Isabela
O vestido que deixaram sobre a cama era caro demais para alguém como eu. Preto, simples, mas feito para chamar atenção sem pedir permissão. Olhei meu reflexo no espelho por longos segundos, tentando reconhecer a mulher que me encarava de volta.
Ainda era eu — só que cercada por luxo, perigo e um homem que me tirava o ar mesmo quando não estava no mesmo cômodo.
Desci as escadas com o coração acelerado.
A sala de jantar estava cheia. Homens poderosos, mulheres elegantes, conversas baixas em russo, risadas calculadas. Todos se voltaram para mim quando entrei.
Senti os olhares como mãos invisíveis percorrendo minha pele. Alguns curiosos. Outros avaliadores. Alguns… famintos.
Dimitri estava de pé, conversando com dois homens mais velhos. Quando me viu, algo mudou em sua postura. Não foi sorriso. Foi tensão. Atenção total.
Ele veio até mim e, sem pedir permissão, pousou a mão firme na minha lombar.
— Você está linda — disse baixo, para que só eu ouvisse.
— Não fui eu quem escolheu — respondi.
— Ainda assim — murmurou —… ficou perfeita.
Meu estômago revirou.
Sentamos à mesa. Dimitri à cabeceira.
Eu à direita dele. Uma posição estratégica, percebi rápido. Não era honra. Era aviso.
As conversas fluíam, mas eu entendia pouco. Até que um homem loiro, com sorriso arrogante demais, se inclinou em minha direção.
— Você não parece russa — disse em inglês.
— Não sou — respondi, curta.
— Uma pena — ele sorriu. — Brasileiras costumam ser… calorosas.
Antes que eu respondesse, Dimitri colocou o copo na mesa com força suficiente para silenciar o lado inteiro da sala.
— Viktor — disse ele, frio. — Controle sua curiosidade.
O homem riu, sem se intimidar.
— Só estou sendo educado.
Dimitri se inclinou para frente.
— E eu estou sendo paciente.
O clima mudou. Silêncio pesado.
Eu senti o peso do poder ali — não só o de Dimitri, mas o perigo real que ele representava.
Viktor se afastou, murmurando algo que preferi não ouvir.
Inclinei-me em direção a Dimitri.
— Você não precisa me defender — sussurrei.
Ele virou o rosto, o olhar fixo no meu.
— Aqui, qualquer um que olhe demais para você está me desafiando.
Meu coração falhou uma batida.
Dimitri
Foi um erro trazê-la.
E tarde demais para voltar atrás.
Isabela não pertencia àquele mundo, mas atraía atenção como fogo em pólvora. Cada homem à mesa a observava, e isso despertava algo primitivo em mim. Posse. Proteção. Raiva.
Quando Viktor se levantou para brindar, eu já sabia que aquilo não terminaria bem.
— Um brinde — ele disse — às alianças… e às belas surpresas.
O olhar dele pousou nela de novo.
Levantei-me lentamente.
— Outro brinde — interrompi. — Ao respeito.
Aproximei-me de Isabela, coloquei a mão em seu ombro, firme. Não para exibir. Para marcar território.
— Ela está sob minha proteção direta.
Todos entenderam.
Viktor sorriu sem humor.
— Proteção pode falhar.
Minha resposta foi um sorriso igualmente frio.
— Só uma vez.
O jantar terminou mais cedo do que o previsto.
Levei Isabela para fora da sala, ignorando os olhares. Assim que a porta se fechou atrás de nós, ela se soltou.
— Você exagerou.
— Você não faz ideia do que evitamos — respondi.
— Eu não pedi isso.
— Não importa.
Ela me encarou, os olhos brilhando de raiva.
— Você não é meu dono, Dimitri.
Aproximei-me até encurralá-la contra a parede do corredor. Não toquei. Ainda.
— Hoje à noite, vários homens aprenderam uma coisa — disse baixo. — Que você não é acessível.
— E você?
— Eu aprendi que não devia te expor assim.
O silêncio entre nós era elétrico.
— Vai me trancar no quarto agora? — ela provocou.
— Não — respondi. — Vou confiar em você.
Ela piscou, surpresa.
— Isso é novo.
— Não se acostume.
Isabela
No quarto, fechei a porta e encostei as costas nela. Meu corpo ainda vibrava. Não pelo medo. Pela forma como Dimitri me olhou quando alguém ousou me desejar.
Aquilo não era amor.
Mas também não era indiferença.
E isso me assustava mais do que qualquer ameaça naquela mesa.
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🔥 Cliffhanger:
Viktor não aceita a humilhação.
Isabela começa a perceber que estar sob a proteção de Dimitri pode custar caro.