Letícia Desci as escadas com o coração acelerado. A conversa com Luca ainda martelava na minha cabeça. Cada palavra dele ecoava como uma sirene dentro de mim, e cada degrau parecia mais pesado que o anterior. O medo já não me paralisava, mas ainda morava nos cantos do meu corpo, como uma ferida que insiste em não fechar. Quando cheguei à sala, a luz estava baixa. O silêncio era cortado apenas pelo som dos grilos e o leve arrastar do vento nas janelas. Vi meu pai na varanda. Camisa aberta, cigarro entre os dedos, olhar perdido na escuridão como se conseguisse enxergar o mundo todo de cima — ou talvez o passado que ele nunca conseguiu deixar pra trás. — Pai. — chamei, firme, mas com a garganta apertada. Ele se virou devagar. Me encarou com atenção. — Tá tarde, filha. — disse com a voz

