Capitulo 5 - Isabelle

2709 Words
Acordei faminta, e em um lugar que achei estranho, ao lado de um cara que é muito bonito, parecia meio doente, sei lá. Andei pela sala que era gigante, um castelo, bem bonito. Paredes em pedra lapidada, cortinas grandes e pesadas para o sol, móveis vitorianos acho. Ouvi uma voz chamando por Isabelle, me virei, era uma moça bonita. — Isabelle, minha rainha, você voltou. – falou. — Quem é você? Onde eu estou? Porque estou morrendo de fome, e você me parece comida? – perguntei meio perdida com a fome que queimava minha garganta. — Minha rainha, não estou entendendo o que quer dizer. – falou a mulher. — É simples, eu não sei quem você é, e estou morrendo de fome, lutando para não morder você, me diga o porquê. – falei. — Levem ele para o quarto dele. – falou com os guardas. — Minha rainha acho que tivemos um problema quando a trouxemos de volta. – falou. — Como me trouxeram de volta? Eu morri? – perguntei. — Infelizmente sim rainha, e acho que voltou como uma vampira, eu não entendo como isso é possível, mais o que importa é que está aqui, vou providenciar alguma comida para a senhora, e a propósito eu sou sua conselheira, me chamo Gisele. – falou. — Seja rápido, estou morrendo de novo. – falei. Sentia um cheiro inebriante, e segui pelas escadas, parei em frente a um quarto, ao abrir a porta, vi o cara da sala novamente, dormia sereno e calmo, me aproximei e o cheiro dele era mais forte, ele me atraia, e eu o queria, não sei de que modo, mais queria. Notei que sua boca sangrava um pouco no canto, e não resisti, passei minha língua no canto de sua boca sentindo o gosto inebriante do seu sangue, eu queria mais, e ia mordê-lo, mais algo me impediu, eu não sei o que, acho que notei como isso era nojento, beber sangue isso não, sai correndo, muito tentada a voltar. Chegando na sala, Gisele entrou trazendo um rapaz bem apessoado, mas nada parecido com o outro. — O que é isso? – perguntei. — Desculpe, minha senhora, mas não tive tempo para lhe trazer outro. – falou. — Eu não estou entendendo. – falei. — Esse é seu jantar. – falou. — O que? Eu não posso fazer isso. – falei chocada, eu não podia m***r alguém. — A senhora não precisa matá-lo e só se alimentar um pouco, e depois eu o curo. – falou. — Eu não posso, ele é só uma criança. – falei. Ele se virou para o rapaz e cortou seu pulso, deixando o sangue escorrer, e seu cheiro entrou em meus pulmões, a fome queimou mais forte, eu não aguentei por muito tempo. Não pude resistir mais, eu avancei faminta e mordi seu braço, o gosto era muito bom, bebi muito e quase o matei, mas Gisele me parou. Depois de amansar a minha fome, Gisele veio me pôr a par de tudo, e sinceramente, não me pareceu que vivi tudo isso, tinha um reino em ruína para cuidar, um protetor que dormia e um irmão desconhecido. Depois de ouvir tudo fui para a varanda. Só tinha silêncio, que era o que eu precisava, fiquei pensando, mas o silêncio foi quebrado por uma voz sedutora atrás de mim. O cara de cheiro perfeito e gosto incrível, e ainda é bonito, ele me chamou e não me dando tempo de responder me beijou, e eu claro retribui, o beijo foi delicioso, conseguia sentir seu gosto, eu iria mais longe só que ele parou, parecia preocupado e me encheu de perguntas, eu lógico fingi que não sabia de nada ainda, e esperei ele me contar tudo novamente. Dimittri é um cara lindo, mas estava muito chato, com o tempo pegava no meu pé, não me deixava tomar da veia, me vigiava, ele estava me sufocando e aquele mundo decadente, todos esperando por mim, eu só quero me divertir, ser rainha é um saco. O