6° O Casamento

1598 Words
O sol m*l havia nascido quando bateram na porta do quarto de Gabriela. — Senhorita, está na hora… Ela abriu os olhos cansados, o coração pesando como pedra no peito, em poucos minutos, cabeleireiras, maquiadoras e costureiras tomaram seu quarto, como se o próprio destino tivesse invadido sua privacidade, enquanto penteavam seus cabelos negros, Gabriela ainda tentava aceitar a realidade, ela ia se casar, com um homem que nunca tinha visto, ela saiu de seus pensamentos com a empregada falando. — Senhorita, há uma visita esperando na sala. — avisou uma das empregadas. Gabriela franziu a testa. — Quem…? Mas nem teve tempo de terminar. Rita entrou no quarto com passos suaves e um sorriso acolhedor. — Gabriela, minha querida… — disse com delicadeza. — Eu precisava conhecer minha nora antes da cerimônia. Gabriela ficou surpresa. A mulher era elegante, com olhos marcados pela dor, mas também por uma força que só as mães carregam, quando ela a viu só veio uma coisa em sua mente uma pergunta. — Dom Heitor é… um bom homem? — a garota perguntou, hesitante. Rita se aproximou, segurando suas mãos. — Ele é o homem que o mundo o obrigou a ser, — disse com ternura. — Assim como eu fui obrigada a me casar com o pai dele… eu o conheci no altar, no início, eu o temi, depois, o respeitei e, com o tempo… aprendi a amá-lo. Gabriela mordeu o lábio, sentindo o peito apertar. — Eu não sei nada sobre Heitor… — confessou, a voz pequena. — O que ele gosta… como fala… como olha eu só sei que ele é o Don. Rita acariciou seus cabelos. — Heitor é duro por fora… mas eu sei que ainda tem um coração bom dentro dele. — tocou o próprio peito. — Conviva com ele, Gabriela, seja firme, seja gentil, ele aprenderá a respeitá-la, e você pode, quem sabe, encontrar sua felicidade. A garota assentiu, mas por dentro estava em pedaços. Como ela podia ser feliz com um homem que nunca viu… e que tomou sua vida com uma ordem? Mesmo assim, forçou um sorriso. — Obrigada, dona Rita. Rita sorriu de volta. — Você vai ser uma nora maravilhosa, é uma garota de muita sorte. Gabriela baixou o olhar, sem coragem de responder. Sorte não era a palavra que ela usaria. Horas depois, Gabriela estava pronta, seu vestido era leve, branco como lua, com renda delicada que abraçava sua cintura fina, seu cabelo n***o estava preso em um coque clássico, deixando o pescoço exposto e elegante, quando se olhou no espelho, pensou: “Eu pareço uma noiva… Mas não me sinto uma.” Seu pai entrou no quarto e ficou sem palavras por alguns segundos. — Você está linda, minha filha. — disse com voz embargada. — Me desculpe por tudo isso… Ela respirou fundo, segurando o braço dele. — Vamos, pai, antes que eu perca a coragem. A porta do salão se abriu. E lá estava ele. Heitor. O Don. O homem que mudaria sua vida para sempre, ele era mais alto do que ela imaginava, ombros largos, postura impecável, os cabelos escuros penteados para trás revelavam um rosto firme, de traços marcantes, os olhos negros eram profundos… mas havia algo neles que ela não conseguia decifrar, mas acima de tudo ele era lindo muito lindo. Quando Gabriela entrou, todos os homens presentes soldados, aliados, anciões se levantaram. Heitor a encarou de cima a baixo. Não sorriu. Não demonstrou surpresa. Mas seus olhos escureceram ainda mais, como se algo dentro dele tivesse despertado. Samuel parou diante dele com a filha ao lado. — Don Heitor… entrego minha filha para ser sua esposa, cuide bem dela é tudo o que tenho. Heitor assentiu, curto, firme. — Eu cuidarei dela. — a voz dele era baixa, intensa. — Como minha esposa e como primeira-dama da máfia. Gabriela sentiu um frio percorrer seu corpo inteiro. O padre iniciou a cerimônia tradicional: — Estamos aqui para unir estas duas almas… As palavras ecoavam pela sala, mas Gabriela m*l ouvia. A respiração dela estava presa no peito. Heitor, ao seu lado, era uma muralha firme, inquebrável, impossível de ignorar. Quando o padre pediu que trocassem votos, Heitor pegou sua mão, grande e quente, ela quase recuou, mas não podia. — Eu, Heitor Álvaro de Serafine, prometo proteger esta mulher, honrá-la e mantê-la ao meu lado… — ele recitou sem hesitar. Gabriela gaguejou levemente. — Eu Gabriela Costa… prometo ser fiel, honrar e apoiar meu marido… Sua voz quase desapareceu na metade, mas Heitor segurou sua mão com mais firmeza. Não apertou. Não machucou. Apenas… sustentou. Como quem diz sem palavras: fale, é sua vez, assim que terminaram o padre se retirou. O ancião da máfia se aproximou com um punhal prateado. — Agora, o juramento sagrado. O pacto que une não só marido e