Capítulo 2

1537 Words
- O que o CEO nervosinho pediu dessa vez? – Ana perguntou, olhando para mim. Estávamos no refeitório da empresa, comendo uma comida insossa. Eu não sabia se aquilo era arroz ou papa. - Adivinha? – eu disse, com tom irônico. Ela arqueou a sobrancelha – Ele me pediu para buscar a filha dele na escola. - Hum, bom, não parece tão r**m – ela comentou – Achei que ele ia te mostrar o quarto do prazer dele, ou sei lá. Eu gargalhei. - Por que pensou nisso? – perguntei. - Ora, porque o cara é um gato. Achei que ele tinha um lado sombrio, mas não tem – ela disse, pensativa. E parecia estar vislumbrando meu maldito chefe. Que tinha uma cara de anjo, mas era um grosso e e******o. Entreguei o terno dele e ele disse que estava m*l passado. Começou a brigar comigo e me perguntou se era assim que eu deixaria ele ir vestido. Eu fiquei boquiaberta. Depois, ele perguntou se eu paguei pelo serviço. Ora essa, eu paguei, como ele havia pedido. Ele simplesmente gritou, esmurrando a mesa e me pediu para voltar lá e pedir para fazerem um trabalho decente. Eu sai de lá trincando os dentes. Voltei na lavanderia, pedi para e refazerem o trabalho. Voltei depois de uma hora e meia e ele estava impaciente com a minha demora. Estava em um vídeo conferência, mas eu vi como ele me olhou. Com aqueles olhinhos lindos, mas mortais. Deixei o traje dele atrás da porta do banheiro e saí. Depois, ele me liberou para o almoço e me disse, sorrindo: “Bom trabalho, Indrika”. Indrika é caramba. Argh. Eu odiava aquele homem. - Então, se ele te pedisse para você ser amarrada, talvez fosse mais interessante – Ana e sua mente imaginativa. Muito pervertida. - Eu não quero ser amarrada, muito obrigada! – eu disse, irritada. Miguel sentou ao nosso lado, com um sorriso malicioso para mim. Ele trabalhava comigo no Marketing. Era bonito, atlético, mas um mulherengo. E dava em cima de qualquer mulher que considerasse bonita. Seus pontos positivos: ótimo em lógica, família e ama animais. Mas, nem isso me fez cair de amor por ele. - Eu amarraria você, se quisesse – ele piscou para mim. Só não bati nele porque estávamos no trabalho, mas lá fora, na nossa ida no bar, de sexta-feira, eu iria bater muito forte na cara dele. - Pare de me provocar – eu disse, entredentes. - Ixi, está estressadinha, é? Não gostou do chefinho? – ele provocou, provando o arroz do seu prato – Meu Deus, isso aqui tá um lixo. - Tudo graças ao nosso chefinho – ironizei – Tenho meus motivos para ficar irada com ele, não são só esses – apontei com a cabeça para meu prato. - Ela está reclamando de ter que buscar a filha dele na escola, enquanto ele vai para um jantar de gala – Ana comentou, como se não fosse r**m o suficiente. - Mas, isso não é o pior. Ele quer que eu seja baba daquela criança – eu disse, irritada – Eu não me formei para ser babá. E não quero ficar na casa dele, até ele chegar. - Hum, ai não tá certo não – Miguel disse, parecendo entender meu dilema. - Eu acho que é super ótimo – Ana disse, piscando para nós – Você vai conhecer a casa de gente rica e fina. Será que ele tem hidromassagem? Quer me levar junto? E Deus, champanhe de gente rica. - Para de ser interesseira, Ana – ralhe com ela – Esse é meu trabalho. Quer dizer, esse não deveria ser meu trabalho. - Passa no RH e reclama dele, ora – Miguel disse, como se fosse simples. - É, mas ai ele me demite – eu expliquei – E então, não posso pagar o tratamento da minha mãe. Eles me fitaram com tristeza. - Você pode tentar outro trabalho. Vou falar com a minha irmã. Ela trabalha em uma agência de turismo. Estão precisando de gente para o Marketing – Ana disse, com um sorriso amigável e doce. Ela tinha grandes olhos castanhos e cabelos negros. Super meiga, mas só a aparência mesmo. Ela era uma fera. Mas, minha melhor amiga. - Obrigada, minha flor – eu disse, me sentindo melhor – Vou querer sim. Então, vou lá buscar a filha dele. Não é que eu não goste de criança, mas não me formei para ser babá. - A gente entende – Miguel apertou meu ombro – Eu não nasci para ser TI, mas estou sendo quebra galho no setor. Ele era tão bom com sistemas, mas queria continuar na área de Marketing