O riso da Ane não para e o ciúme i****a do Filipe torna-se mais travesso e pior, quando ele beija a minha testa.
— Vamos sair daqui. — diz o homem que foi responsável pela criação dos meus sobrinhos.
O relacionamento da minha irmã com o seu ex não funcionou e, embora eles se deem bem com as crianças, uma figura paterna verdejante em sua vida, ele era um i****a que constantemente o odiava.
— Adoro ver você assim. — Suspira para acariciar o meu cabelo.
Estamos na sala de estar, em uma das poltronas, enquanto estou deitado com a cabeça no travesseiro acima de seu colo e Filipe, configurando algumas imagens do computador.
— Odete, você não está tão feliz, o ar do amor tinha desaparecido.— lembre-se e beba seco.
Eu ainda a amo, mas prefiro não mergulhar no passado, já que suas memórias me enchem de tristeza. Perder foi a coisa mais difícil e devastadora que eu já tive que passar na minha vida.
Até agora, Odete, é a única mulher que amei com toda a minha alma e por um terrível acidente, ela saiu e fez isso para sempre, meses antes do nosso casamento, quando planeávamos dar a notícia às nossas famílias. Esse acontecimento, a sua partida, fez-me refugiar-me ainda mais nas vinhas, já que a dor me consumia.
— Tenho os teus favoritos, pensei em ir deixá-los, mas queria esperar e convidar-te, bem, organizámos um pouco o lugar. — Propor e suspirar.
— Ane....
— Não tenho dúvidas de que é doloroso, mas ir visitá-la terá em mente o quanto eles se amavam e que se você conseguiu que ela o aceitasse tão m*l-humorado quanto você é, haverá mais um sortudo por levar um dos melhores homens que já conheci, que pode ser a Manuela. — Move as sobrancelhas e vira os olhos azuis herdados da nossa mãe, um pouco abaulamento.
— Ok. — Eu me rendo ao seu pedido.
Nós preparamos, dividimos os caminhões e vamos direto para o cemitério onde o mausoléu em que Odete descansa está localizado. No entanto, nossos planos são perturbados pela presença de sua família.
— Façam vocês mesmos. — Peço à minha irmã que negue imediatamente.
—Você conhece muito bem a minha situação com o pai dela, é melhor que eu não me aproxime. — Eu retiro.
Se a mãe de Odete está aqui, isso significa que o pai dela também, e ao contrário da minha ex-sogra, esse homem odeia. Ele me garante que sou culpado por não estar viva e não tenho como aceitar, devido ao fato de que percebo da mesma maneira que ele me odeia.
— Eu amei e tu amaste-a, como eles, tens o direito de estar aqui. Vai contra os meus pensamentos, apesar disso, o meu ex sogro, ele nunca viu dessa forma.
— Não vou. — Volto-me contra as chamadas da minha família.
Eu tento seguir em frente, mas meu ombro colide com o de outra pessoa, meus olhos procuram a pessoa para que eu possa me desculpar por não olhar para a estrada, mas assim que nossos olhos se encontrarem, ressentimento em relação a mim é sentido no meio ambiente.
— Desculpe. — Peço desculpas e tento sair.
— O que vou lamentar pelo resto da minha vida foi confiar a minha filha declarando que o rancor produzido por nossa perda dita suas palavras.
Respiro fundo e, independentemente da opressão e dor que a aceitação dessas palavras gera no meu peito, abstendo-me, só fico calado e deixo meus olhos viajarem para o chão.
— Com licença, David. — sugere em nome do marido, mas sinto que meus olhos estão formigando
— Você não tem que me desculpar porque é verdade, ele a matou, foi culpa dele por permitir que ela dirigisse sozinha da cidade para aqui, no meio de uma tempestade de vampiros. —, treme com impotência —Quem deve estar morto, deve ser você…
(...)
— André. — a minha mãe chama, mas eu só continuo a destruir a madeira.
— Eu não quero falar, deixe-me. — eu imploro, querendo desabafar e liberar tudo o que eu carrego dentro.
— Não foi culpa sua, foi o motorista bêbado e imprudente. — Ele insiste.
— Quando a tempestade começou, eu devia ter-lhe dito para ficar, para passar a noite noutro lugar, para não permitir que. — Assumisse a responsabilidade.
***
Há sete anos…
— Vejo em casa? — Perguntei Deus. — Tem a certeza? Eu posso esperar por você. — Não me incomodou ficar algumas horas ou um dia, eu só queria estar com ela.
— Não me diga que tem medo, pior, que se arrepende. — Ele exagerou com um gesto demasiado terno na cara, mas eu recusei.
— Só conto os segundos, minutos, horas, dias e meses para te levar ao altar e não te deixar escapar. — Segurei pela cintura e aproximei do meu peito.
— Eu te amo. — Eu me deleitei em sussurrar em seus lábios, antes de pegá-los.
— E eu a ti. — Correspondi às minhas palavras e sabia que ele me amava da mesma forma ou muito mais do que já me amava.
— Então, vou esperar por você em casa, vou certificar que estão todos lá. — Prometi antes de a beijar uma última vez.
Eu fui embora, entrei no meu caminhão e voltei para casa, assim como eu queria; no entanto, quando estava a poucos minutos de distância, o tempo teve uma mudança drástica: o céu não era mais iluminado pelos raios do sol e mergulhou na densa escuridão.
— E Odete? — Francês questionou quando me viu chegar sem a filha.
— Se o tempo permitir, chegará em algumas horas. — Eu respondi com certeza que isso aconteceria.
O tempo passou e o tempo só piorou. Estávamos esperando por ela, mas um sentimento muito estranho e irritante começou a nos perturbar. Algo nos disse que nada estava certo, mas devido à chuva que nos prendeu naquele momento, ninguém poderia sair.