monstro que governou esse lugar fugiu antes de eu chegar, mais levou tudo que tinha valor, os livros mais importantes de feitiços que existiam, e sem a bruxa original, ele ia se destruir, adivinha quem é essa bruxa, isso mesmo eu, que não lembro nem de ser bruxa. Pangeia é um mundo novo, mas me encaixo aqui, saber que era uma bruxa vampira não me assustou tanto, mas saber que tinha vivido uma vida humana me chocou, eu não me via como aqueles seres frágeis que Dimittri me mostrou, mas ele me deu certeza. Me falou de meu irmão, que eu não tenho lembrança nenhuma, ter perdido a memória não é legal, entretanto a vida que eu tinha era muito chata, pelo que Dimittri falou. **** Seis meses cercando Dimittri e ele não cedeu, ele tinha muita resistência a mim, e olha que eu tentei muito, entretanto ele sempre vinha com o papinho de que eu tenho que me lembrar primeiro, acho que ele não notou que eu não quero me lembrar. Quando ele finalmente notou que eu não queria responsabilidade, então resolveu me levar para encontrar meu irmão, como se eu me importasse com isso, não faz diferença nenhuma pra mim, não conheço ele. Bateu na minha porta, e me avisou que íamos sair, eu claro me aproveitei, pedi um beijo, e quase o levei pra cama, mas como sempre ele resistiu, e agora ficou mais bravo, acho que exagerei um pouco mesmo, e decidi ir pedir desculpas. Chegando no quarto dele, a porta estava aberta e eu entrei, ele estava no banheiro com a Gisele, estava transando, e isso me irritou demais, ele a dois segundos estava na minha cama e agora era chupado por outra, contra a minha vontade decidi sair do quarto. Voltei pro meu, e peguei tudo o que precisava, eu ia descontar isso na terra, transaria com o primeiro que encontrasse, palavra de bruxa. Sai do meu quarto e segui para o dele, fui chegando e vi a porta ser aberta e ele beijá-la, antes de me ver. — Está atrasado. – falei. Essa cena me irritava demais. Esperei ela ir embora, toda melosa pedindo pra ele ter cuidado, oh que lindo, eu até choraria, se não fosse tão ridículo. — É por isso que não me quer? – perguntei eu queria saber, ele não quis falar sobre o assunto me irritando mais. Virei as costas e sai, não falei mais com ele. Passamos pelo portal, e cheguei ao outro lado, era um lugar com árvores, água e areia, uma praia se não me engano, era realmente linda. — Você fica aqui, tenho que falar com ele antes. Vou até a fazenda dele que fica aqui perto – falou, eu não disse nada. — Você ouviu Isabelle. – gritou. Eu só olhei pra ele, e ele saiu com raiva. Eu ia deixá-lo louco, e a promessa estava de pé, transaria com o primeiro que visse. Fui até a água e molhei meu pé, era morna, sentei-me em uma pedra pra esperar, tirei uma garrafa de uísque da bolsa, não ia vir sem beber de jeito nenhum. Dimittri demorou muito, ouvi um barulho no meio das árvores e fui olhar o que era, Dimittri brigava com um cara muito bonito, tinha uma aura pura, mas muito confusa. Deixa-me explicar, depois que voltei posso ouvir pensamentos e enxergo todas as auras de seres não humanos, e talvez de humanos também. Cheguei mais perto e falei com Dimittri que já estava pronto para atacá-lo, e do nada o cara ficou branco ao me ver, e sua aura começou a brilhar, ele correu até mim me abraçando, eu não entendi nada, olhei para Dimittri, e depois o chamei, queria que ele explicasse do que se tratava. Dimittri me disse que era meu irmão, aí entendi todo o drama, e depois de muita discussão ele resolveu ir conosco para Pangeia, mais que falaria primeiro com alguém. No meio do caminho ouvi novamente seus pensamentos, da