Carol Tava quase anoitecendo quando ouvi o portão bater. Achei que fosse Letícia vindo trazer algum mimo de grávida, mas o silêncio do lado de fora me deixou intrigada. Levantei do sofá sem pressa, prendi o cabelo no alto e abri a porta com a chave ainda na mão. Dei de cara com ele. Souza. Mas não era o Souza que eu conhecia — o da bermuda larga, chinelo no pé, blusa regata e boné torto. Era o Felipe Souza de terno e gravata, camisa branca fechada até o último botão, sapato limpo e um buquê de flores nas mãos. Margaridas e girassóis. As minhas preferidas. As que ele nunca ligou de saber. Até hoje. Ele tava nervoso. Dava pra ver pelo jeito que mexia o pé no chão, como se quisesse sair correndo dali. Mas ficou. E me olhou nos olhos. — Eu vim do jeito que você merece — ele disse, baixi