e Vendas. Era seu forte. Parecia que éramos p*u pra toda obra naquela empresa. Saímos juntos do refeitório e pegamos o elevador com Nicolas. Ele nos cumprimentou e ficou no celular e dessa vez, falava alemão. Ana não parava de encarar a b***a dele, por Deus. E eu queria sair logo daquele elevador. Mais algumas pessoas entraram e saíram. Quando meus amigos chegaram no em andar, Miguel meu deu um beijo estalado e Ana outro. Eles saíram e o elevador foi ficando vazio, conforme passávamos de andar em andar. Então, eu fiquei sozinha com meu chefe. E ele me olhou com os olhos em chamas. Desviou o olhar, por alguns segundos. Eu nem sabia o motivo, mas apenas fui para minha mesa. Ele foi para a sala dele e fechou a porta. O telefone tocou, cinco segundos depois. - Indrika, quero você na minha sala, agora! Ele desligou e fiquei atônita. Por que ele estava sendo tão grosso? Fui para a sala dele, já com a pressão baixa, suando frio e com náuseas. Abri a porta e entrei. Ele estava parado, recostado na mesa dele, de pé. Sem o paletó azul petróleo e as mangas da camisa branca estavam dobradas até o cotovelo. Reparei que sua calça social era cinza, combinando com os sapatos Oxford de tom marrom. Ele era lindo demais, mas aquele olhar feroz para mim me deu arrepios na espinha. Apenas pensei comigo mesma que aguentava o que fosse. Que ele não iria me intimidar. Eu era forte, destemida. Mas, estava tremendo. - Senhor, me chamou? – perguntei. - Sim – ele respondeu, com a voz rouca – Quero saber se a senhorita sabe das políticas da empresa. - Sei sim – Assenti, confiante – Por que senhor? - Pois, parece que não – ele disse, sério – O seu colega de trabalho lhe deu uma beijo no rosto e a abraçou, no meio do corredor. Eu poderia demiti-los por isso. Fervi por dentro. Quem ele pensava que era? Bom, ele era o CEO da empresa. E dono de todo aquele império. Aquela pergunta teria que ser refeita, para minha pessoa. - Eu não sei o motivo para tanta hostilidade, senhor – disse, petulante. - Ah, não sabe mesmo? – ele perguntou, irônico, colocando as mãos no bolso – Diga-me, a senhorita gosta de se relacionar com seus colegas de trabalho tão intimamente? Iria se importar se talvez, eu a beijasse assim, tão intimamente? - Está me assediando com esse discurso – acusei, com a cólera inflamada. - Não, não estou. Estou lhe dando um exemplo – ele disse, com um tom neutro – E posso lhe dizer, senhorita, que essa política é para proteger os funcionários, não só para não ter problemas no rendimento. Não quero mais demonstrações afetivas em público, ficou claro? - O senhor está sendo injusto. Um desposta – reclamei. - Fui claro, senhorita? Ou quer perder seu emprego, assim como o deu seu colega? – ele me ameaçou. - Sim, foi totalmente claro – eu disse, com uma pitada de sarcasmo. - Ótimo – ele respondeu no mesmo tom – Que bom que estamos nos entendendo, senhorita. Eu aprecio muito as regras. E gosto de segui-las. Elas são necessárias para nos manter civilizados, não acha? Eu queria revidar, dizendo que ele não sabia o que era ser civilizado, pelo modo como gritava com os outros. - Não acha, senhorita? – ele insistiu. - Sim, eu acredito que seja ótimo as regras. Ainda mais quando são seguidas – alfinetei. - Estou sentindo um tom irônico no seu discurso, ou é impressão minha? – ele revidou. - Com certeza, é fruto da sua imaginação, senhor. Se não tem mais nada a dizer, eu vou em retirar – eu segui para a porta. - Espere – ele ordenou. Apertei os punhos e respirei fundo, me virando para ele. - Mais uma coisa, quero um café, com dois torrões de açúcar, por favor – ele pediu, com um sorriso amável. Aquele cara era louco – Pegue um para a senhorita também. E espero que nossa relação não seja prejudica apenas por pedir que siga as regras. - É claro que não – eu disse, fervendo de raiva. - Eu pensei que não mesmo - ele voltou a se sentar atrás da sua mesa e eu rumei para a cozinha que tínhamos. Pensei, então, e cuspir no café dele. Seria ir longe demais, é claro. Mas, tudo apenas estava começando. E eu ainda teria muitos problemas pela frente, com meu chefe.
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