primeira vez ele me chamava de monstro, porque eu me alimentava com uma bolsa de sangue, e eu quase perdi meu controle, não sou nenhum monstro, enfim esse pensamento era diferente, ele queria que eu ouvisse. Falava diretamente pra mim, e tenho que confessar que fiquei tocada, ainda não lembrava dele, mais vi sua fé em mim, finalizou com uma frase, que senti vontade na hora de responder mesmo sem saber a resposta. — Sempre e pra sempre. – falei só para ele ouvir, não sabia por que, nem de onde tinha tirado aquela frase mais falei, e seu sorriso aumentou, nesse momento percebi que tínhamos uma ligação, não me sentia irmã dele. Finalmente chegamos naquela porcaria de fazenda, e Christian foi direto falar com a tal que morava com ele, ele era casado e eu nem me lembrava. Demorou para voltar, abriu a porta pra gente, e foi me mostrar onde íamos dormir. — Nós temos só um quarto de hóspedes. – falou. — Não tem importância Dimittri e eu estamos juntos, ele dorme comigo. – falei antes que Dimittri falasse. Ele só me encarou sério, mas não disse nada. — Como quiser. – falou Christian, notei ciúme na voz dele, se nós éramos irmãos, por que o ciúme? Entramos no quarto, e fui direto pra cama, pulei nela e ela era muito boa, Dimittri não disse uma só palavra, estava muito quieto. — Você ficou com raiva, eu posso dormir na sala, se não quiser ficar comigo. – falei. — Não tem importância pra mim onde vou dormir. – falou. — Eu só quero que me diga, mais uma vez, porque você não quer ficar comigo, aí eu paro. – falei levantando-se da cama e indo até ele que estava encostado na mesinha. — Não é que eu não queira Izzy, é que eu não posso, você não vai entender. – falou com tristeza na voz. — Me explica por favor, eu não quero mais ficar longe de você, eu sinto seu cheiro, seu gosto todos os dias desde que eu acordo até a hora que vou dormir, estamos ligados. – falei. — Antes de você me conhecer você foi apaixonada pelo seu irmão, mas não sabiam que eram irmãos, e eu não posso ficar com você sem saber se já esqueceu ele. – falou. — Eu era apaixonada por ele? Isso explica a ligação que senti, e a frase que disse. – falei. — O que disse? – perguntou. — Sempre e pra sempre. – falei. — Você sempre dizia isso, que nunca se separariam, ainda o ama. – falou se virando pra sair. — Dimittri eu não sei o que tínhamos, mas essa que está na sua frente, quer você, desde que acordou sonha com a sua boca, seu cheiro, seu toque e seu gosto, eu não sei mais o que fazer pra você entender isso. – falei. Ele se virou pra mim, me olhando com os olhos cheios de desejo. — Eu não tenho mais forças para resistir a você. – falou. — Não quero que resista, fica comigo? – perguntei. — Sim. – falou, e finalmente eu ganhei, ele ia ser meu. Fui até ele e beijei um beijo doce, que foi ficando mais quente, eu não queria esperar, e quando íamos pra cama ouvi uma batida na porta. — Isabelle, gostaria de falar com você, vou te esperar no estábulo. – falou Christian. — Tô indo – falei. Que cara estraga prazeres. — Vou tomar um banho, te espero – falou, ele não tinha desistido e isso era ótimo. — Está bom. – fui até a porta e ele me chamou. — Izzy, eu não tenho mais estrutura pra ser uma brincadeira sua. – falou, e sua tristeza cortava meu coração. — Você nunca foi brincadeira Dimitri. – falei e sai. Atravessei toda a casa e não vi a tal mulher, acho que estava dormindo sei lá. Cheguei no estábulo, o local estava cheio de animais, Christian estava encostado a uma porteira. — Você quer falar comigo? – perguntei. — Sim, eu queria te olhar a sós, sem ninguém por perto, eu senti tanto