Assumindo á Responsabilidade

1621 Words
Isadora Os dias foram passando e não encontramos nenhum outro jeito de conseguir o dinheiro do apartamento de volta. Como a Rebeca afirmou, perderíamos um valor alto por quebra de contrato e os juros do agiota também demandariam um valor que seria impossível de conseguir, dado não termos como fazer nem mesmo algum empréstimo e como também não havia ninguém que pudesse nos ajudar. Havíamos apelado para alguns amigos, os quais sempre estiveram conosco em viagens, frequentando a nossa casa durante festas e se hospedando em nossa casa no litoral, mas todos pareciam ocupados demais com a suas próprias vidas e não podiam ajudar as amigas pobres. A verdade é que, desde que nosso pai faleceu e os boatos sobre ter nos deixado sem dinheiro tinham se espalhado, nossos amigos sumiram e ninguém ficou ao nosso lado. Até mesmo a Cíntia, que foi amiga da Rebeca por anos e sempre estiveram juntas em tudo o que faziam, havia sumido desde o dia em que foram à boate e a Rebeca saiu de lá acompanhada por um completo estranho, que havia até mesmo tirado a sua virgindade. A Rebeca havia tentado por várias vezes falar com a amiga, mas ela tinha até mesmo viajado e não retornava as suas ligações e mensagens. Só nos restava contar uma com a outra, pois ninguém mais nos ajudaria. Quando chegou o dia de entregar o “bem” que foi arrematado no leilão on-line do aplicativo clandestino que a Rebeca se vendeu, eu estava à beira de um colapso nervoso. Pensei em deixar a minha irmã arcar com as consequências de seus atos insanos e, quem sabe dessa vez, ela não aprenderia a lição e não mais se meteria em confusão depois dessa? Mas quando se aproximou o horário estabelecido para que a Rebeca estivesse no local combinado, eu me armei de todo o autocontrole que eu possuía e acabei cedendo às súplicas da minha irmã, ao ver como ela parecia arrasada, já toda pronta para ir ao encontro do destino que ela buscou, ao se envolver em coisas tão pesadas. - Eu irei em seu lugar. – Falei, me enchendo de coragem. Rebeca estava sentada no sofá, do apartamento que alugamos, pois, ainda não havíamos tomado posse do que havia sido comprado por ela, uma vez que eu fui taxativa ao falar que só poderia me mudar depois que estivesse tudo resolvido e ao ver que ela estava entregue às lágrimas, decidi aquilo e fui para o meu quartinho, me preparar. Fui até o meu quarto e me arrumei, de maneira que saí de lá usando um vestido similar ao que ela estava e meu cabelo escovado e caindo em ondas até a base da minha coluna, como ela sempre mantinha o seu e algo que eu não costumava fazer e quando retornei, ela estava andando de um lado para outro da pequena sala. Eu não consegui resistir olhar para a minha irmã se debulhando em lágrimas, pronta para encontrar com um homem que esperava algo dela que ela não mais poderia oferecer. Ela estava usando um vestido preto belíssimo, que deixava à mostra as suas curvas perfeitas, exibindo uma boa mostra de suas pernas torneadas através da f***a que ia da altura da coxa até em baixo, maquiada e linda, como sempre, e eu me vi como se estivesse olhando para um espelho. Nós éramos muito parecidas uma com a outra, mas não éramos idênticas. Eu sempre me vestia de maneira simples, ao contrário da Rebeca, que optava sempre por estar bem vestida e elegante. Hoje, no entanto, eu precisava assumir um papel e comecei pelo traje. Estava vestindo uma personagem e me enchi de autoconfiança para seguir com aquilo até a consumação da situação que foi gerada pela insensatez de Rebeca. Assim que me viu e entendeu o que eu estava disposta a fazer, Rebeca correu até mim e me abraçou fortemente. - Obrigada, irmã. – Falou baixinho junto ao meu ouvido. – Eu te amo... muito, muito, muito! - Eu também te amo. Apesar das suas loucuras. Da sua falta de sensatez. De suas... - Para! – Ela me cortou sorrindo, mas as lágrimas ainda caíam de seus olhos, borrando a sua maquiagem. – Eu sei que tenho muitos defeitos. Me perdoa por ter te colocado nessa maluquice, como você mesma faz questão de repetir? A olhei com amor e vi esse mesmo sentimento sendo retribuído para mim em seu olhar. Nós nos amávamos e eu tinha certeza que a minha irmã também seria capaz de fazer algo tão grandioso assim por mim. Éramos gêmeas e estaríamos sempre uma ao lado da outra. - Vai ficar tudo bem. Isso é o que importa verdadeiramente. – Falei, voltando a abraçá-la e dando um beijo em seus cabelos. – Agora eu preciso que me diga tudo o que tenho que fazer e como será feita essa maluquice! Apesar