Letícia cresceu no alto do morro, cercada por olhares de respeito e temor. Filha do chefe mais temido da comunidade, sua presença carregava poder — mas também solidão. Enquanto todos a viam como intocável, apenas ela sabia a prisão que era viver dentro daquela casa, cercada por grades invisíveis: o medo, a culpa, a violência de um relacionamento que a quebrava em silêncio.
Ela suportou tudo por amor ao filho. Benício era sua luz, seu fôlego, sua razão. Mas quando ele começou a sofrer também, a força que ela nem sabia que tinha despertou. E Letícia fez o impensável: fugiu. Fugiu do homem que a possuía como se fosse um troféu. Fugiu da violência. Fugiu da própria história.
Mas o destino, c***l e imprevisível, tinha outros planos. E foi no chão gelado de um hospital, com os olhos do filho se apagando, que Letícia sentiu o mundo desabar pela segunda vez.
> “O Papai do Céu falou que já tá quase na minha hora... mas depois eu volto pra ser seu filhinho de novo, tá bom, mamãe?”
Ele foi. E com ele, levou o pedaço mais bonito dela.
Devastada, Letícia só vê uma saída: voltar para o lugar que um dia jurou nunca mais pisar. O morro. Ali, entre muros manchados de sangue e memórias, ela reencontra seu pai — e um velho conhecido que o destino colocou de novo em seu caminho: Jonas.
O garoto marrento com quem cresceu agora é homem. Frio no gatilho, quente no olhar. E mesmo sem dizer uma palavra, Jonas parece enxergar cada ferida que Letícia tenta esconder.
Mas enquanto ela luta para juntar os cacos de si mesma e proteger a nova vida que carrega em segredo, Caio — o homem que ela abandonou — não aceita a perda. E está disposto a tudo para ter de volta o que acredita ser seu.
Entre o peso da culpa e a chance de um novo amor, Letícia precisará escolher qual dos dois corações vai guiar seus próximos passos: o que sangra pelas dores do passado… ou o que pulsa, pela primeira vez, com esperança de futuro.