Isabela
A mansão parecia silenciosa demais para dormir.
O relógio marcava quase duas da manhã quando decidi que não ficaria trancada naquele quarto como uma prisioneira obediente. Dimitri podia ser grande, perigoso e mandar em meio mundo, mas eu me recusei a entregar também minha vontade.
Abri a porta devagar. O corredor estava mergulhado em uma penumbra azulada, iluminado apenas por arandelas discretas.
Andei descalça, sentindo o frio do mármore subir pelos pés. Cada passo era um desafio — não só às regras dele, mas ao medo que tentava me dominar.
Desci as escadas com cuidado. A cozinha estava vazia. Peguei um copo d’água, as mãos tremendo levemente. Foi quando ouvi passos.
Pesados. Calmos. Donos do espaço.
— Eu disse para não sair do quarto.
A voz dele veio das sombras.
Meu coração disparou, mas virei devagar, erguendo o queixo.
— Eu não pedi permissão para sentir sede.
Dimitri estava sem paletó, a camisa escura levemente aberta no peito, revelando parte das tatuagens que se espalhavam por sua pele como marcas de guerra. Ele parecia ainda maior à noite. Mais perigoso.
— Você gosta de testar limites — ele disse, aproximando-se.
— E você gosta de achar que manda em tudo.
Ele parou a poucos centímetros de mim.
O ar ficou pesado. Meu corpo reagiu antes da mente, um calor traiçoeiro descendo pela espinha. Eu odiei aquilo. Odiei ainda mais o fato de ele perceber.
— Aqui, eu mando — ele murmurou. — E você acabou de cruzar uma linha.
— E o que você vai fazer? — provoquei. — Me punir?
Os olhos dele escureceram.
Por um segundo, achei que tinha ido longe demais. Mas Dimitri segurou meu pulso e me puxou contra o corpo dele. Não com violência — com controle. Total.
— Você não sabe brincar com fogo, Isabela.
— Então para de me queimar — rebati, a voz falhando quando senti sua mão firme na minha cintura.
O silêncio explodiu entre nós.
Ele me beijou.
Não foi doce. Não foi lento. Foi bruto, faminto, como se estivesse segurando aquilo há tempo demais. Tentei resistir por orgulho, mas meu corpo traiu qualquer discurso. Minhas mãos se agarraram à camisa dele, e quando percebi, eu já estava respondendo, devolvendo o beijo com a mesma intensidade.
Ele me encostou na bancada da cozinha, o corpo grande me cercando, me dominando sem palavras. Era errado. Perigoso. E absurdamente viciante.
— Isso é um erro — sussurrei contra a boca dele.
— Nós dois somos erros — ele respondeu, antes de me beijar de novo.
Dimitri
Eu devia parar.
Mas não parei.
Aquele beijo não era só desejo. Era guerra. Controle contra desafio. Cada resposta dela era uma provocação, cada gemido contido era uma afronta ao autocontrole que levei anos para construir.
Quando minhas mãos deslizaram pelas costas dela, senti o quanto estava tensa. Assustada. Viva.
Afastei-me de repente, respirando pesado.
— Chega.
Ela me encarou, confusa, os lábios inchados, os olhos brilhando.
— Por quê? — perguntou.
— Porque se eu continuar, não vou saber parar.
Ela engoliu em seco.
— Eu não sou frágil.
— Não — concordei. — Você é o problema.
Aproximei-me mais uma vez, mas agora minha voz era um aviso.
— Não saia mais do quarto à noite. Não me provoque desse jeito. Aqui… — toquei o próprio peito — … eu não sou um homem bom.
Ela respirou fundo.
— E eu não sou a mulher que foge.
Aquilo foi a gota.
— Vá — ordenei. — Agora.
Ela subiu as escadas sem olhar para trás. E eu fiquei ali, parado na cozinha, com o gosto dela ainda na boca e uma certeza perigosa se formando.
Isabela não era só uma garantia.
Ela era uma ameaça ao império que eu construí.
Isabela
Tranquei a porta do quarto e encostei as costas nela, o coração batendo forte demais. Meu corpo ainda tremia. Meu lábio ardia.
— i****a — murmurei para mim mesma.
Mas no fundo, eu sabia.
Aquele beijo tinha mudado tudo.
E Dimitri Volkov não era o único em perigo.
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🔥 Cliffhanger:
Dimitri decide impor novas regras.
Isabela decide que não vai obedecer nenhuma.