Peguei meu telefone e comecei a ligar para a recepção do prédio onde o apartamento que ocupávamos estava localizado, no entanto, a recepcionista compareceu e as palavras que ela verbalizou, eles me encheram de mais preocupação.
— Saiu há algumas horas, já devia ter chegado…
Eu não terminei, simplesmente, peguei minhas chaves e no meio das orações e palavras de aprovação dos outros, me aventurei na chuva. Eu dirigi rápido, sentindo que por dentro eu estava morrendo. Minha respiração estava começando a falhar e o ritmo do meu coração estava errático e por alguma razão que eu ainda não sabia, as lágrimas desceram pelas minhas bochechas.
A cada quilômetro que ele caminhava, ele imaginava que algo terrível havia acontecido com ela.
— Odete, meu amor, por favor responda. — Repetido cada vez que a caixa de correio me permitiu deixar uma mensagem.
No entanto, as sirenes da polícia, da ambulância e dos bombeiros tiraram a pouca tranquilidade que ele estava tentando manter.
O lugar isolado me forçou a parar e no meio da chuva, abandonei meu carro e a imagem que encontrei quando avancei, acabou se desesperando: seu carro foi derrubado.
— Onde está? — Descobri depois de correr e me aproximar da ambulância — Onde está ela? — Insisti, vendo um homem sentado na maca.
— I ... Desculpe. — Tropecei desajeitadamente no meio da sua compulsão.
— O proprietário do carro, como está? Foste transferido para o hospital? — Questionei os agentes.
— Não podemos dar-lhe informações. — Respondidas com a intenção de ir embora.
— Ela é minha noiva ... — Eu pronunciei, mas depois congelei, não continue.
Minha cabeça começou a doer quando vi a perícia cobrir um corpo. Minha paralisia terminou e minhas pernas se moveram rapidamente, eu precisava saber que não era ela, então eu não parei com os gritos dos policiais que me pediram, mas não o fiz, apenas fugi.
— Odete…
Senti mil punhais grudarem no meu peito no instante em que meus olhos viram o anel em sua mão
— Odete! Odete! — Gritei o nome dela várias vezes na esperança de que ela se levantasse, apesar disso, não funcionou.
***
— Por favor, pare, André. — Ore.
A última vez que desabafei, fui levado para o hospital depois que a borda do machado saiu e fui direto para o meu pescoço. Quase sangrei até à morte.
— Estou bem. — Paro de destruir a sala de jantar que construímos juntos.
— Vamos! — abraçar a minha mãe, de forma a diminuir a sua preocupação.
— Vou fazer algo delicioso, o que mais gosta. — A voz dele enfraquece. Isso me afeta por minha causa.
— Obrigado! — É a única palavra que me vem à mente.
Caminhamos para ir para casa, mas meu telefone começa a roncar no meu bolso. Eu tiro e o nome da menina aparece na tela.
— Então eu chego até você. — Prometido ir embora ela não confie, ele concorda muito pouco convencido.
Mudando de rumo, eu faço isso para a mesa que ainda está de pé e se senta na madeira.
— David. — Saúda-me quando eu atender a chamada. Ela faz isso sendo muito animada —. Você está triste? — pergunte e eu faço um grande esforço para sorrir.
— Claro que sim, agora diga-me: a sua mãe deu-lhe permissão? — Eu questiono e rio.
— Mamãe, diga: olá. — Pergunte focando a câmera na loira que faz o que ela pede — Pode ir agora pedir. — E os olhos da Manuela ficam brancos.
— Lis. — Atrevo-me a chamar a vossa atenção.
— Desculpe, mas o que precisamos de abordar é uma questão pessoal, de um homem para uma criança adulta o suficiente. — Justifica o seu comportamento.
— Primeiro, quando é que vai voltar? E segundo, quer acompanhar-me até à minha escola? Tenho que levar o meu pai, mas como não tenho um e muito em breve vou ter um padrasto, não vejo nada de errado você ir me acompanhar-me, o que diz?
— Oi? — Eu levanto uma sobrancelha depois de soltar algumas risadas.
— Olha, somos iguais, ninguém duvidará das coisas que dizemos. assegura, transformando as características do seu rosto em completamente série para me imitar.
— A tua mãe sabe? — Eu certifico-me que concordar com esta situação.
— Claro! — mentira, posso intuir.
— Vou falar com ela e dependendo do que ela disser, podemos chegar a um acordo. — Para brincar com as sobrancelhas e acenar imediatamente.
— Obrigado, David. — Sorri e é o que eu preciso agora.
—Mamãe! Todos os seus gritos — e eu não consigo conter o riso.
O telefone vai para as mãos da bela mulher na frente da tela, que está curiosa para me observar.
— O que falaram? — Ele não perde tempo.
— Convide para jantar, Manuela, e eu cantarei como um g**o. — Eu lanço minha oferta
— Ouvi, David. — A menininha fala e ela diverte-se à custa do problema em que acabei de entrar.
— Ok. Estou ansioso pelo seu regresso, André. — Ela torna-se paqueradora.
Eu n**o diversão sem ser capaz de encontrar uma resposta, enquanto a vejo acariciar a metade do coração que está pendurado em seu pescoço.
— São os pedaços de um todo. A chave simboliza a união, o laço que está a cargo da união, dois corações partidos e não amados que finalmente se encontram.
— As palavras daquele homem voltam à minha mente. — A chave também pode ser um coração que foi transformado apenas para gerar esse vínculo.
Finalmente, somos três corações partidos, por razões diferentes, mas quebrados…