1° O Herdeiro Forjado No Caos
A notícia chegou antes do amanhecer,
Heitor, aos 25 anos, ainda estava sentado no escritório do pai, revisando relatórios que nunca deveriam ter chegado às suas mãos tão cedo, o relógio marcava 4h17 quando a porta foi aberta com violência e dois dos homens de confiança de Dom Álvaro entraram pálidos, feridos e carregando uma culpa que nenhum deles conseguia disfarçar.
— Heitor, o chefe... ele não voltou. — murmurou Matteo, a voz embargada.
O mundo de Heitor parou.
— Como assim não voltou? — ele se levantou, a expressão dura, tentando se agarrar a qualquer possibilidade de que aquilo fosse um m*l-entendido.
— Foi uma emboscada, a missão falhou, seu pai... não resistiu.
Silêncio.
Pesado.
Cortante.
Heitor fechou os olhos por um instante apenas o suficiente para sentir o peso de toda a sua vida desabar.
Ele sempre soube que esse dia chegaria, ninguém na máfia vive para sempre, mas nunca imaginou que seria tão cedo, tão brutal, tão definitivo.
Quando abriu os olhos novamente, já não era apenas Heitor.
Era o novo Dom.
— A partir de agora — sua voz saiu firme, gelada — ninguém age sem minha ordem, quero nomes, quero informações e quero todos os homens reunidos ao amanhecer.
Os dois assentiram e saíram rapidamente, aliviados por ver que o herdeiro não havia quebrado pelo menos não por fora, mas dentro dele?
O caos rugia.
Antes de qualquer decisão, Heitor precisava enfrentar outra batalha: sua mãe, Rita, era uma mulher forte, implacável e amargurada pela vida, já havia visto sangue demais, mortes demais, traições demais e a única coisa que ainda mantinha seus pés firmes no mundo era o marido que agora foi morto.
Quando Heitor entrou na mansão, ainda com o sangue do pai, manchando a gola da camisa que ele segurava, Rita se virou lentamente o olhar dela era de pura fúria.
— Eu avisei. — ela cuspiu, caminhando até ele. — Avisei que aquela missão era armadilha! Ele não me ouviu, e agora você vem me dizer que eu perdi meu marido?
Heitor respirou fundo.
Ele queria abraçá-la.
Mas Rita não era uma mulher que se deixava consolar.
— Mãe… eu sinto muito, mas agora.
— Agora nada! — ela gritou, empurrando o peito dele com força. — O império do seu pai está em pedaços! E você acha que vai simplesmente ocupar o lugar dele?
O olhar de Heitor endureceu.
— Não, eu não acho, eu vou assumir é meu dever é o que ele me treinou para fazer e a senhora sabe que não tenho escolha ou eu faço isso ou qualquer outro da máfia vai se apoderar do que meu pai lutou para construir.
Rita o encarou, olhos marejados algo raro, quase impossível de ver.
— Heitor… meu filho… essa vida vai destruir você.
Ele se aproximou, tocando levemente o ombro dela.
— Então eu espero que a senhora esteja ao meu lado quando isso acontecer, espero receber as honras de dom da senhora e não de um dos anciões.
Rita desviou o olhar, engolindo a dor.
— Sempre estarei, mas não por você e sim por ele, seu pai nunca me perdoaria se não estivesse lá, para lhe dar as honras e o brasão da família.
Heitor assentiu, era o máximo que receberia dela, e isso já era o suficiente.
O NASCIMENTO DO NOVO DONO DO IMPÉRIO
Ao amanhecer, todos os homens estavam reunidos no salão principal.
Heitor desceu as escadas com a postura de um líder, o olhar frio, a presença imponente.
Os murmúrios cessaram.
— Dom Álvaro está morto. — disse, sem rodeios. — A partir de hoje, eu assumo tudo e prometo que o nome dele jamais será esquecido.
E enquanto todos se ajoelhavam em respeito, Rita observava do topo da escada, uma rainha ferida, silenciosa, mas perigosa.
Heitor sentia dentro de si o início de algo que nunca mais poderia ser interrompido.
A guerra estava só começando.
O sol começou a se pôr no horizonte, tingindo o céu de tons vermelhos como se a própria natureza soubesse que uma lenda havia caído,
a cerimônia foi realizada no antigo galpão de armas que Dom Álvaro mandou construir há vinte anos, um lugar fechado, protegido, onde apenas os mais leais tinham permissão para entrar.
