Isabela
A noite caiu sobre Moscou como um aviso.
Não havia estrelas. Apenas nuvens pesadas, carregadas de algo que não era neve.
Depois do ataque, a mansão entrou em estado de vigília permanente. Homens armados em todos os corredores, vozes baixas, passos calculados.
Eu sentia que tinha cruzado uma fronteira invisível — não era mais apenas a mulher ao lado de Dimitri. Eu era parte do tabuleiro.
E Morozov sabia disso.
No escritório, Dimitri estudava relatórios com uma concentração quase c***l. A luz baixa desenhava sombras duras em seu rosto.
Ele parecia ainda mais perigoso assim. Mais distante. Mais… necessário.
— Ele quer me testar de novo — eu disse, quebrando o silêncio.
Dimitri ergueu o olhar devagar.
— Morozov não testa duas vezes sem agir — respondeu. — Ele vai aparecer. De alguma forma.
— Então pare de esperar — aproximei-me da mesa. — Vamos forçá-lo.
O maxilar dele se contraiu.
— Forçar Morozov significa abrir uma porta que talvez não feche.
— Você já abriu — rebati. — Quando me colocou ao seu lado em público.
O silêncio se estendeu entre nós. Não era confortável. Era denso. Carregado de coisas não ditas.
— Você está gostando disso — ele disse de repente.
Arqueei a sobrancelha.
— Do quê?
— Do perigo. Da atenção. De saber que ele olha para você como olha para mim.
A verdade me atingiu antes que eu pudesse negar.
— Talvez — admiti. — Porque, pela primeira vez, eu não sou invisível.
Dimitri se levantou.
Devagar. Cada passo dele parecia calculado para manter o controle. Ele parou à minha frente, perto demais. O ar mudou.
— Isso não é um jogo, Isabela.
— Eu sei — respondi, sem recuar. — Jogos têm regras. Isso é sobrevivência.
Os olhos dele desceram para minha boca por um segundo breve demais para ser acidental.
— Você não tem ideia do quanto isso me tira do eixo — ele murmurou.
O coração acelerou. Não de medo. Nunca de medo.
— Então pare de fingir que não sente — eu disse.
A mão dele subiu, parando a centímetros do meu rosto. Não tocou. Ainda.
— Se eu tocar em você agora — disse, a voz baixa e tensa —, não será suave. Não será gentil. E não será algo que eu possa desfazer.
— Eu não pedi gentileza — sussurrei.
Por um instante, achei que ele cederia. O ar entre nós parecia prestes a quebrar. Mas o telefone tocou.
Dimitri se afastou como se tivesse sido puxado de volta à realidade.
Atendeu.
— Fale.
O silêncio do outro lado foi longo demais.
— Onde? — perguntou, frio. — Quando?
Desligou.
— Ele marcou um encontro — disse. — Morozov.
Meu corpo inteiro ficou em alerta.
— Com você?
— Com nós dois.
— Então ele quer olhar nos meus olhos.
— Quer ver se você treme — Dimitri respondeu. — Ou se mente.
— E você vai deixar?
Ele me encarou por longos segundos.
— Não tenho escolha.
Dimitri
Levá-la até Morozov era o risco máximo.
Mas não ir seria admitir fraqueza.
O local escolhido era um teatro abandonado. Antigo. Silencioso. Um lugar onde vozes ecoavam — e segredos morriam.
— Fique ao meu lado — eu disse a ela. — Não diga mais do que o necessário.
— E se ele disser meu nome? — ela perguntou.
— Então você sustenta o olhar.
Morozov já nos esperava. Alto. Elegante.
O sorriso era educado demais para ser honesto.
— Dimitri Volkov — disse ele. — E esta deve ser a famosa variável.
O olhar dele pousou em Isabela como uma lâmina.
— Muito prazer — ela respondeu, firme.
Morozov sorriu.
l— Gosto de mulheres corajosas — disse.
— Principalmente quando não sabem o preço disso.
— Eu sei exatamente — Isabela retrucou.
— Só decidi pagar.
O silêncio que se seguiu foi perigoso.
Morozov riu baixo.
— Interessante — murmurou. — Talvez eu tenha subestimado você.
— Talvez — respondi. — E isso costuma custar caro.
Ele deu um passo para trás.
— Isso não acabou — disse.
— Está apenas começando.
Quando saímos, eu soube.
A guerra agora tinha nome, rosto…
E um alvo que não era mais só meu.
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🔥 Cliffhanger:
Morozov se aproxima demais.
Isabela não recua.
E Dimitri percebe que o desejo pode ser a arma mais perigosa de todas.