Eu ajustei o cinto de segurança enquanto o carro deslizava suavemente pela estrada. Olhei para Elay, sentado ao meu lado, com um sorriso enigmático.
— Você sabe o que esperar dessa noite?— Perguntei, tentando esconder minha ansiedade.
— Pouco. Mas estou preparado para qualquer coisa. — Ele deu de ombros enquanto dirigia.
— Pode me explicar como será o plano?
— Simples, distraia ele. Somente isso.
— Só distrair ele? — Levantei uma sobrancelha.
— Foi o que eu acabei de dizer, não é? — Respondeu rude me fazendo revirar os olhos.
Nosso destino era a mansão de Julian Blackwood, um homem rico e influente. O jantar seria o meu primeiro contato com o mundo misterioso que estava prestes a entrar.
Pensei na loucura que fiz sem pensar direito, aceitei trabalhar com algo que eu nem sequer estava por dentro do assunto. A ideia era tentadora, mas a falta de detalhes me deixava insegura.
Olhei para fora da janela, vendo a cidade dar lugar a áreas arborizadas e casas luxuosas. O carro parou em frente a uma porta de ferro forjado, que se abriu com um zumbido suave.
— Chegamos. — Elay avisou assim que paramos em frente à mansão.
Eu estava confiante, ia ficar tudo bem. Se fosse algo muito r**m, Elay não estaria me acompanhando, até porque eu estou mais acompanhando ele do que ele está me acompanhando.
— Vamos? — Elay me ofereceu o braço.
Respirei fundo e aceitei. Juntos, descemos do carro e entramos em um mundo de mistérios e incertezas. A noite prometia ser longa e reveladora.
À medida que descíamos do carro, a luz suave do crepúsculo realçava nossa elegância. Eu usei um vestido longo, de seda preta, modelo corset, que realçava minha silhueta. O decote profundo e a saia fendida até a coxa revelavam um toque de ousadia. Meus cabelos, penteados em ondas suaves, caíam sobre meus ombros como uma cascata noturna. Os saltos altos faziam meu olhar confiante.
Elay, ao meu lado, estava imponente em seu terno preto, cortado perfeitamente, que destacava sua musculatura. A camisa branca, aberta no pescoço, revelava um toque de sensualidade. Seus olhos brilhavam com confiança.
Caminhamos até a porta da mansão, com passos firmes e seguros. A campainha ressoou suavemente sob meus dedos. A porta se abriu, revelando um mordomo impecável.
— Bem-vindos. — Disse ele, com uma reverência. — Sejam bem-vindos à casa de Julian Blackwood.
Com um sorriso, Elay agradeceu me olhou e gesticulou com a cabeça para que entrássemos quando o mordomo virou as costas.
E, juntos, entramos naquela mansão tão misteriosa,
A sala de jantar luxuosa nos envolveu com sua opulência. Julian Blackwood, um homem de meia-idade, com olhos penetrantes, nos recebeu com um sorriso.
— Ruby, você é ainda mais deslumbrante do que imaginei. — Disse ele, não desviando o olhar de mim. Já sabia o meu nome e encarei Elay tentando procurar uma explicação.
Eu sorrí, desconfortável com tanta atenção. Elay, percebendo meu m*l-estar, colocou uma mão discretamente em minhas costas e meu corpo estremeceu, porém apenas agi normalmente sorrindo.
— Julian, seu gosto pela beleza é lendário. — Disse Elay, cortando a tensão.
Julian sorriu.
— E você, Elay, sempre o homem de negócios astuto, seguindo os passos do seu pai. Vamos sentar.
À mesa, Julian dominou a conversa, discutindo fusões de empresas e investimentos. Eu ouvia, perdida, enquanto Elay acompanhava com interesse.
— É ótimo trabalhar com você, Elay. Então, fechamos a negociação daquele carregamento?
— Claro, Julian. Negócios são negócios.
— Ruby, você não se interessa por finanças?— Julian perguntou, olhando-me intensamente.
— Não... não muito. — Respondi sorrindo.
Elay interveio:
— Ruby tem outros talentos, Julian. Talento para inspirar, por exemplo.
— Ah, eu adoraria conhecer mais desses talentos. — Comentou enquanto bebia uma taça de vinho branco sem tirar os olhos de mim. — As garotas do Haru são tão fascinantes.
— Ah, a Ruby não é uma das garotas do meu pai. — Elay pigarreou encarando a mesa enquanto desviava o olhar de Julian. — É apenas um rostinho bonito que mantenho por perto. — Nos entreolhamos e fui vestindo as falas de Elay, confiando nele e colocando na cabeça que era apenas fingimento.
— Manter por perto? Fala sério. — Riu sem humor com um tom de descrença e intenções oprimidas.
— Uma companhia é muito interessante, Julian.
Julian sorriu, mas não insistiu. Continuou conversando com Elay, enquanto eu me limitava a sorrir e trocar olhares com ele, sentindo-me cada vez mais desconfortável com a situação.
O jantar avançava, e eu me perguntava o que realmente Julian Blackwood queria de mim.
— Bom, é… preciso ir ao banheiro. — Elay comenta levantando da mesa e dando dois chutinhos de leve no meu pé chamando a minha atenção e então paro de comer, bebo alguns goles de vinho e fico em alerta.
— Meu mordomo leva você até lá. — Julian oferece.
— Eu vou até ele pedir que me conduza, não se preocupe. Sou de casa, não sou? — Ergueu as mãos sorridente e Julian deu um sorrisinho depois de um tempo e assentiu.
Então Elay saiu andando pelo corredor me deixando sozinha com aquele homem.
Ele me observa de relance, cada gesto meu não soa invisível aos seus olhos. Me sinto até mesmo desconfortável, porém, sigo as ordens do Elayja. Sorrindo o encaro enquanto como a minha sobremesa timidamente.
— Você tem algo com ele? — Julian questiona de repente me observando com um sorriso pequeno.
— Com o Elay? — Ele assente. — Apenas relação de trabalho.
— Tem namorado?
Lembro de Dean, mas balanço a cabeça no mesmo instante voltando a sorrir.
— Não. — Respondi de uma vez, muito convincente.
— Se me permite, você é uma garota espetacular, uma das mais bonitas que já conheci. Os seus olhos… — Ele ergue as mãos na altura do rosto gesticulando na direção dos olhos. — São fascinantes.
— Obrigada. — Abaixei a cabeça, coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e sorri.
— Anda, venha até aqui. — Disse depois de uns segundos pensativo, olhei para ele meio desconfiada. — Calma, venha cá. — Estendeu as mãos enquanto eu levantava devagar e caminhava até ele.
Quando chego próxima dele, ele sentado segura minha cintura e ergue a outra mão para o alto mexendo no meu cabelo pondo uma mecha atrás da minha orelha.
— Veja só esse rostinho, que angelical… — Murmurou consigo mesmo acariciando minha bochecha e deslizando os dedos até meus lábios.
Fico quieta, o permito. Mas sinto um desespero me consumir enquanto pensava no rumo que as coisas teriam se Elay não viesse logo, entendi agora o que o Haru quis dizer quando me avisou exageradamente. Eu vou ficar exposta e o que pode acontecer é muito improvável.
— A energia que você passa, é tão confortável. — Sussurro de volta segurando seu rosto com as duas mãos cobertas por luvas e então ele encara a minha boca.
Vai logo, Elay. Faça logo o que tinha que fazer.
Então escutamos um barulho de algo quebrando, e Julian assustado deu um espasmo ficando em alerta. Ergueu a cabeça e virou na direção da porta.
— O Elay está demorando. — Comentou desconfiado, levantou da cadeira e saiu caminhando rápido na direção da porta.
Um arrepio percorre por a minha espinha, sinto o desespero tomar conta de mim e assustada já que ninguém me explicou o que eu faria quando chegasse nessa parte. O Elay apenas disse que eu entenderia tudo na prática.
Entendo que eu deveria distrair Julian enquanto ele faz algo, então eu não deveria deixar Julian sair daqui de jeito nenhum.
Corro até ele o virando para mim e o beijo. A princípio ele estranha, afasta nossos rostos e me olha confuso mas então me encurrá-la na mesa e me beija.
É tão maluco, eu sequer percebo ou me importo. É como se o medo falasse mais alto e eu estivesse fazendo algo comum. Nem sequer percebo que estou beijando um homem nojento.
Escutamos um pigarrear ecoar pelo ambiente e então nos separamos olhando para Elay que apenas caminha até a cadeira e se senta.
— Me perdoe a demora, Julian. Acabei derrubando uma das suas decorações e fui ajudar o seu mordomo a recolher os pedaços. Não era nada caro, não se preocupe. — Elay explica como um discurso ensaiado e o encaro revoltada pela demora enquanto voltávamos a nos sentar e dessa vez sento ao lado de Julian. Elayja me encara com a sobrancelha arqueada mas releva.