E naquela noite, todos estavam lá, o corpo de Dom Álvaro repousava dentro de um caixão simples e escuro, adornado apenas com o símbolo da família, uma serpente cercando uma rosa, nada de ouro, nada de exageros, ele sempre dizia que grandeza não se mostrava, se impunha.
Heitor permaneceu imóvel diante do corpo do pai.
Os olhos firmes.
A expressão fechada.
Mas por dentro, ele era um furacão.
Rita estava ao lado do filho, vestida de preto dos pés à cabeça, o olhar dela, porém, parecia carregar cem anos de dor.
Quando o sacerdote da máfia terminou as palavras de despedida, Heitor deu um passo à frente.
Respirou fundo.
Tocou o caixão pela última vez.
— Eu prometo — sua voz saiu baixa, porém poderosa — que o seu legado não será esquecido, o senhor me ensinou tudo o que sei e eu vou honrar cada palavra sua.— Ele ergueu os olhos, fitando todos os presentes.
— Juro que sua morte não será em vão.
Com um gesto sutil de Heitor, dois homens puxaram as alavancas.
O fogo acendeu com violência dentro da câmara.
As chamas laranjas e azuis começaram a devorar o caixão lentamente, enquanto o calor tomava o ambiente.
Rita apertou a mão do filho, mesmo que ele não tivesse pedido.
Era a primeira vez desde a morte de Álvaro que ela permitia qualquer contato.
Heitor não tirou os olhos do fogo.
Aquele era o momento em que ele deixava de ser apenas o filho de Dom Álvaro…
E se tornava o sucessor o novo dom de toda máfia
Poucas horas depois, o grande salão da mansão estava iluminado apenas por velas, o clima era pesado, solene, quase ritualístico, os anciões, as famílias aliadas, os principais capos, os generais das rotas e cada homem sob o comando da organização aguardavam em silêncio.
No centro do salão, havia um trono antigo uma relíquia da família, usado por todos os chefes que governaram antes.
Rita entrou primeiro, caminhando até o lado do trono, ela ergueu o queixo, tentando manter a postura, mas seus olhos denunciavam o conflito interno.
Então, as portas se abriram novamente.
Heitor entrou.
Vestia um terno preto impecável, a gravata escura e o broche da família preso na lapela, os ombros largos, a postura firme, o olhar frio, ele parecia mais perigoso naquele instante do que seu pai jamais foi.
Todos se ajoelharam.
O salão inteiro curvou-se diante dele.
Heitor caminhou até o trono e ficou parado de frente para Rita.
Ela segurava um anel grande, pesado, com o brasão da serpente e da rosa o selo do chefe, a marca do rei.
Rita ergueu o anel e encarou o filho.
Sua voz oscilou entre orgulho e dor:
— Heitor Álvaro de Serafine…Herdeiro do sangue, detentor do direito, moldado para governar desde o primeiro dia… Que sua mão seja firme… Que seu coração não se perca… E que os mortos o guiem quando os vivos tentarem te derrubar.
Heitor a observava intensamente.
Ele sabia que, naquele momento, a mãe estava entregando não apenas um símbolo…
Mas o destino dele inteiro.
Rita colocou o anel na mão direita do filho.
O impacto foi imediato.
Os capos bateram o punho no peito.
Os homens gritaram em reverência.
As velas tremeluziram com o poder daquele nome:
— SALVE O NOVO DOM! SALVE O REI!
Heitor virou-se lentamente e sentou-se no trono.
O novo rei da máfia.
O homem que governaria com ferro, sangue e inteligência.
Rita permaneceu ao seu lado, firme, mas o olhar dela denunciava o coração em guerra:
Ela estava vendo o filho se transformar em algo que sempre temeu.
Mas, ao mesmo tempo…
Sabia que, se ele não assumisse, todo o império do marido cairia.
Heitor respirou fundo e ergueu o olhar.
— A partir de agora… — disse, a voz grave e afiada — quem erguer um dedo contra minha família, erguerá contra mim. E eu prometo… ninguém sobreviverá a isso.
E assim, sob as cinzas do pai ainda quentes, nasceu o novo rei.