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A Melhor Amiga de Infância do Traficante

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intro-logo
Blurb

Beatriz e Jhonatan cresceram juntos no PPG e, naquela época, era coisa de criança: juras de amor, plano de casar e o combinado de que o primeiro filho ia se chamar Arthur. Mas a avó da Bia não era boba; viu que o Jhonatan estava entrando para o tráfico e tratou de mandar a neta para longe antes que ela se complicasse junto com ele.O tempo passou, a Bia estudou e virou professora. Agora, aos 30 anos, ela precisa voltar para o morro para cuidar da avó. Só que o cenário mudou. Aquele menino doce ficou no passado: agora o Jhonatan é o dono do morro, o cara que manda em tudo e não brinca em serviço.O choque maior não é nem ver ele de fuzil na mão, mas descobrir que o Jhonatan seguiu a vida, casou e já tem um filho. E o nome do moleque? Arthur. Exatamente o nome que eles escolheram quando não tinham nada.Agora ela está ali, dando aula na comunidade e cruzando com o ex-melhor amigo que virou o chefe da área. O sentimento ainda está lá, mas a vida deles é totalmente diferente. Será que o amor de infância ainda tem vez no meio dessa guerra?

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01
01 — Jhonatan — 9 anos Eu achava que todo mundo passava fome de vez em quando. Sério mesmo. Achava que era normal dormir fingindo que tava sem sono pra barriga parar de roncar. Normal tomar água e deitar rápido pra esquecer que não tinha mistura. Normal ir pra escola com o mesmo chinelo gasto até a sola ficar fina igual papel. Só depois eu fui perceber que não era. Minha vó dizia que eu tinha nascido “acostumado com luta”. Ela falava isso rindo, mas eu sabia que era pra não chorar. A gente morava numa casinha pequena no PPG. Quando chovia, molhava tudo. Tinha goteira no quarto, goteira na cozinha, goteira até perto da televisão velha que pegava só três canais quando a antena queria colaborar. Minha vó trabalhava em faxina. Saía cedo, escuro ainda. Eu fingia que tava dormindo, mas sempre escutava ela andando pela casa devagarzinho pra não me acordar. O barulho da água esquentando no fogão, o chinelo arrastando no chão e depois o portão batendo. Ela voltava morta. Tinha dia que chegava com cheiro forte de água sanitária nas mãos, os dedos tudo enrugado. Às vezes sentava na cadeira da cozinha e ficava quieta olhando pro nada. Cansada num nível que nem conseguia falar. E eu odiava aquilo. Odiava mais ainda quando ela me levava pras casas onde fazia faxina porque não tinha com quem me deixar. As mulheres falavam com ela igual ela fosse cachorro: — Limpa direito aquele banheiro ali. — Não esquece de lavar atrás da geladeira. — Sua mão tá suja, hein? Teve uma vez que uma madame mandou minha vó comer na área de serviço. Na área de serviço. Enquanto a mesa da casa tava cheia de comida. Eu lembro da minha vó sorrindo sem graça e dizendo: — Imagina, patroa… tá tudo bem. Mas não tava. Eu tinha vontade de pegar tudo daquela casa e quebrar. Eu era pequeno, mas já entendia quando alguém tava humilhando ela. E minha vó aceitava tudo calada porque precisava do dinheiro. Precisava pagar luz atrasada. Precisava comprar arroz. Precisava me criar. Porque meus pais não serviam pra nada. Minha mãe era viciada em crack. Meu pai também. Eu quase não lembro dele direito. Só de um cheiro r**m de cigarro e de uns olhos vermelhos que me davam medo. Minha mãe eu lembro mais. Lembro dela me deixando sozinho. Lembro de chorar de fome. Lembro dela prometendo que ia voltar “já já” e sumindo o dia inteiro. Minha vó fala que me tirou dela quando eu tinha cinco anos. Disse que me encontrou sozinho dentro de casa, sem comida, sujo, com febre. Minha mãe tava na rua usando droga fazia dois dias. Às vezes eu perguntava: — Minha mãe me ama? E minha vó sempre respondia: — Ama do jeito dela. Mas eu nunca entendi que jeito era esse. Porque quem ama não abandona. Eu via as outras crianças chegando na escola com mochila nova, tênis limpo, lanche… e eu ali, com uniforme doado, short maior que minhas pernas e um chinelo velho fazendo “ploc ploc” no corredor. Tinha garoto que ria: — Ih, olha o chinelo do Jhonatan! Eu ria junto às vezes. Fingindo que não ligava. Mas ligava. Ligava pra c*****o. Eu tinha ódio de ser pobre. Ódio de depender