Gadernal narrando Sabe quando a realidade dá uma volta tão grande que você até pensa que desmaiou e tá num sonho errado? Foi exatamente isso que eu senti quando ouvi aquela p***a, bem ali, na minha cara: “a musa do carnaval”. A minha mulher. A mãe do meu filho. Musa do carnaval. Botando o cu pra fora na p***a da Sapucaí como se fosse solteira, leve, livre e sem dono. Eu só ouvi meu sangue ferver. Ouvi meus ossos pulsarem. Minha visão embaralhou. E quando eu dei por mim, já tava com a mão no pescoço do presidente daquela desgraça, levantando o homem do chão, enquanto a quadra inteira parava de respirar. O barulho da bateria sumiu. O samba morreu. Só existia o som da minha respiração pesada e o desespero dele. — Eu vou te dar um papo uma vez só, general — eu rosnei, apertando mais —. El

