— A irmã do seu noivo? Medito, tento acreditar nele, mas é impossível para ela.
— Ei Arthur, sei que você deve estar ocupado, mas vi na sua agenda hoje de manhã e você tem uma vaga livre e eu não tenho nada para fazer com Lis na escola, posso ir procurá-lo?
Você só deve ficar com ele por uma ou duas horas, enquanto cumpre algumas missões. - Libere tudo rapidamente, esperando que ele não se recuse e forneça uma solução para o problema da minha filha.
— Não mais que duas horas, vou mandar alguém buscá-la e por favor peço que se comporte, é insuportável, aceita sem precisar implorar ou pedir nada em troca.
—Obrigado…
— Não tão rápido, esta noite você estará comigo. —Ele interrompe, falo rápido demais.
— Tudo bem. —Eu não recuso. Devo comparecer a essa reunião, pois não é qualquer coisa.
Finalizo a ligação e organizo tudo, no escritório antes de sair com Deus e depois seguirem caminhos separados. Estou um pouco ansiosa, mas acho que valerá a pena.
Ane me ligou há dois dias e me deu o número de um lugar, uma ONG que ajuda em casos como o de Lis e espero encontrar alguma esperança ou uma solução imediata, que me permita me livrar de Arthur, antes que ela continue a insistir com o casamento.
Além de me encontrar para o transplante, junto com meu advogado, temos buscado um conselho, algo além, alguma brecha legal que, além de me distanciar de Arthur, seja um motivo convincente para conseguir o transplante.
Minhas esperanças em relação a David foram exageradas, mas minhas esperanças de encontrar um doador que não fosse Arthur permanecem intactas.
— Sim, estamos cientes do seu caso e dentro de algumas semanas seu pequena será adicionado à lista de destinatários. —Aquela mulher fala e não demora muito para meus olhos lacrimejarem.
— De verdade? Sei que encontrar um doador de rim não é uma tarefa fácil e com o seu tipo sanguíneo é uma tarefa muito árdua, respondo com certa descrença.
—Não vou negar que é difícil, mas recebemos muitos doadores, vivos ou falecidos, que não manifestaram o seu desejo póstumo e os seus familiares decidem confiá-los à ciência e, se não tiverem nenhuma patologia, como doadores —ele explica em detalhes.
— A primeira coisa que devemos fazer é uma avaliação, sabendo quando você precisa da cirurgia e quando estará na lista de espera.
— Concordo com cada uma de suas palavras, pois entendo como é o processo.
Há anos Lis está na lista de espera, mas como seu estado ainda não era de vida ou morte, deram prioridade a outras pessoas que precisavam dele naquele momento, mas nossa situação mudou e o solicitamos imediatamente.
Seu corpo já está sofrendo as consequências, está retendo líquidos, está inchando, tem febre um tanto alta e dores toda vez que precisa esvaziar a bexiga. É triste, vê-la sofrer é difícil, pois sempre se espera que os pais morram antes dos filhos, e não o contrário. Porém, não perderei a fé, muito menos a esperança.
— Quanto ao pai, não há o que fazer, a doação é voluntária, a não ser que ele faleça e não tenha deixado algum documento escrito que expresse sua vontade, quanto a ser ou não doador de órgãos. —finaliza, dando-me a entender que Arthur é uma causa perdida.
Estarei com ela até que ele seja o doador ou até que a fundação se encarregue de encontrar um.
Nosso encontro termina, agradeço a todos e em seguida entro em contato com Ane e seus pais e mais uma vez, agradeço por terem feito isso por Lis. Espero alguns minutos para que Deus me pegue e no meio do caminho lhe conto a boa notícia; No entanto, não perde a oportunidade de sugerir que eu fale com David, o que rejeito imediatamente.
—Você vai me buscar amanhã? Uma hora antes, Arthur terá uma reunião e eles precisam de mim. – Sorrio com todos os dentes e ela balança a cabeça.
— Ok, se precisar de alguma coisa, é só ligar e eu irei, ele oferece e eu aceno.
Desde que voltei para Arthur, Deus está um pouco longe, a algumas ruas de distância, já que o relacionamento deles é o pior do mundo, eles não se suportam, a ponto de quererem se matar toda vez que se veem uns aos outros.
Entro em casa e os gritos da minha filha me colocam em alerta, desço correndo as escadas, vou em busca do meu
choro.
—Você não é meu pai! Você é um monstro e eu te odeio! —ele solta em meio a soluços.
—Cale a boca, pirralha! —ele exige e seus gritos junto com os de Lis se intensificam.
Chego ao corredor, faço isso com o coração batendo forte e a preocupação de quebrar minha alma em milhões de pedaços. Caminho até o quarto que sou obrigada a dividir com Arthur e o encontro com o rosto distorcido, tremendo de raiva, na frente de Lis, que continua a derramar lágrimas. Sua mão sobe e por instinto corro até onde ele está, me coloco entre a mão dele e a minha pequena.
—Mamãe! —ela grita, agarrando-se aos meus joelhos. —Vamos!
Lágrimas escorrem pelo meu rosto, enquanto o formigamento da pancada me faz tremer. Sinto a queimação no lábio e o gosto de ferro se espalhando pelo palato.
— Saia daqui pirralha, ele exige, mas Lis recusa. Sair! —ele exige e eu tento ir com ela, preciso tirá-la daqui. —Você fica, Manuela...
—Deixe-me sair! —Eu ouço os gritos de Manuela
—Bom dia! —Percebo que ela está triste, então olho pelo retrovisor e a encontro de óculos e com o lábio quebrado. Trouxe algumas coisas para Lis, agradeceria depois que você me deixar no escritório você me levasse para a casa dos meus pais, já conversei com eles, comunica a ele com a voz trêmula.
— O que aconteceu, Manuela? —Eu descubro e sem poder evitar, lágrimas escorrem pelo seu rosto.
—Agora não, ela aponta para Lis dormindo sobre as pernas.
Sinto e pareço um pouco assustada, posso perceber ou ficar cansado e que a noite que aconteceu não foi nada boa.
— Ok. — Ignoro as minhas suspeitas, não quero conversar na frente de Lis.