Arthur acordou antes mesmo de o sol aparecer.
Seu dia estava cheio e queria preparar o café da manhã para Chloe antes de sair.
Já que ela estava ali tinha que cuidar bem dela.
Não era como se fosse difícil apenas cozinhar.
Preparou um café da manhã reforçado para ela.
Fez de tudo um pouco por que não sabia do que ela gostava.
Com o tempo ele aprenderia as preferências dela.
Organizou tudo na mesa e saiu de casa.
Aquele seria mais um dia em que chegaria tarde da noite.
Enquanto ele estava saindo Chloe acordava.
Tinha tido uma ótima noite sono.
Se arrumou e organizou sua mochila para ir a faculdade.
Ia passar direto pela cozinha.
Estava acostumada a não ter café da manhã.
Ela parou quando viu a mesa recheada de comida.
--- O que é tudo isso?
Ela analisou tudo.
Aquilo era basicamente tudo que ela gostava de comer.
Ele tinha feito café da manhã para ela?
Não estava acreditando naquilo.
--- "Coma o que gostar, quando eu souber das suas preferências vou fazer tudo que gosta".
Ela sorriu balançando a cabeça em negativa.
Seria possível estar vivendo aquela vida?
Será que ela não estava sonhando?
Tudo aquilo parecia tão surreal.
Ninguém nunca havia cuidado dela tão bem.
E mesmo ele não sabendo do que ela gostava.
Fazia de tudo só para que ela comesse.
Se sentou e comeu o máximo que pôde.
Guardou na geladeira o que podia, e limpou o que estava sujo.
Saiu de casa deixando tudo organizado.
Já era quase fim de tarde e Chloe seguia para o restaurante.
Era o restaurante onde Jade trabalhava.
Assim que chegou no restaurante notou o quanto o lugar era chique.
Mesas estavam distribuídas pelo local.
Pessoas comiam elegantemente.
Ainda bem que ela tinha ido com uma boa roupa.
--- Bem vinda senhorita, precisa de algo?
--- Estou a procura de emprego, alguém disse que esse restaurante precisava.
--- Certo me acompanhe.
Chloe foi levada até uma sala.
A mulher a deixou ali e seguiu para o que fazia.
Ela deu batidas leves na porta.
Entrou assim que foi permitida.
--- Olá senhor.
--- Olá, soube que veio por uma vaga de trabalho.
--- Sim senhor.
--- Alguma experiência?
--- Nenhuma senhor, mas prometo me esforçar.
--- Certo, temos uma vaga de garçonete.
--- Para mim está ótimo.
--- Que bom, então seu trabalho será aos finais de semana, tudo bem pra você?
--- Claro.
Chloe voltou para casa saltitante.
Agora tinha um emprego, sua vida estava melhorando.
E como estava.
Enquanto estava no sofá lendo um livro ela percebeu que estava sozinha.
Ele realmente não tinha mentindo quando disse que não ficava em casa.
--- O que ele faz para estar ocupado o dia inteiro?
Tinha vontade de perguntar a ele mas não faria aquilo.
Não era bom se intrometer na vida alheia.
Ele devia ter um motivo para estar o dia todo fora.
E afinal estava ali de favor.
Não podia agir como se fosse a dona da casa ou algo assim.
Já era um grande sorte estar morando ali.
Não faria nada de errado.
Ficaria ali o máximo de tempo possível.
Ao menos até terminar sua faculdade.
E pensando naquilo ela ainda tinha três anos pela frente.
Se jogou no sofá quando se lembrou daquilo.
Gostava de estudar, mas preferia estar formada.
Fazer o que gosta era o principal objetivo dela.
Desde o começo foi o que ela sempre quis.
Estudar para fazer o que mais gostava.
Nem mesmo sabia de onde tinha surgido sua paixão pela arquitetura.
Ela só gostava especialmente daquela profissão.
Ninguém na família era arquiteto.
A primeira seria ela, e aquela idéia a deixava feliz.
Na verdade ela nem sabia se realmente não havia algum arquiteto na família.
Ela não conhecia a família da mãe, muito menos a do pai.
Nem mesmo o tal tio ela conhecia.
Nunca tinha visto a mãe comentar que tinha irmãos.
Por isso ela achou estranho.
Mas agora não se importava mais com aquilo.
O tio misterioso ao menos era muito bom pra ela.
Desde que vivessem tranquilamente tudo estaria bem.
Ela só precisava seguir as regras da casa dele.
Era fácil já que eles não se viam muito também.
Mas Chloe queria vê-lo.
Queria saber como era o homem que tanto cuidava dela.
A vontade em agradecê-lo por tudo aquilo era grande.
Era tarde da noite e ela foi para a cama.
Precisava dormir, um boa noite de sono era importante.
Logo que ela dormiu Arthur chegou em casa.
Mais uma vez ele se jogou no sofá.
Aquele dia as coisas estavam diferentes.
Antes ele não sentia que havia outra pessoa na casa.
Porém naquele momento ele sentiu.
Espirou o perfume que havia ali.
Não era um perfume doce, era suave.
Tão suave que agradava a seu olfato.
--- Que tipo de perfume ela usa?
Ele não gostava de perfume feminino.
Odiava todo tipo de perfume de mulher.
Achava que todos eram igualmente enjoativos.
Não tinha coragem nem de respirar o ar com um perfume feminino.
Só que aquele perfume...
Aquele era diferente de todos os outros.
Nada era comparado àquele cheiro.
Decidiu que perguntaria a ela depois qual era a marca.
Antes de ir para o quarto ele recebeu uma ligação.
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--- Está me evitando?
--- Estou Evelyn, pare de me ligar, já disse, não tenho mais nada com você, não consegue entender isso?
Arthur ouviu a risada da garota.
Estava cansado de repetir sempre a mesma coisa.
Não sabia mais o que fazer para que ela o deixasse em paz.
--- Não pode terminar comigo, amo você, nunca encontrará alguém que o ame como eu amo.
--- Espero que eu não encontre mesmo, se me procurar novamente aviso ao seu avô, ele não gostará de saber dessa situação.
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Arthur desligou.
Sua vontade era quebrar o celular mas não faria aquilo.
Seu dinheiro era muito suado para estar jogando fora.
Principalmente se o motivo fosse uma garota mimada.
Arthur tinha conhecido Evelyn no seu trabalho.
Era ela uma cliente que se apaixonou e ele tinha gostado dela.
Não sabia como foi possível gostar de uma garota como ela.
Passou anos namorando ela.
E no final descobriu como ela era de verdade.
Talvez ele tinha se cegado ao ver a beleza dela.
Evelyn era bonita, tão linda que parecia uma deusa.
Mas o que tinha de linda tinha de mimada e esnobe.
Ela menosprezava as pessoas.
Sempre queria tudo do jeito dela.
Não importava o que precisasse fazer para que aconteça.
Tudo tinha que ser como ela queria.
Foi nesse processo que Arthur se cansou.
Ele não queria passar toda a sua vida daquela forma.
Com uma mulher mimada do lado.
Que não fazia questão de valorizar o dinheiro dele.
Por isso a decisão de terminar com ela.
E agora ele achava que não tinha tomado decisão melhor.
Estava muito bem sem ela, não voltaria atrás.