Lorena. Amiga da Isabela — ela disse, com um sorriso. — Olá, eu sou o Lucas. Prazer — eu respondi. Lorena era bonita, mas o meu olhar se perdeu em Isabela. Ela era a única coisa que importava. — O Lucas foi o policial que me trombou na praça — Isabela disse, com um sorriso. — Ah, então foi você? O homem misterioso que a fez perder a cabeça? — Lorena disse, com uma risada. Eu ri. Eu me senti um homem que havia cometido um erro. Eu me senti um homem que havia traído a confiança de uma mulher. Mas o meu coração me dizia que eu não tinha feito nada de errado. Nós trocamos algumas conversas, e eu me senti mais vivo do que eu havia me sentido em semanas. Isabela era inteligente, engraçada, e me fazia rir. Eu me senti um homem que podia ser feliz. — Bem, eu… eu tenho que ir — ela disse, com a voz suave. — Sim. Eu também — eu respondi. Nós nos despedimos, e eu a observei ir embora. O meu corpo estava em chamas, e a minha mente estava em um turbilhão de emoções. Eu me senti um homem que havia se apaixonado. Eu não sabia o que fazer, não sabia para onde ir. Eu só sabia que a minha vida e a dela estavam conectadas. E, para o meu desespero, eu sabia que a minha vida nunca mais seria a mesma. Eu tinha que lutar. Lutando para ter uma chance com ela. Eu tinha que lutar.
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