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Entre primos, a história de um amor impossível

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Blurb

​Vila das Flores parecia pequena demais para a intensidade que pulsava entre Lúcia e Yvan. Criados sob o mesmo teto de expectativas familiares e laços de sangue, eles descobriram cedo que o afeto que os unia não cabia no rótulo de "primos". Entre olhares furtivos nos corredores da casa da família e o despertar de uma juventude elétrica, nasceu uma paixão que nenhum conselho ou barreira social seria capaz de conter.

​Lúcia, com seus sonhos vibrantes e um futuro promissor, encontrou em Yvan o seu espelho e o seu oposto. Ele, com um carisma que desafiava o perigo e um sorriso que era, ao mesmo tempo, porto e tempestade. O que começou como um segredo de adolescência rapidamente se transformou em um pacto de alma — um amor "quente", absoluto e, para muitos, impossível.

​Mas o que acontece quando o objeto do seu maior desejo é também o início do seu maior abismo?

​Nesta saga que atravessa décadas, acompanhamos a metamorfose de um sentimento que se recusa a morrer. Da doçura das primeiras descobertas à crueza das escolhas adultas, Lúcia nos conduz por um labirinto de emoções onde a lealdade é testada pelo tempo e a paixão é confrontada pela realidade.

​Entre Primos não é apenas uma história sobre o que nos une, mas sobre o que estamos dispostos a perder para não abrir mão de quem amamos. É um convite para mergulhar em uma jornada visceral, onde o primeiro amor deixa marcas que nem a distância, nem o silêncio, são capazes de apagar.

​​Prepare-se para descobrir que, às vezes, o destino guarda caminhos que a razão desconhece.

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Capitulo 1 - Inocência
Lúcia era uma menina de oito anos, de cabelos muito pretos, lisos e com franjinha, que lhe davam o aspecto de uma indiazinha de olhos negros. Ela passava os dias na casa da avó paterna, Hilda, um refúgio onde alimentava a esperança de ver o pai, que se separara de sua mãe e quase não a visitava. Em uma tarde comum, a campainha tocou anunciando a chegada do tio Humberto com os filhos, Yvan e Victor. Yvan era o maior, de dez anos, com cabelos negros caídos sobre os ombros e olhos cor de mel; já Victor tinha nove anos e cabelos claros, curtos, mas lisos e volumosos, olhos de um verde claro. Enquanto os meninos corriam pela casa, a avó ordenava que fossem brincar no corredor. Lúcia os seguia, deliciando-se com o pique-pega e com o calor do abraço de Yvan. No elevador velho, o clima mudava: Victor tentava assustá-la com histórias de bruxas no último andar, fazendo Lúcia esconder o rostinho no peito de Yvan. "Pare com isso, Victor! Não vê que nossa priminha tem medo?", repreendia o mais velho. Naquele tempo, as visitas terminavam com lanches e despedidas sem olhares. Os anos transformaram Lúcia em uma garota bonita, uma morena de cabelos longos até a cintura e estudante do último ano do ensino médio. Típica adolescente dos anos 90, ela acreditava fervorosamente que a queda do Muro de Berlim e as novas tecnologias traziam uma era de liberdade e paz. O sol do fim de tarde batia nas janelas de vidro do jornal La Notícia, onde Lúcia trabalhava como digitadora. Ela cruzou a porta da saída ajustando as alças do seu macacão jeans, sentindo o ar fresco da rua após horas debaixo das luzes fluorescentes. No rosto, o apelido "Pollyanna" não era por acaso; ela carregava um otimismo que transparecia no olhar atento e na confiança quase ingênua que depositava no mundo. Foi quando o viu. Um jovem de ombros largos e postura descontraída bloqueava parcialmente a calçada. O cabelo claro, em um corte surfista que era a marca registrada daquela década, brilhava sob a luz âmbar. Lúcia desacelerou o passo. Antes que pudesse desviar, os olhos dele — de um verde cristalino e magnético — encontraram os dela, percorrendo-a de cima a baixo com uma audácia que a fez parar. — Oi! — Ele disse, com um sorriso de lado que revelava dentes perfeitos. — Me desculpe, mas eu te conheço? Qual o seu nome? A abordagem foi direta, sem espaço para hesitações. Lúcia sentiu o calor subir pelo pescoço. Aquele desconhecido era absurdamente atraente, e a "Pollyanna" dentro dela achou que não haveria m*l nenhum em responder àquele magnetismo. — Me chamo Lúcia — respondeu, tentando manter a voz firme. — Não sei se te conheço... talvez aqui do jornal? O sorriso dele se alargou, transformando-se em uma expressão de surpresa genuína e divertimento. Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — Você é minha prima! — Ele exclamou, como se tivesse acabado de encontrar um tesouro perdido. — Sou eu, Victor! Poxa, Lúcia... como você está linda! Lúcia sentiu o impacto da revelação. Suas memórias buscaram o menino que brincava no elevador e contava histórias de bruxas para assustá-la. Agora, diante dela, não havia mais rastro daquela criança. O que havia era um homem que a devorava com os olhos, sem qualquer disfarce, despertando nela um interesse imediato e perigoso. — Vamos tomar um café? — Victor perguntou, já envolvendo a mão dela com a sua e a conduzindo com uma naturalidade possessiva. — Preciso saber tudo o que você andou fazendo. Lúcia não protestou. Deixou-se levar, sentindo a eletricidade do toque dele, sem saber que aquele seria o início de uma espiral de desejos que mudaria sua vida. Sentou em frente a Victor e observou-o, ele falava sem parar, gesticulando e de vez em quando parava e ficava observando a boca e os olhos de Lucia e falava pra si mesmo: "-como é gata!" Ele queria saber tudo sobre ela, o que estava estudando, onde trabalhava. Descobriram que trabalhavam no mesmo lugar, no Jornal La Noticia. Ele fazia free lance na editoração e ela era digitadora no balcão de anúncios do jornal. Victor queria Lucia de qualquer jeito, ele se tornou um conquistador inveterado. -Prima, você tá muito linda, eu preciso te ver de novo.- disse ele pegando na mão dela. -Podemos marcar algum dia para conversarmos, agora tenho um compromisso. – Lucia disse tirando a mão da mão dele. Ela não queria facilitar muito as coisas, afinal ele era seu primo. Victor estranhou a frieza dela. Pediu a conta e ao se levantarem ele colou seu corpo ao dela e disse em seu ouvido sussurrando: -eu fiz alguma coisa que você não gostou? – e voltou-se para ver o seu rosto e aproximou seus lábios dos lábios de Lúcia. Lucia se estremeceu toda, até o hálito dele era gostoso, ela deu nele um beijo, segurando-o pela nuca e após disse tchau saindo pela porta da cafeteria. Lucia correu o mais que pode morrendo de rir, pensando: - “ele vai pensar que sou maluca”. Rapidamente chegou ao ponto de ônibus e logo seu ônibus apareceu. De dentro do ônibus pode ver Victor chegando ao ponto, correndo e desolado porque não a conseguiu alcançar. Alguns dias se passaram e Victor encontrou Lucia no trabalho, deu-lhe um bilhete onde dizia para “esperar-lhe, pois queria marcar um encontro.” Eles entao combinaram. Neste dia, saíram do trabalho, de mãos dadas. Ela ficou um tanto envergonhada, pois alguns colegas os viram. Pegaram um taxi. -Vamos ao meu apartamento! Ele sorriu, dando um beijo suave em Lucia. Lucia só pensava: “quem tá na chuva é pra molhar”, agora já era... Ao mesmo tempo que ela pensava na família, no que iam dizer se soubessem, mas ela queria curtir o momento...e estava afim de passar um tempo com aquele gato do Victor. Já fazia uns meses que tinha terminado um namoro, que tinha sido traída. Lucia se sentia desejada, ela estava feliz. Ela era independente, já tinha 18 anos, apesar de não ter maioridade. Na epoca a maioridade era com 21 anos, tinha seu salário, sabia o que queria da vida. Estudava. Queria fazer jornalismo, estava no caminho “certo”. Chegaram ao apartamento. Victor dividia com um amigo, que nào estava no momento. Era vazio, sem móveis, No quarto apenas um colchão no chão e uma poltrona desordenada. Ali, entre beijos ofegantes e peças de roupa que caíam, a entrega parecia certa. Victor beijava seus s***s com delicadeza enquanto Lúcia gemia, pronta para recebê-lo. No entanto, em um movimento de vai e vem, ele tentou sem sucesso preenchê-la. A frustração explodiu em um soco no colchão. "Não dá, não consigo! Acho que estou cansado!", exclamou ele, bravo. Lúcia, em um gesto de ternura para não deixá-lo sem graça, abraçou-o por trás e sugeriu um banho. No chuveiro, ela tentou animá-lo com massagens e carinhos, mas não houve resposta. O semblante dele mudou, o encanto se quebrou em gelo. Victor vestiu um roupão e disse que era melhor ela ir embora. Lúcia vestiu sua roupa, chamou um táxi e partiu. Victor não a procurou mais.

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