Letícia O dia amanheceu preguiçoso, com aquele céu acinzentado que deixava tudo mais lento. Ainda na cama, ouvi a respiração do Jonas atrás de mim, calma, quente contra minha nuca. Ele tinha virado hábito. Daqueles que a gente sente falta até quando tenta não sentir. — Tá acordada — ele murmurou, ainda com a voz rouca. — Tô. Desde que você começou a falar dormindo — sorri. — Sério? — “Se encostar nela de novo, eu arranco a língua”, foram suas palavras. — falei rindo. Ele riu baixo, colando o peito nas minhas costas. — Nem dormindo eu consigo parar de te proteger, olha isso. Me virei devagar, ficando de frente pra ele. Os olhos castanhos ainda meio inchados, mas atentos. Passei a mão no rosto dele. — Você não tem que carregar tudo sozinho, Jonas. A gente tá junto nisso. Ele me olh

