Livia narrando Eu juro por tudo que é mais sagrado que, se ninguém me segurasse, eu tinha me jogado em cima do Gadernal naquele momento. Mas não pra impedir, pra arrancar ele dali, pra tirar ele de perto daquele homem antes que cometesse um assassinato no meio da quadra lotada. Quando ele voou pra cima do presidente da escola de samba, eu dei um tropeção no meu próprio salto, e só não fui parar lá embaixo porque me agarrei na grade com as duas mãos, sentindo o coração disparar no peito, os olhos arregalados e a garganta seca. Eu achei que o samba tinha acabado. De verdade. Que aquela noite tinha descido ladeira abaixo, que tudo ia terminar com sangue no chão e manchete nos jornais. E naquele instante, eu não queria mais nada além de sumir dali com esse homem. Sumir. Entrar num buraco.

