Draco Ela era o caos que me aquietava. Um paradoxo que me dilacerava sem piedade e, mesmo assim, eu buscava. E agora, pela primeira vez, ela era também a ferida que sangrava por minha culpa. Eu a feri — e isso me doía mais do que qualquer tiro que já tomei nesse morro. Desci do carro e senti o peso da favela pairando sobre meus ombros. O céu da Rocinha era cinza naquela manhã abafada, mas não era o clima que me deixava inquieto. Era ela. Era a verdade que ignorei, a dúvida que permiti crescer dentro de mim alimentada por mentiras do sangue que corre nas minhas veias — meu irmão. Luna. Subi a ladeira com pressa contida, os olhos atentos aos olhares dos becos, aos cumprimentos apressados dos meus homens. Todos percebiam minha tensão, mas ninguém ousava perguntar. Toquei a campainha do a

