Letícia Na manhã seguinte, o cheiro de café fresco invadia a casa com uma i********e c***l. Era o mesmo aroma que, um dia, significou aconchego. Agora, era só um lembrete do que se perdeu — e do que ainda poderia ser recuperado. A cozinha era pequena, mas cheia de memórias. Eu lembrava bem dos domingos em que minha mãe fazia bolo escondido, só pra mim e pro meu irmão, quando meu pai ainda estava na rua "resolvendo coisa". Lembrava de quando ela me fazia cafuné em silêncio, como se o toque fosse mais eficaz que qualquer palavra. Mas hoje, entre nós duas, havia apenas um corredor estreito... e o silêncio. Ela estava lá. Sentada à mesa, o cabelo preso em um coque improvisado, vestida com simplicidade, os olhos afundados na xícara de café como se buscassem ali todas as respostas que a vid

