A sorte sorriu.

1152 Words
Chloe tinha seguido sua rotina como sempre fazia. Foi para a faculdade e estudou normalmente. Não se preocupou em organizar suas coisas para a mudança. Afinal ela só se mudaria no final de semana. Teria tempo o suficiente para fazer aquilo depois. Ao menos era assim que ela pensava. Assim que chegou na porta de casa após um dia cansativo de estudos. Chloe parou observando suas coisas. Suas roupas estavam no chão, seus livros completamente rasgados. Cada livro ali era importante para ela. Afinal era com eles que ela estudava. Sua mãe sabia disso, por isso mesmo ela rasgou eles completamente. A unica reação de Chloe foi chorar. Não sabia como tinha uma mãe tão r**m quanto àquela. Que tipo de mãe fazia aquilo? Afinal, ela era realmente uma mãe? Chloe engoliu o choro. Por sorte ela tinha ao menos jogado as malas ali. Caso contrário Chloe não teria como carregar suas coisas. O endereço da casa do tal tio estava entre as coisas dela. Depois de organizar tudo nas três malas Chloe seguiu a pé. Não tinha dinheiro para um táxi. Decidiu que no dia seguinte procuraria por um emprego. Não podia viver mais daquele jeito. Precisava de dinheiro, principalmente para livros novos. Estava complicado para ela seguir caminhando com três malas. Foi quando encontrou uma mulher na rua. --- Precisa de ajuda querida? --- Se importa? A mulher sorriu e saiu puxando duas das malas. --- Está se mudando? --- Sim. --- Entendo, por que não pediu um táxi? --- Não tem dinheiro. --- Está precisando de trabalho? --- É o que mais preciso no momento. --- Ótimo, onde eu trabalho há uma vaga. --- Está falando sério? --- Hunrum. Ao menos a sorte estava com ela naquele dia. Não era possível que toda sua vida era feita de azar. Depois de pedir o endereço do local que Jade trabalhava Chloe entrou na casa. Ela tinha encontrado a chave em um vaso de planta. Nem pensou que aquilo poderia ser uma casa de homem. Pensou que todos os homens no mundo eram bagunceiros. Aquilo era realmente bem diferente do que ela tinha imaginado. A casa era tão organizada que ela quase pensou ter se confundido. Não existia uma só molécula de poeira alí. Como tudo aquilo era possível? Seguiu pela casa observando cada detalhe. Quando chegou na cozinha viu uma carta. Estava sobre o balcão. - Arthur. Desculpe não estar presente para recebê-la Chloe. Tive que sair apressado para o trabalho, as vezes estou muito ocupado por conta disso. Não costumo ficar em casa, algum momento esqueço até que tenho uma. A maior parte do tempo vai estar sozinha. Fique a vontade para fazer o que quiser, a casa é sua, tem comida na geladeira. Soube que não sabe cozinhar, preparei sua comida para a semana, e vou continuar fazendo isso sempre. Seu quarto fica na primeira porta do corredor á direita. Não esqueça de se alimentar bem. Nos vemos quando eu não estiver tão atolado de trabalho. - --- Será que ele não tem um celular? Chloe sorriu, ela não odiava cartas. Mas achava que o tio fosse mais evoluído. Guardou a carta na bolsa e foi procurar seu quarto. Levou todas as malas para o quarto. Deitou na cama soltando um suspiro. Estava tão cansada que nem organizaria suas coisas naquela hora. Após um bom tempo na cama foi para o banheiro. Tinha tomado banho pela manhã ainda. Depois de toda aquela caminhada ela precisava. Quando saiu do banheiro ela parou na porta observando os detalhes. O quarto estava pintado com cores neutras. Havia notebook, uma mesa de estudos e... Chloe nem acreditou quando viu livros ali. Todos os livros eram os que ela usava para estudar. Havia até uns que ela queria muito, mas nunca comprou. --- Talvez ter vindo morar aqui no final das contas não foi tão r**m. Ela passou a mão pelos livros com um sorriso no rosto. Nunca tinha estado tão feliz em toda sua vida. Parece que finalmente a sorte estava sorrindo para ela. Deu uma olhada em tudo. Sentiu fome e foi para a cozinha. Abriu a boca em choque quando abriu a geladeira. Era tanta coisa que ela nem sabia o que comer. Não é como se ela nunca tivesse comido nada daquilo. O negócio era que a mãe dificilmente comprava. E as poucas vezes que ela comprou, os namorados dela sempre comia. Um bilhete estava colado na geladeira. --- "Não sabia do que gostava, comprei um pouco de tudo, vou me atentar quando faltar algo, eu dificilmente como em casa, mas agora que tem você, não posso deixá-la passar fome". Seria possível passar fome? Isso é comida para meses. Chloe pegou as coisas que mais gostava. Ela não comia muito, aquilo realmente duraria mais que um mês. Não daria conta de comer tudo aquilo. Se alimentou e limpou a bagunça que fez. Estava em uma casa de outra pessoa. Deveria manter as coisas limpas e organizadas. Assim como encontrou quando entrou ali. Deixou tudo como estava e foi novamente para o quarto. Foi organizar suas coisas, desistiu de deixar pra depois. Colocou as roupas no guarda roupa e os livros jogou em uma sacola. Aqueles não serviam mais. Estavam todos rasgados e sujos. Sua mãe tinha feito um belo trabalho. Tinha poucas coisas para organizar. Não demorou muito até que tudo estivesse em seu lugar. Sorriu para si quando viu como o quarto tinha ficado. Por fim ela se deitou. O dia tinha sido longo. E apesar de nem tudo ter sido como queria. Foi um dia bom, o melhor dia da sua vida. Agora ela só precisava se organizar e viver bem. Algo lhe dizia que seria tranquilo viver ali. Não demorou muito até que estivesse dormindo. Arthur entrou pela porta da sala. Se jogou no sofá, estava cansado. Tinha ficado o dia todo em pé, não tinha mais energia. Nem mesmo se lembrava se tinha comido ou não. As vezes ele se esquecia que era um ser humano e não uma máquina. Fechou os olhos tentando mandar o cansaço pra longe. Ainda tinha que tomar banho e fazer algumas coisas antes de dormir. Abriu os olhos e deu um pulo do sofá. Se lembrou que a sua sobrinha estava ali. Tinha esquecido que agora teria companhia em casa. Passou seus olhos pelo local. Não havia sinal de nenhuma outra pessoa ali. Se encaminhou para a cozinha. Tudo estava exatamente como tinha deixado. --- Será que ela não veio? Tirou a sua dúvida quando abriu a geladeira e viu que os alimentos faltavam. Ela tinha comido, era uma prova de que estava ali. Parece que ter alguém ali não seria tão difícil quanto ele imaginou. Tinha se assustado com a idéia de morar com alguém. Achou que seria complicado, já que nunca tinha morado com outra pessoa. Se enganou, morar com sua sobrinha não seria tão r**m assim.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD