Eu preparei o strogonoff em minutos, tomei banho e me arrumei doida para me encontrar com ele.
Anna deve ter percebido minha animação repentina.
- Vai sair? Perguntou-me.
- Vou sim. Respondi.
- Fique com a chave reserva caso precise chegar tarde.
Ela foi tão gentil me entregando, e eu prometi tirar uma cópia o mais rápido possível.
Anna mencionou uma fechadura inteligente, que abria até com a digital. Enquanto provava da minha comida.
- Humm... Isso daqui está uma delicia! Elogiou dando outra garfada.
Tive vontade de perguntar porque ela não trabalharia aquela noite, mas tive receio. Pois desde o começo Anna já havia mencionado a política de privacidade entre a gente.
Fiz companhia á ela na mesa enquanto Gio vistoriava a finalização da montagem de seu armário.
Quando os montadores passaram pela porta, um rapaz sorridente se desviou deles e acenou para Anna que estava sentada ao meu lado na mesa.
- Oiiii! Ela disse receptiva. - Entre!
O rapaz muito educado assentiu e adentrou o apartamento se aproximando da gente.
- Max essa é a Caroline, ela está morando aqui também. Me apresentou.
- Muito prazer! Ele estendeu seu braço me oferecendo a sua mão.
- Igualmente! Dei-lhe um meio sorriso.
- Max é o nosso vizinho de porta Carol. Ele sempre pega às minhas encomendas.
Max concordou se sentindo feliz pelo reconhecimento da minha colega de quarto.
Fiquei o analisando por alguns instantes, ele tinha boa aparência. Era loiro, também de olhos claros.
Será que Max não teria interesse em Anna?
- Quer jantar conosco? Ela o convidou.
Max ia responder alguma coisa quando ouvimos Gio voltando sozinha. Ela havia acompanhado os profissionais até a portaria, e então fechou a porta nos olhando.
Max se virou a olhando nos olhos.
- Ahh... Max essa é...
- Muito prazer! Max foi apressado ao encontro de Gio.
Anna e eu nos entreolhamos. Gio ficou olhando para a mão de Max como se não quisesse cumprimentá-lo.
Comecei a ficar nervosa com todo aquele desconforto. Até que Anna pigarreou e finalmente a ruiva cedeu.
Ela apenas segurou a sua mão, mas soltou-a rapidamente vindo até nós sem se importar com o vizinho.
- Finalmente deu tudo certo com o guarda-roupas! Ela comemorou como se existisse apenas nós três no ambiente.
- A Carol fez o jantar. Anna disse a Gio para talvez quebrar o gelo enorme que estava na sala.
- Eu como mais tarde, vou organizar às minhas coisas. Disse animada.
Ela se virou topando de frente com Max que a olhava como se ela fosse um monumento histórico jamais visto.
Ele deu um passo pro lado para que ela passasse, e depois se virou para olhá-la pelas costas.
Gio nem fez menção de gentileza, ela voltou-se para o quarto sem interesse algum em nossa conversa.
Quando Max voltou sua atenção para frente vi constrangimento em seu olhar. Ele havia notado que Anna e eu o observava.
- Ela também está morando aqui? Ele fez sinal ao quarto com o polegar.
- Sim. Anna assentiu. - Está.
- Como ela se chama? Max indagou.
- Gio... Anna sorriu pra mim. - Só não sei se é de Giovanna!
Então percebi que eu não era a única que escondia o próprio nome!
- Acho que ela não foi muito com a minha cara! Max deu um leve sorriso.
- Ela é assim mesmo introvertida! Anna disse como se conhecêssemos Gio.
Mesmo ela olhando pra mim talvez querendo que eu concordasse, não fiz. Eu realmente acho Gio muito esquisita, e não falo apenas de sua forma de se vestir!
- Bom essa é a minha deixa! Falei indo até o banheiro escovar os meus dentes.
- Max realmente foi um prazer te conhecer... Mas agora tenho um compromisso!
- Vai lá Carol! Ele sorriu gentilmente.
Meu pai sempre me ensinou a ser educada e cordeal com às pessoas. Ele sempre foi gentil com nossos vizinhos, e também com às pessoas que trabalhavam com ele.
Minha mãe ao contrário não suportava ninguém da nossa rua. Odiava reunião escolar, meu pai sempre ia em todas!
Eu nunca gostei daquelas homenagens do dia das mães. Minha mãe dizia que não podia faltar ao trabalho para me ver dançar.
E em meio as mães lá estava o meu pai me aplaudindo de pé. Ele nunca se importou que falassem dele! Sempre me prestigiar era o seu maior intuito!
Enquanto pensava em meu pai fiquei esperando Miguel na entrada do condomínio.
Não deixei que papai fizesse depósito nenhum á Anna. Ela certamente observaria o sobrenome dele e descobriria quem eu sou!
Enquanto pensava como resolver isso vi Miguel se aproximando, e rapidamente todos meus pensamentos foram dispersos.
Ele é tão lindo que eu m*l consigo descrevê-lo a vocês!
Miguel parou o carro e desceu o vidro com um sorriso estonteante nos lábios.
- Vamos? Disse animado.
Assenti abrindo a porta, e entrando em seguida. A colônia dele predominava o carro, e seu sorriso também.
- Bora pegar um filme? Ele falou.
- Você me convidando para ir ao cinema? Respondi á ele surpresa. - Achei que você só ia a bares!
Franziu o cenho indignado.
- Você só sabe o que os outros te contaram!
Realmente era verdade! Eu não conhecia direito o Miguel. Só o conhecia pela boca da minha família; meu pai que sempre se recordava dele com muito carinho. Pelas gêmeas que o admiravam, e pela minha mãe que sempre o julgava como um degenerado e cínico!
Miguel ligou o som do carro num volume baixo. Mas eu sabia exatamente a letra daquela música.
Fiquei o olhando discretamente dirigir, a forma como ele segurava o volante. O seu olhar sério no retrovisor, que se suavizava ao encontrar o meu.
Ele gostava da minha companhia. Talvez sentisse falta de uma amiga ja que todos os seus irmãos eram casados.
Por incrível que pareça não rolou bebida. Nós assistimos o filme que estava em cartaz, e comemos pipoca aquela noite.
Eu realmente não conhecia aquele lado dele. Achei engraçado vê-lo rindo na sala de cinema de um filme de animação.
Miguel fez questão de comprar dois copos do filme para levarmos pra casa.
Veio o caminho todo relembrando frases engraçadas do filme. E eu gargalhava de seu jeito bobo.
- Vai dormir em casa hoje? Ele disse diretamente.
Minha maior vontade era responder que sim! Que eu sentia falta do apartamento e de sua companhia!
- Melhor eu voltar pra minha casa hoje. Anna fez a gentileza de me emprestar uma chave.
- Está certo! Concordou.
Agradeci mentalmente por ele não insistir. Eu não teria forças para negar duas vezes!
Miguel me deixou em casa, e mesmo sabendo que era errado eu o olhei nos olhos de outra forma.
- Está entregue! Ele sorriu.
- Obrigado pela noite! Respondi triste por ter que deixá-lo.
Me virei para abrir a porta do carro mas ele tocou em meu braço gentilmente.
- Se precisar de algo... Levantei meu olhar pra ele. - Qualquer coisa! Jura que me liga?
- Sem pensar duas vezes! Respondi querendo tranquiliza-lo.
Depois tomei a liberdade de abraçá-lo inesperadamente. Sei que Miguel se assustou com a minha iniciativa, mas eu precisava fazer isso, nem que fosse apenas uma vez.
No meu sonho Miguel me entrelaçava com seus braços, mas ele não fez. Ele ficou parado, senti somente dando um tapinha em minhas costas.
Me afastei ficando frente à frente com ele.
