Caique narrando Depois do show do Galdernal, que quase virou homicídio em plena quadra da escola de samba, a cachorra da minha mulher já tava piscando pra mim com aquele olhar malicioso que ela solta quando quer dar o bote. E eu já sabia: tava na hora de ir embora. — Vambora, mozinho… — ela falou com a voz carregada de veneno e promessa. — Quero receber minha punição… Ela me mordeu o lábio inferior quando falou, com aquele sorrisinho de canto que já me desmonta por dentro, e eu só confirmei com o olhar, porque meu sangue já estava fervendo mais que o tamborim da bateria. Foi aí que o presidente da escola, depois de reestabelecido lá pelos comparsa dele, provavelmente com um copo d’água e umas boas sacudidas pra voltar ao mundo dos vivos, veio mancando até mim, rosto pálido, camisa sua

