Luna Eu devia ter recuado. Devia ter ficado na ONG, com as paredes descascadas e o cheiro de giz. Devia ter ignorado o peso do colar no meu pescoço, o toque frio do pingente de prata batendo no meu peito, a lembrança dele na minha pele. Mas eu não consegui. Porque, por mais que eu tente, eu não consigo soltá-lo. Porque ele não me deixa esquecer. Porque ele já me domina. Quando desci as escadas do prédio naquela noite, os passos rápidos, os ombros tensos, o peito apertado, eu sabia que tava cometendo um erro. Eu sabia que tava me jogando de novo nas mãos dele. Eu sabia que tava me entregando sem chance de volta. Mas, mesmo assim, eu não parei. Porque eu precisava entender. Eu precisava ouvir. Eu precisava confrontá-lo. Eu atravessei as vielas escuras sem olhar pros lados, os

