Draco Ela pensa que foi embora. Mas nunca saiu da minha mira. Desde aquele dia na laje, eu não parei de olhar. Não de frente. De longe. Disfarçado entre becos, no alto do barraco do China, do lado da caixa d’água velha. Tem lugar onde a vista é livre. Onde ninguém me vê, mas eu vejo tudo. Vejo ela chegando cedo, cansada. Vejo ela ralando, sorrindo pras crianças, segurando bronca como quem nasceu pra segurar o mundo no braço. E isso me corrói por dentro. Porque eu não devia admirar. Eu devia apagar. Mas não consigo. Não é só o corpo — mesmo sendo. Não é só o rosto — mesmo sendo também. É o que ela provoca quando respira perto. É o que ela arranca de mim quando fala com coragem. Já vi muita mulher nesse morro. As que choram. As que fingem que amam. As que obedecem calada