dos outros. Ódio de ver minha vó cansada. Ódio de ouvir ela chorando baixinho de madrugada pensando que eu tava dormindo. A única coisa boa daquela época era a Bia. Beatriz. Ela morava perto da minha casa e era minha melhor amiga desde sempre. Diferente das outras crianças, ela nunca riu das minhas roupas, nunca ligou pro meu chinelo rasgado. Quando a vó dela fazia bolo, ela escondia pedaço pra levar pra mim. Quando ganhava brinquedo novo, me chamava pra brincar. Quando eu tava triste, ela percebia mesmo sem eu falar nada. A Bia me fazia esquecer que a vida era r**m. Naquela manhã, eu nem liguei de ter acordado com o pé no chão frio ou de ter tomado só um gole de café puro. O que importava era o peso nas minhas costas. Minha vó tinha voltado do trabalho no dia anterior com um "presente": uma mochila de super-herói. Tava meio desbotada, o zíper dava umas travadas, mas pra mim era a coisa mais f**a do mundo. Pela primeira vez, eu não tava carregando os livros numa sacola de mercado ou naquela mochila rasgada que tinha ganhado de doação. Eu tinha uma mochila de herói. Entrei no pátio com o peito estufado, achando que estava por cima, que ninguém ia reparar no resto. Mas aí o barulho começou. Ploc. Ploc. Arrast. Toda vez que eu dava um passo, o prego que minha vó colocou por baixo pra segurar a tira do meu chinelo arrebentado arranhava o chão. Eu tentava andar sem tirar o pé do piso pra não fazer barulho, mas não tinha jeito. — Ih, olha lá o Homem de Ferro do morro! — o Tiago, um moleque que vivia com tênis de marca, gritou lá do fundo do corredor. Eu parei na hora. O sorriso que eu tinha guardado sumiu. — Que isso, Jhonatan? Tá pregado no chão, é? — outro moleque começou a rir. — O cara tá andando e tá saindo faísca do chinelo! Eles cercaram. Eu queria sumir. Olhei pra baixo e vi o prego torto atravessado na borracha suja do meu chinelo. Vi minha calça, que já tava com a cor desbotada, velha de tanto ser lavada e curta demais, deixando minha canela russa aparecendo. — E essa mochila aí? — o Tiago chegou perto, puxando a alça. — Essa aí não é a que a Dona Sônia tava vendendo no brechó da igreja por cinco reais? Minha mãe viu lá. Tá até com o nome de outro moleque riscado aqui dentro, ó! Ele virou a mochila e mostrou pro resto da turma. Onde tinha o desenho do herói, tinha um r***o pequeno que eu nem tinha notado de tanta alegria que senti quando ganhei da minha vó. — Mochila de segunda mão, calça velha e chinelo de prego — o Tiago debochou, e a roda de gente em volta explodiu na risada. — Tu é muito mendigo, Jhonatan. O ódio subiu quente, queimando minha garganta. Eu lembrei do rosto da minha vó ontem à noite, cansada da faxina, me entregando aquela mochila toda feliz porque tinha conseguido comprar uma coisa de herói pra mim. Aqueles moleques filhinhos de papai não sabiam de nada. Eles não tinham o direito de rir do suor da minha vó. A vergonha virou uma fúria cega. Eu não aguentei. Larguei a mochila no chão e, sem falar nada, voei na direção do Tiago. Dei um soco com toda a minha força bem no meio da cara dele. O moleque voou para trás, batendo as costas nos armários, com o nariz jorrando sangue. Os outros dois que tavam rindo tentaram vir pra cima, mas eu tava com o bicho no corpo. O ódio de passar fome, o ódio de ver minha vó sendo humilhada em patrão, o ódio daquela escola inteira saiu tudo ali. Peguei o segundo moleque pelo colarinho da blusa e rachei a cabeça dele na parede. O terceiro tentou me chutar, mas eu desviei, rastejei ele no chão e comecei a dar soco na cara dele, um atrás do outro, sem parar, com a mão já ardendo e suja de sangue deles. — Cospe no meu chinelo agora! Fala da minha vó de novo! Fala da minha mochila, desgraçado! — eu gritava, completamente descontrolado, batendo em quem ficasse na minha frente. O pátio virou um inferno. Todo mundo gritando, os moleques chorando no chão, sangrando, e eu por cima deles, com o peito subindo e descendo, pronto pra quebrar mais um. Naquele momento, eu não era mais o Jhonatan humilhado. Eu era o Pezão que ninguém ia pisar em cima. Lá no fundo da roda, eu vi a Bia. Ela tava com a mão na boca, assustada com a violência, olhando pra mim com os olhos cheios de lágrimas. Foi só quando eu olhei pra ela que eu parei de bater.

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