de a situação ser muito dramática, nós acabamos por cair na gargalhada. O que estava feito, estava feito e agora só nos restava enfrentar as consequências. Rebeca então me explicou que eu só precisava estar no endereço que ela me mandou por mensagem, me passando o nome do iate em que aconteceria o tal “passeio” e me instruindo a ter certeza de que estava no local certo e no horário que havia sido combinado. O que aconteceria comigo após estarmos todos no iate, ficaria a critério do homem que havia dado o maior lance, no valor de dois milhões de dólares, como ela tanto comemorou apenas alguns dias atrás, pois segundo a Cíntia contou para a Rebeca, quando foi com a sua amiga, todas as garotas que participaram tinham ficado em uma mesma sala e que, uma a uma, forma sendo encaminhadas para os quartos, onde os homens já estariam, visto que todos eles desejavam manter a sua identidade em sigilo. Fiquei curiosa por as garotas não terem se constrangido em se expor, e disse aquilo para a minha irmã. - Eu acredito que as garotas se sentiram mais seguras por estarem na companhia uma das outras, tendo em vista que todas fizeram a mesma coisa e nenhuma delas estava em posição de julgar ninguém. - Não sei. — Falei, em dúvida, pois aquela teoria da minha irmã não me convenceu. - Você precisa ir! — Rebeca falou assustada, ao ver que horas já eram. — Tem que estar na marina no horário marcado. Era um dos termos e dizia que em caso de atrasos, poderia ser descontado do valor que eu tenho a receber. Apesar de todo o meu próprio nervosismo, tentei acalmar a Rebeca, pois ela parecia estar a beira de um ataque de nervos e chamei um táxi e em pouco tempo eu estava chegando a marina onde o iate estava ancorado, olhando em torno e constatando que aquele que ela me indicara como sendo o que eu deveria me dirigir, o Antonela, era evidentemente o mais caro, por toda a sua opulência e luxo ostensivo. Fiz tudo exatamente como ela me orientou, e após verificar com um funcionário uniformizado que estava próximo ao iate, este me indicou para onde eu deveria me dirigir e no horário marcado eu estava subindo a rampa que levava ao Antonela. Após me identificar para um dos membros da tripulação, fui levada até uma sala suntuosa, ricamente mobiliada, mas que não me deslumbrou de forma alguma, visto que eu já estava bastante acostumada àquele luxo. Porém, o que realmente me incomodou e achei bastante estranho é que mesmo após vários minutos passados do horário, só havia eu e nenhuma outra garota apareceu durante mais de quarenta minutos que eu aguardei sozinha naquele ambiente. Quando já sentia que o nervosismo estava na estratosfera e ninguém aparecia para me falar nada, notei que alguém se aproximava da sala, mas não era nenhuma outra garota do aplicativo de leilão e, nem tampouco o homem que havia feito o lance. - Pode me acompanhar, por favor? — Uma jovem, que pelo uniforme parecia ser uma camareira, muito bonita, mas com uma expressão antipática e pouco sociável, me chamou. - Claro. — Concordei. Ao levantar, me senti com o corpo toda dolorida, acredito que pela tensão do que estava vivendo naquele momento, mesmo com o sofá sendo bastante confortável e alisei a saia do meu vestido, que era curto demais para o meu gosto e caminhei andando atrás da bela jovem. Ela me levou até um dos conveses do iate, que percebi estar localizado na parte de trás do barco e ao olhar com atenção que havia uma mesa arrumada com velas ao centro, que dava a entender o clima de romantismo totalmente fora da realidade do que iria acontecer naquele barco e sorri com cinismo ao imaginar que o homem desejava quebrar o clima estranho, me “comprando” com um jantar chique. A mesa estava posta com apenas dois lugares e eu poderia concluir que não haveriam outras pessoas além de mim e esse alguém, que supus ser o homem em questão, para o que só poderia ser um jantar. Senti um formigamento de apreensão, pois somente naquele momento, no convés e olhando agora ao meu redor, foi que pude notar que o iate havia saído da marina e que eu estava em uma situação bem diferente da que havia imaginado anteriormente, quando conversava com a Rebeca sobre aquilo. Pelo que eu estava percebendo de toda a situação atual, a partir do pouco que havia visto até então, não haveriam mesmo outras pessoas além de mim, a tripulação e o “homem” e não seria simplesmente entrar em uma cabine qualquer do iate e me entregar para ele. Eu precisaria suportar bem mais que apenas aquilo.
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