- Boa noite Carol! Ele me disse um pouco seco.
Me virei saíndo do carro me sentindo uma tola!
Onde eu estava com a minha cabeça? Me atrever a abraçá-lo! No que estava pensando?!
Nem tive coragem de me virar para acenar. Ouvi o ronco do motor do carro saíndo e entrei o mais depressa possível.
Chegando em casa tudo estava quieto. No sofá haviam cobertores e um travesseiro.
Tirei meus conturnos praticamente me jogando sobre o sofá. Eu não conseguia esquecer o constrangimento.
Bem feito pra mim! Eu tinha que ser tão abusada? Eu nunca fui assim! O que está acontecendo comigo?
Depois de me martirizar por horas acabei pegando no sono. Ouvi quando Anna se levantou, ela andava em ponta dos pés para não fazer barulho.
Anna é uma mulher maravilhosa!
Ela pegou sua bolsa e passou pela porta saíndo. Talvez tivesse um compromisso pela manhã, já que seu trabalho é a noite!
Logo Gio também acordou, ela me deu bom dia enquanto me via escolher uma roupa para o colégio.
Gio começou a tagarelar sobre a sua faculdade. Disse que suas aulas eram presenciais três vezes na semana, e que hoje ela teria prova.
Talvez em outra ocasião eu fosse mais simpática, mas ainda estava anestesiada com o acontecido da noite passada.
Então apenas ouvi minha colega de apartamento falar sem interrompê-la. Gio não estava mais introvertida, pelo menos não comigo!
Fui para a aula tão desanimada que m*l conseguia disfarçar. Porém eu também não tinha interesse de fingir nada! Toda a escola sabia que Guilherme havia transado comigo no banco do carro dele. E ser considerada como vagabunda é o mínimo que àquelas pessoas pensavam de mim naquele momento!
Eu não conseguia conversar sobre isso com o meu pai. Mesmo ele sendo tão atencioso comigo, eu não tinha forças de confessar o quanto a sua filha foi i*****l!
Saí da escola e fui direto para o apartamento de Miguel. Ele era a única pessoa que conversava comigo sem me tratar como criança. E talvez eu pudesse ajeitar o m*l entendido de ontem.
Toquei a campainha mas ninguém atendeu, então liguei em seu telefone.
- Ooi! Onde você está? Pensei em chamá-lo para almoçar!
Falei não demonstrando que estava já na porta.
- Oi Carol estou em outra cidade, vim ver o meu filho... Houve uma pausa na ligação. - Mas eu volto ainda hoje! A gente se fala mais tarde?
- Até mais tarde então! Falei tirando o telefone do ouvido extremamente desapontada.
Ele foi ver o filho e automaticamente ver a Pâmela. A ex mulher! Eu lembro perfeitamente dela!
Pâmela foi enfermeira do hospital regional por anos até ser transferida pra cidade onde mora. Eu me recordo perfeitamente do dia em que ela confessou estar apaixonada pelo Tio Pither... Foi um bafafa na família!
Eu sei que meu padrinho é sim apaixonante! Mas daí trair o Miguel?
Não sei se seria uma troca justa! Se bem que meu tio nunca deu trela á ela. Sempre teve olhos apenas para a Esther e depois a Angel!
Agora meu dia se resumia em pensar como Pâmela reagiu ao reencontrar Miguel.
Será que eles teriam uma recaída? Talvez Pâmela se arrependa ao ver o quanto Miguel ainda está gato!
Meu Deus, eu acho que vou enlouquecer!
Quando saí do elevador ouvi a voz irritante de Cassandra atrás de mim.
- Moça! Moça! Ela me gritava enquanto eu á ignorava. - Ei! Você pode dar um recado ao seu pai?
Aquilo me aborreceu profundamente.
- Ele não é o meu pai! Falei alto em meio ao corredor.
Ela ficou paralisada, me olhando perplexa! Enquanto eu voltei a caminhar em direção à saída