ENTRE O CONTROLE E A QUEDA

629 Words
Isabela O caminho de volta foi silencioso demais. Não era o silêncio confortável de quem venceu uma batalha, mas o tipo que anuncia outra pior. Dimitri mantinha os olhos fixos à frente, a mão firme no apoio do banco, os dedos cerrados como se segurasse algo invisível. Eu sentia o peso do encontro ainda grudado à pele. Morozov não tentou me intimidar. Ele tentou me entender. E isso era muito mais perigoso. Quando o portão da mansão se fechou atrás de nós, tive a sensação nítida de que algo havia mudado. Não fora apenas um jogo de poder entre dois homens. Eu tinha sido incluída… oficialmente. — Você não devia ter respondido daquele jeito — Dimitri disse finalmente, a voz baixa. — Ele precisava saber que eu não sou fraca — rebati. — Ele precisava saber que você é imprevisível — corrigiu. — E isso tira o controle das minhas mãos. Virei-me para ele. — Você não controla tudo, Dimitri. Ele parou de andar. Lentamente. O olhar que me lançou não era de raiva. Era de tensão contida. Daquela que aperta o peito. — Eu controlo o que importa — respondeu. — Ou sempre controlei… até você. A confissão pairou no ar, pesada. — Então pare de lutar contra isso — murmurei. Ele se aproximou. Não havia mais estratégia ali. Apenas verdade crua. — Você não entende o que está pedindo. — Entendo sim — respondi. — Estou pedindo para você parar de me tratar como um risco… e começar a me tratar como escolha. A mão dele subiu, desta vez tocando meu rosto. O toque era firme, quase duro, como se ele estivesse testando os próprios limites. — Se eu cruzar essa linha — disse —, não haverá como separar você da minha guerra. — Eu já estou nela — sussurrei. O beijo não veio de imediato. Ele ficou ali, a poucos centímetros, respirando o mesmo ar, como se decidir fosse mais difícil do que matar. Quando finalmente aconteceu, não foi gentil. Foi urgente. Necessário. Carregado de tudo o que vinha sendo evitado. Ele me puxou contra o corpo, a mão firme na minha cintura, como se precisasse me ancorar ali. O beijo era profundo, intenso, cheio de controle e perda dele ao mesmo tempo. Não havia delicadeza. Havia verdade. Quando nos afastamos, ambos respirávamos pesado. — Isso muda tudo — ele disse. — Não — respondi. — Só torna impossível fingir. O momento foi interrompido por passos apressados no corredor. — Senhor — disse um dos homens da segurança. — Temos um problema. Dimitri se afastou de mim num instante, a expressão já dura novamente. — Fale. — Um dos nossos contatos em São Petersburgo foi executado. Assinatura de Morozov. Meu sangue gelou. — Ele respondeu rápido — murmurei. — Ele respondeu para você — Dimitri corrigiu. — Para me mostrar o que acontece quando eu hesito. Ele virou-se para mim, o olhar carregado de decisão. — A partir de agora, nada de movimentos sozinha. — Você acha que isso vai me parar? — perguntei. — Não — respondeu. — Acho que vai me obrigar a lutar mais sujo. Dimitri Morozov tinha dado o recado. E eu não podia mais proteger Isabela ficando na defensiva. — Preparem a reunião — ordenei. — Quero todos os chefes presentes. — Isso é uma declaração de guerra — disse meu braço direito. — Não — respondi. — É um aviso. Olhei para Isabela, parada à porta, observando tudo com olhos atentos demais para alguém que deveria estar com medo. Ela não era minha fraqueza. Ela era o motivo. E Morozov acabara de cometer o erro final. _&&&&&&_&&_________________________ 🔥 Cliffhanger: Morozov mata para provocar. Dimitri decide atacar. E Isabela percebe que amar um monstro significa aceitar o preço do sangue.
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