Isabela
O caminho de volta foi silencioso demais.
Não era o silêncio confortável de quem venceu uma batalha, mas o tipo que anuncia outra pior.
Dimitri mantinha os olhos fixos à frente, a mão firme no apoio do banco, os dedos cerrados como se segurasse algo invisível.
Eu sentia o peso do encontro ainda grudado à pele.
Morozov não tentou me intimidar.
Ele tentou me entender.
E isso era muito mais perigoso.
Quando o portão da mansão se fechou atrás de nós, tive a sensação nítida de que algo havia mudado.
Não fora apenas um jogo de poder entre dois homens. Eu tinha sido incluída… oficialmente.
— Você não devia ter respondido daquele jeito — Dimitri disse finalmente, a voz baixa.
— Ele precisava saber que eu não sou fraca — rebati.
— Ele precisava saber que você é imprevisível — corrigiu.
— E isso tira o controle das minhas mãos.
Virei-me para ele.
— Você não controla tudo, Dimitri.
Ele parou de andar. Lentamente. O olhar que me lançou não era de raiva. Era de tensão contida. Daquela que aperta o peito.
— Eu controlo o que importa — respondeu. — Ou sempre controlei… até você.
A confissão pairou no ar, pesada.
— Então pare de lutar contra isso — murmurei.
Ele se aproximou. Não havia mais estratégia ali. Apenas verdade crua.
— Você não entende o que está pedindo.
— Entendo sim — respondi. — Estou pedindo para você parar de me tratar como um risco… e começar a me tratar como escolha.
A mão dele subiu, desta vez tocando meu rosto.
O toque era firme, quase duro, como se ele estivesse testando os próprios limites.
— Se eu cruzar essa linha — disse —, não haverá como separar você da minha guerra.
— Eu já estou nela — sussurrei.
O beijo não veio de imediato.
Ele ficou ali, a poucos centímetros, respirando o mesmo ar, como se decidir fosse mais difícil do que matar.
Quando finalmente aconteceu, não foi gentil.
Foi urgente. Necessário. Carregado de tudo o que vinha sendo evitado.
Ele me puxou contra o corpo, a mão firme na minha cintura, como se precisasse me ancorar ali.
O beijo era profundo, intenso, cheio de controle e perda dele ao mesmo tempo. Não havia delicadeza. Havia verdade.
Quando nos afastamos, ambos respirávamos pesado.
— Isso muda tudo — ele disse.
— Não — respondi. — Só torna impossível fingir.
O momento foi interrompido por passos apressados no corredor.
— Senhor — disse um dos homens da segurança.
— Temos um problema.
Dimitri se afastou de mim num instante, a expressão já dura novamente.
— Fale.
— Um dos nossos contatos em São Petersburgo foi executado. Assinatura de Morozov.
Meu sangue gelou.
— Ele respondeu rápido — murmurei.
— Ele respondeu para você — Dimitri corrigiu.
— Para me mostrar o que acontece quando eu hesito.
Ele virou-se para mim, o olhar carregado de decisão.
— A partir de agora, nada de movimentos sozinha.
— Você acha que isso vai me parar? — perguntei.
— Não — respondeu. — Acho que vai me obrigar a lutar mais sujo.
Dimitri
Morozov tinha dado o recado.
E eu não podia mais proteger Isabela ficando na defensiva.
— Preparem a reunião — ordenei. — Quero todos os chefes presentes.
— Isso é uma declaração de guerra — disse meu braço direito.
— Não — respondi. — É um aviso.
Olhei para Isabela, parada à porta, observando tudo com olhos atentos demais para alguém que deveria estar com medo.
Ela não era minha fraqueza.
Ela era o motivo.
E Morozov acabara de cometer o erro final.
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🔥 Cliffhanger:
Morozov mata para provocar.
Dimitri decide atacar.
E Isabela percebe que amar um monstro significa aceitar o preço do sangue.