Capítulo 47

739 Words

Letícia O bilhete Aquela manhã parecia igual a tantas outras no morro: o sol já alto penetrando pelas frestas das janelas, o cheiro forte de café vindo da cozinha e o som das crianças brincando na rua, fazendo todo aquele canto parecer um lugar onde, apesar de tudo, a vida insistia em continuar. Eu me agarrava a esses pequenos detalhes, tentando me convencer de que a rotina poderia me proteger, mesmo que só por um instante. Mas o peso no meu peito não me deixava respirar direito. Era uma ansiedade silenciosa, uma sensação que se enroscava no meu estômago e não saía. Senti um calafrio quando olhei para a porta — lá estava, no degrau, um pedaço de papel amarrotado. Algo fora do lugar, que parecia gritar em silêncio. Me aproximei devagar, com as mãos já tremendo. Peguei o bilhete com cuid

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