P.O.V - GIULIA
Em um guardanapo de papel eu fui anotando as possíveis regras daquela aberração que jamais se pareceria com um casamento de verdade.
REGRAS DO NOSSO CASAMENTO
1 - Nada de envolvimento emocional.
2 - Cada um terá seu próprio quarto e privacidade será respeitada.
3 - Sexo não está incluso no acordo.
4 - A ajuda financeira será exclusivamente destinada ao tratamento da minha mãe.
5 - Em público, manteremos as aparências de um casal real.
6 - Nenhuma interferência nas decisões pessoais um do outro.
7 - Nenhum dos dois poderá expor o acordo a terceiros.
Na minha cabeça essas regras eram brilhantes! Porém Dante, era um monstro obssessivo!
Claro! Aqui vai a continuação da história do ponto de vista da Giulia, incluindo a lista de regras do casamento arranjado e o momento de tensão entre os dois:
Ponto de vista de Giulia
Enquanto caminhava em direção ao restaurante, meu estômago revirava. Não por fome, mas por tudo o que esse encontro representava. Vender minha liberdade em troca da chance de salvar minha mãe não era exatamente um sonho de infância. Mas aqui estava eu — vestida com o melhor que tinha no armário e com uma pasta nas mãos onde anotei cada regra que tornaria esse casamento suportável. Controlado. Impessoal.
Dante me esperava já sentado, casualmente poderoso, como se estivesse no controle do universo. E, de certo modo, estava. Ele se levantou ao me ver, e por um segundo, eu vacilei. Aqueles olhos escuros, o sorriso que ele sabia dosar com perfeição entre charme e ameaça... tudo nele era perigoso.
— Trouxe as regras? — ele perguntou, divertido, como se estivéssemos prestes a jogar um jogo qualquer.
— Sim. — respondi, seca, sentando à sua frente.
Abri a pasta, tirei uma folha impressa e deslizei na direção dele.
Dante leu em silêncio, com aquele sorrisinho torto no canto da boca, que sempre parecia zombar do mundo. Quando terminou, levantou os olhos e disse:
— Você realmente acha que vai conseguir resistir a mim? Nada de sexo? Sério? - Disse ele debochando.
Revirei os olhos. — Isso aqui é um contrato, Dante. Não um jogo de sedução.
Ele se inclinou sobre a mesa, a voz baixa e quente.
— Você pode ter escrito que sexo não está incluso, mas e se eu quiser mudar esse ponto? E se, em alguma noite, você aparecer na minha porta... precisando de conforto?
— Não vai acontecer. — disse com firmeza, o rosto queimando, não de desejo, mas de raiva. — Isso não faz parte do acordo. Eu não sou uma mulher comprável, por mais que você queira pensar o contrário.
Ele deu uma risada baixa, quase perigosa.
— Não estou tentando comprar você, Giulia. Mas você tem que admitir... há tensão entre nós. E você sente. n**a com os lábios, mas seus olhos não mentem.
Me levantei abruptamente, pegando o guardanapo de volta. — Esse casamento é uma transação, Dante. Só isso. E se você quebrar qualquer uma dessas regras... o acordo termina.
Ele me observou, calado, mas havia algo nos olhos dele. Um desafio. Como se soubesse que o jogo só estava começando — e que, no fundo, eu estava tão envolvida quanto ele.
Mas eu precisava me lembrar: isso era por minha mãe. Não por ele. Não por aqueles olhos. Não por aquele maldito sorriso que parecia saber demais.
Dante era perigoso. E eu... já estava em risco.
Perfeito! Vamos aprofundar a cena mantendo o equilíbrio entre tensão emocional, erotismo e o embate entre os dois. Aqui está a continuação:
A discussão pairava no ar como eletricidade antes da tempestade. Dante recostou-se na cadeira com aquele ar blasé e perigoso, os dedos batendo levemente na taça de vinho, como se estivesse se divertindo.
— Sabe, Giulia... — ele começou, a voz arrastada, com a confiança de quem nunca ouviu um "não" na vida — você escreveu “nada de sexo” com tanta convicção... mas eu fico imaginando se essa decisão foi mesmo racional… ou medo.
Cruzei os braços, firme. — Medo de quê?
Ele inclinou-se para frente, os olhos cravados nos meus como se estivesse lendo meus pensamentos mais íntimos.
Ele parecia se alimentar do meu medo e insegurança, parecia estar se divertindo com a minha falta de jeito enquanto eu bati os pés no chão de puro nervosismo.
— Medo de gostar. De se perder. De ceder. Porque, se eu tivesse a chance, se você me deixasse tocar você do jeito que eu quero... — ele fez uma pausa e, por um segundo, o mundo parou — começaria devagar. Você é do tipo que precisa ser desmontada aos poucos. Primeiro os olhos... você ficaria sem saber para onde olhar. Depois a respiração... que eu ia arrancar com cada beijo entre o seu pescoço e os seus ombros. E quando eu tivesse sua pele toda arrepiada, suas pernas querendo ceder... aí, sim, eu mostraria o que significa ser minha, mesmo que só por uma noite.
Senti um arrepio subir pelas minhas costas, uma onda quente invadir meu estômago. Apertei as coxas instintivamente, querendo apagar o que ele estava acendendo em mim.
Mas ele notou. Claro que notou.
— Está arrepiada, Giulia? E se eu dissesse que sou muito bom a minha boca... Com minha língua e com... Deixa para lá— ele disse num sussurro rouco, como se fosse um segredo entre nós. — Você pode tentar esconder atrás dessa postura de mulher forte, mas o seu corpo já me respondeu antes da sua boca.
Minha voz saiu mais baixa do que eu queria.
— Isso não muda nada. Eu não sou uma das suas conquistas fáceis.
— Eu não quero comprar você. Quero merecer. — ele disse, sério por um instante, me pegando de surpresa. — Mas se você acha mesmo que vai conseguir passar a vida deitada a poucos metros de mim, ouvindo minha respiração do outro lado da parede... sem desejar me deixar entrar... então está se enganando, Giulia.
E ali estava ele de novo, sorrindo como um predador que sabia exatamente o quanto a presa estava tentada.
Eu me levantei, tentando ignorar o calor entre minhas pernas e o nó na garganta. Peguei minha bolsa, jogando os cabelos para o lado com um gesto calculado.
— Boa noite, Dante. Releia as regras. Principalmente a número três.
Ele riu, baixo, com os olhos cravados nos meus quadris enquanto eu me virava.
— Boa noite, minha quase esposa.
E mesmo depois que saí do restaurante, mesmo depois de caminhar por duas quadras tentando esfriar a cabeça, os ecos daquela voz ainda vibravam dentro de mim.
E, pior ainda... meu corpo gritava por algo que minha mente não permitia.