a sua falta Isabelle, quando você morreu eu morri junto, todos os dias eu via esse rosto, sentia seus beijos, e sua pele. – falou chegando bem perto e tocando meu rosto. Eu senti uma onda de sentimentos que eu não sabia distinguir, estava tudo meio confuso, tinha certeza de que já tinha sentido aquele toque, mas não era a mesma coisa, eu tinha mudado. — Christian eu não lembro. – falei. — Eu sei, e não estou tentando te forçar a lembrar, só queria um tempo com você, precisava sentir a sua pele de novo, eu te perdi depois de uma briga nossa e nunca me perdoei por não dizer o que eu sentia. – falou. — Então diz agora. – falei, eu queria saber, qual o problema? — Eu te amo, sempre te amei, e não importa se somos irmãos ou não, sempre quis você, o que sinto por você não é só amor de irmão, é mais forte. – falou, eu senti o mesmo, a atração que nos rodeava chegava a ser palpável. — Acho o mesmo, eu não lembro de você, mas sinto que alguma coisa me chama pra você, mesmo te conhecendo só hoje, não sei se é o sangue, ou a carne, mas só tem um jeito de saber. – falei e beijei ele. Que beijo, era como o de Dimittri, só que tinha mais energia, uma atração. — Chega, eu cansei. – falou Dimittri atrás de nós, nesse momento eu queria morrer, estava beijando o meu irmão, na frente do cara que eu queria. — Dimittri espera. – gritei e saí atrás dele. Ele correu até a floresta. — Dimittri por favor – falei. — Por favor, o que? Eu cansei, não conte comigo, seu brinquedo cansou de ser usado. – falou com ódio. — Por que você está dizendo isso? – falei. — Eu sempre estive aqui, sofri sua morte, sacrifiquei minhas memórias, você não sabe o que é esquecer sua família, só para que você ficasse com ele, e mesmo sabendo que são irmãos você ainda brinca com os dois, você é um monstro. – falou. — Nunca te pedi isso. – falei. — Eu tinha esperança de você me amar, mais você só tem olhos pra ele, eu não posso mais viver desse jeito, está deixando o nosso mundo acabar, só porque virou, uma criatura sem coração, aquelas pessoas precisam de você, que você às salve, entretanto você só liga em comer e t*****r com desconhecidos. – falou, não aguentei e bati na cara dele, ele não podia dizer isso, eu nunca tinha ficado com ninguém, só falava que pegava. — Você acabou pra mim. – falou e virou as costas pra sair. — Você não pode fazer isso, não pode me deixar, Dimitri. – gritei. Ele continuou andando então eu surtei, alcancei uma estaca e lancei contra ele, não ia machucá-lo, mas faria ele parar. A estaca perfurou as costas de Dimittri, e ele caiu, eu entrei em desespero, como um vampiro imortal, era facilmente atravessado, minha pele era quase imutável, corri até ele, sem saber o que fazer. — Ai meu deus me desculpa, eu vou te ajudar. – falei. — Isabelle eu não quero morrer, sem te dizer o que eu sinto, sem dizer que eu te amo. Sempre foi você, mesmo na minha vida humana eu sonhava com você, e quando virei vampiro comecei a te procurar, só que cheguei atrasado, me desculpem. – falou. Sua boca espirrava sangue, ele se engasgava. — Eu não vou deixar você morrer, de jeito nenhum, vou te levar daqui e farei um feitiço de restauração. – falei. — Não há tempo meu amor, só me prometa que cuidará do nosso povo, eles precisam que você os ensine, os lidere, você tem todas as respostas dentro de você, é só se concentrar que consegui, eu te amo. – falou fechando os olhos. — Não, não faz isso, não feche os olhos, fica comigo, Dimitri. – gritei. No próximo capítulo teremos Isabelle sendo o que nasceu para ser, uma bruxa.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD