Para um futuro que talvez eu não veja Letícia As palavras dançavam na folha com o mesmo peso que carregavam no meu peito. Eu tentava manter a mão firme, mas os dedos tremiam. A cada letra escrita, era como se eu me despedisse aos poucos de algo que ainda nem perdi, mas já temia não ter por completo. "Meu neném..." Comecei assim, como se ela já estivesse aqui, como se eu pudesse tocá-la. Como se eu tivesse certeza de que estaria viva quando ela desse os primeiros passos. "Se um dia essa carta chegar até você, é porque alguma coisa deu errado. E eu espero, do fundo do coração, que você nunca precise ler isso." As lágrimas caíram antes da tinta secar. Eu enxugava com o dorso da mão, borrando tudo, mas não parava. Eu precisava deixar algo. Um rastro. Uma lembrança minha. Tinha escrito