mulher, mas o Don e sua primeira-dama à máfia. Gabriela engoliu duro. Heitor estendeu o braço sem pensar. O ancião fez um pequeno corte o sangue escorreu. Depois, olhou para ela. — Dê-me sua mão, menina. Gabriela estremeceu, mas levantou o braço, o corte veio leve, mas doeu mais na alma do que na pele. O ancião uniu as duas mãos ensanguentadas. — Jurem. — Prometo lealdade à máfia e ao meu marido. — Gabriela sussurrou. Heitor falou firme: — Prometo lealdade, proteção e sangue à minha esposa e ao meu império, eté meu último suspiro. O ancião declarou: — O sangue uniu, o destino selou. Estão casados diante da máfia… e diante da morte, pois o mesmo sangue que os uniu só ele separará. Gabriela respirou fundo. Heitor olhou para ela. E naquele instante, pela primeira vez… Gabriela sentiu que estava presa para sempre, mas preso também estava ele, ligado a ela por algo que nem os dois entendiam. A festa estava grandiosa, exatamente como se esperava do casamento de um Dom, o salão principal estava iluminado por lustres dourados, mesas repletas de vinhos raros e comidas caras, membros da máfia, aliados e famílias importantes se aproximavam para parabenizar o casal. Gabriela mantinha o sorriso educado que treinou por anos, mas seus dedos tremiam levemente ao segurar o buquê, ela não conhecia ninguém, e cada cumprimento era uma avalanche de nomes, olhares avaliadores e palavras que ela não sabia se eram sinceras ou apenas medo disfarçado. Heitor, ao lado dela, permanecia em silêncio, postura firme, rosto fechado, não demonstrando nenhuma emoção, ele apenas inclinava a cabeça quando alguém o cumprimentava, era impossível adivinhar o que ele pensava, em certo momento, quando uma senhora se afastou após beijar sua mão, Gabriela respirou fundo e murmurou: — Eles… são muitos. Heitor olhou para ela pela primeira vez desde que tinham chegado ao altar. — Agora cada um deles são sua família também. Sua voz era firme, sem espaço para discussão. Gabriela engoliu seco. Depois de quase duas horas, cumprimentando pessoas que ela jamais viu antes, Gabriela estava exausta, Heitor parecia perceber ou talvez só estivesse tão cansado quanto e fez um sinal para Matteo. — Vamos embora — ordenou. Matteo abriu caminho até a saída,Samuel abraçou a filha antes que ela entrasse no carro, segurando seu rosto com cuidado. — Você vai ficar bem… Ele é duro, mas não é um monstro e eu estarei aqui sempre, minha filha. Gabriela tentou sorrir, mas seus olhos brilhavam. — Eu… eu vou tentar, papai. Heitor observava a cena sem emoção aparente, mas não apressou o momento, quando ela entrou no carro, o coração estava acelerado a verdade bateu nela com força: não havia mais volta. A mansão de Heitor era enorme, silenciosa e imponente, o caminho até a suíte parecia interminável; o eco dos passos dela misturava-se ao som constante do próprio coração. Quando chegaram ao quarto, Matteo deixou a mala dela e se retirou rapidamente. A porta fechou. Gabriela sentiu um arrepio percorrer a espinha, Heitor tirou o paletó devagar, afrouxou a gravata e a encarou, finalmente… como um homem prestes a consumar o casamento. Ela engoliu em seco, os dedos apertando o vestido branco. — Eu sei o que é esperado de nós hoje… — sua voz saiu fraca. — E eu tenho medo. Heitor deu alguns passos até ficar diante dela, ele era mais alto, mais forte, mais intenso do que imaginava. — Não vou mentir para você, Gabriela — disse, a voz baixa, controlada. — A máfia exige prova da consumação, o lenço precisa de sangue amanhã. Ela fechou os olhos, o pânico subindo novamente. Ele respirou fundo. — Mas eu não vou machucar você mais do que o necessário, vou tentar ser gentil… o máximo que eu puder. Os olhos dela se encheram de lágrimas. — Eu nunca… nunca estive com ninguém. Heitor levantou sua mão e, pela primeira vez, tocou nela com cuidado bem diferente da frieza que demonstrou o dia inteiro. — Eu sei, e é exatamente por isso que vou ir devagar. Sua voz continuava firme, mas havia algo novo ali, um traço de respeito. Gabriela sentiu o ar preso nos pulmões, não era amor, nem afeto, mas era menos aterrorizante do que imaginava. — Tudo o que eu fizer, você pode dizer se está doendo, se está com medo, eu não sou um estranho c***l, Gabriela, sou seu marido agora, e vou cuidar disso. Uma lágrima desceu silenciosa. Heitor aproximou o rosto do dela. — Hoje você não está sozinha, eu não sou um monstro. E então, com cuidado, muito mais do que alguém imaginaria vindo de um Dom ele tocou o ombro dela, preparando-a para a noite que mudaria sua vida para sempre.
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